Morte de Décio tem relação direta com assassinato em Teresina

Jornalista foi assassinado por uma quadrilha formada pelos agiotas

13/06/2012 17:49h

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A morte do jornalista Décio Sá tem conexão com um crime investigado pela Polícia Civil do Piauí. Nada com o caso da estudante Fernanda Lages, possibilidade sustentada ao longo dos últimos meses por alguns meios de comunicação do Estado.

A execução do jornalista tem ligação direta com outro crime de "pistolagem". Décio Sá sabia demais sobre o assassinato do revendedor de veículos Fábio dos Santos Brasil Filho, 33 anos. Ele foi assassinado em março deste ano em plena Avenida Miguel Rosa, zona Sul de Teresina (PI).

Em seu blog, Décio Sá noticiou o caso, informando que Fábio Brasil devia a vários agiotas no Maranhão e havia prestado depoimento à Polícia Federal uma semana antes de ser executado. Aos delegados federais, Fábio teria delatado pessoas envolvidas com agiotagem no Maranhão e Piauí.

De acordo com a Polícia Civil do Maranhão, o jornalista foi assassinado por uma quadrilha formada pelos agiotas Gláucio Pontes e seu pai, José de Alencar Miranda Carvalho, 72 anos. Ambos são apontados como mandantes da morte de Fábio Brasil. O responsável por contratar os pistoleiros - identificado como José Raimundo Chaves Junior, o Júnior Bolinha - está preso desde a semana passada.


Fábio Brasil, assassinado em março deste ano em Teresina


Décio entra na mira de agiota

Segundo as investigações, Décio entrou na mira de Gláucio quando começou a denunciar em seu blog as ações de agiotas no Maranhão. A trama que culminou com a morte do jornalista remete a outubro do ano passado. Naquele mês, o agiota recebeu um pistoleiro que lhe contou ter sido contratado por Fábio Brasil para executá-lo.

Motivo: Brasil lhe devia R$ 200 mil e não tinha como pagar. Como saída, resolveu matá-lo, oferecendo R$ 100 mil ao pistoleiro. Mas o revendedor de veículos não adiantou o dinheiro do crime. Foi então que o bandido procurou Gláucio, oferecendo o serviço pelo mesmo valor.

O "empresário" diz ter recusado o serviço, mas, segundo a polícia, contou a história para que Júnior Bolinha resolvesse. Meses depois, Fábio Brasil foi morto em Teresina. Décio Sá publicou a notícia e, depois, foi informado de que o mandante seria Gláucio. Leitores apontaram o nome do agiota em comentários publicados no blog do maranhense.

Jornalista se reuniu com agiota

Segundo matéria publicada nesta quarta-feira (13) no Blog do Décio, Gláucio Pontes e o jornalista teriam se reunido. Na ocasião, o agiota teria informado que o autor do crime contra Fábio Brasil seria, na verdade, Júnior Bolinha, que o estaria chantageando para resolver o valor da execução. Bolinha queria R$ 100 mil de Gláucio pela morte de Fábio Brasil.

De acordo com a imprensa do Maranhão, Júnior Bolinha trouxe dois pistoleiros do Pará para o Maranhão. Planejava sequestrar o pai de Márcio, identificado como Miranda, como forma de pressionar o agiota a pagar o valor pelo assassinato de Brasil.

Mudança de planos

Mas os planos de Júnior Bolinha foram alterados quando ele soube - especula-se que através do próprio Gláucio - que Décio Sá sabia da sua participação no assassinato em Teresina. Foi então que aproveitou os bandidos do Pará para calar o jornalista antes da publicação da matéria.

Os destinos de Bolinha e Décio já haviam se cruzando antes. Em 2009 o jornalista publicou matéria denunciando o envolvimento do empresário em roubo de veículos - Bolinha chegou a ser preso, em operação da Polícia Federal, com um trator roubado em sua propriedade, no município de Santa Inês (MA). Por conta da repercussão da sua prisão, Bolinha perdeu a bandeira da Coca-Cola, empresa que representava em Santa Inês.

Ao ser informado que Décio revelaria sua participação na morte Fábio Brasil, Bolinha decretou que "não deixaria Décio destruir sua vida mais uma vez".

Bolinha e Gláucio se uniram em plano de morte

Para matar Décio Sá, Bolinha contou com a ajuda do próprio Gláucio Pontes. A polícia descobriu que o agiota mantinha uma casa no bairro Calhau. O imóvel é localizado a menos de 500 metros da área por onde os assassinos do jornalista empreenderam fuga na noite do crime.

A casa servia apenas de escritório particular e depósito de material escolar da empresa comandada por Gláucio. A polícia entende que os bandidos se deslocaram para lá após executaram Décio.


Jonathan Sousa é acusado de assassinar Décio Sá e Fábio Brasil


Assassino cobrou R$ 100 mil, mas recebeu apenas R$ 20 mil

Durante coletiva realizada nesta quarta-feira (13), o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluísio Mendes, deu detalhes sobre a investigação que levou à elucidação do assassinato do jornalista Décio Sá.

O jovem Jonathan Sousa Silva, 24 anos, cobrou R$ 100 mil para matar o jornalista, mas desse valor só teria recebido R$ 20 mil, motivo pelo qual, teria voltado à São Luís para tentar receber o restante do dinheiro.

O secretário informou que um consórcio foi organizado para pagar e dar fuga aos pistoleiros. Estariam envolvidos os empresários Gláucio e Miranda, alguns de seus assessores e o subcomandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Maranhão, capitão Fábio Aurélio Saraiva Silva. Era do PM a pistola usada no crime.

Prisões

A operação batizada de "Detonando' previa o cumprimento de oito mandados de prisão. Desses, somente um continua em aberto. Estão presos:

Jhonatan de Sousa Silva, 24 anos, apontado como executor do crime;
José de Alencar Miranda Carvalho, 72 anos;
Gláucio Alencar, 34 anos;
Airton Martins Monrroe, 24 anos;
José Raimundo Chaves Junior, o Júnior Bolinha, 38 anos;
Fábio Aurélio do Lago e Silva, o Bochecha, 32 anos;
Fábio Aurélio Saraiva Silva, subcomandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Maranhão.

A delegada-geral da Polícia Civil do Maranhão, Cristina Meneses, informou que a investigação está apenas começando. Segundo a polícia o consórcio que planejou a morte de Décio era uma organização criminosa que agia em vários ramos da sociedade maranhense. "As investigações começaram no assassinato do Décio Sá, mas agora vão continuar até essa quadrilha ser completamente desbaratada", afirmou a delegada.

Assinatura do pistoleiro

Segundo a polícia, o pistoleiro Jonathan Sousa Silva já praticou pelo menos 20 homicídios. "Ele tem uma característica nos crimes que cometia, uma espécie de assinatura. Todas as suas vítimas eram assassinadas com um ou dois tiros na cabeça e dois no tórax", informou Marcos Afonso Júnior, delegado-geral adjunto da Polícia Civil.

Jonathan Sousa Silva também é apontado como o executor do empresário Fábio Brasil. O crime praticado em Teresina teve as mesmas características do assassinato de Décio Sá.


*com informações do Jornal Pequeno, Imirante e Blog do Décio

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Por: Rmulo Maia

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