Justiça ouve 51 testemunhas em audiência sobre morte de cabo do Bope

Esta é a primeira vez que a família do cabo Claudemir Sousa fica de frente com os sete acusados do crime. Parentes esperam condenação.

12/06/2017 12:24h - Atualizado em 12/06/2017 12:48h

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Começou nesta segunda-feira (12) a audiência de instrução do processo relativo ao homicídio do cabo da Bope, Claudemir Sousa, O PM foi assassinado no dia 06 de dezembro ao sair de uma academia no bairro Saci e sete pessoas foram presas acusadas de ter participação no crime.

A audiência tem previsão para encerrar na quarta-feira (14) e durante estes três dias, serão ouvidas 51 testemunhas de defesa e acusação do crime. Dentre elas, os policiais que participaram das diligências de prisão dos acusados e pessoas que passavam pelo local no momento do fato. O rito acontece na sede do Tribunal de Justiça e é presidido pelo juiz Antônio Nollêto, da 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Após os debates da defesa e acusação, caberá ao magistrado dar a sentença e dizer se os acusados irão a júri popular. São acusados do crime: Leonardo Ferreira Lima e Maria Ocionira Barbosa, tidos como os mandantes; José Roberto Leal da Silva, Igor Andrade Sousa, Thaís Monait Neris de Oliveira, Weslley Marlon Silva e Flávio Willame da Silva.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

Em conversa com o PortalODia.com, o defensor de Thaís Monait, Joaquim Magalhães disse que o argumento usado é o de que a acusada estava apenas no lugar errado, na hora errada e que não teve participação no crime como aponta a acusação. “Ela está sendo colocada como uma das olheiras, que ficou de prontidão, observando os passos da vítima para informar aos atiradores o melhor momento de investir. Mas ela estava apenas na companhia do namorado em um trailer, fazendo um lanche. Não tem nenhuma prova material que a ligue diretamente ao crime”, argumentou o defensor.


Defensor Joaquim Magalhães, responsável pela defesa de Thaís Monait (Foto: Assis Fernandes/O Dia)

Já a defesa do acusado Weslley Marlon utiliza o argumento de que o crime foi, na verdade, uma tentativa de assalto que culminou com a morte do cabo Claudemir e que não houve a premeditação que a acusação sustenta. “O Weslley foi apontado como um dos atiradores, que estaria agindo com um comparsa, seguindo todo um combinado com os outros acusados, mas isso não se aplica. O que houve foi um latrocínio que terminou como terminou. E meu cliente não foi o que atirou. Aconteceu de seu comparsa disparar, mas ele não teve envolvimento direto nisso”, diz o defensor Francisco Moura.

Os defensores dos outros acusados ainda não tinham se manifestado a até o fechamento desta matéria. A audiência vai seguir durante a tarde de hoje (12).


Foto: Assis Fernandes/O Dia

“Faz a gente reviver tudo de novo”

Presente na audiência de instrução, os familiares do cabo Claudemir Sousa esperam a condenação dos acusados. Uma das irmãs do PM disse que esta é a primeira vez que os parentes veem os responsáveis pelo crime frente a frente e que o rito judicial para conclusão do processo acaba por fazê-los reviver os momentos de dor por conta da perda.


Cabo Claudemir Sousa (Foto: Arquivo Pessoal)

“Foi há seis meses, mas quando passamos por aquela porta, tivemos a sensação de que foi ontem que tudo aconteceu. E ver aquelas setes pessoas sentadas ali na nossa frente, tão perto, nos faz questionar como que um ser humano é capaz de se juntar para fazer o mal desse jeito e tirar a vida de uma pessoa. Então ficamos meio que sem entender, inconformados de certa forma e tentamos nos confiar na Justiça que é o que tem a ser feito neste momento”, diz.

O cabo Claudemir Sousa fazia parte do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Piauí e era especialista em explosivos. As informações apuradas pela polícia à época do crime davam conta de que sua morte teria sido um crime passional arquitetado por Maria Ocionira Barbosa e Leonardo Ferreira Lima. Ocionira teria um relacionamento amoroso com Claudemir, o que estaria atrapalhando seus planos com Leonardo. Estes dois foram apontados como mandantes do crime.

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Por: Maria Clara Estrêla

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