Greco prende sete por envolvimento em massacre que deixou 56 mortos

A operação denominada Guará ocorre também nos estados do Maranhão, Ceará, Amazonas e Santa Catarina.

26/07/2019 09:44h - Atualizado em 26/07/2019 14:12h

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Foram presas na manhã desta sexta-feira (26), em Teresina, sete pessoas suspeitas de envolvimento no massacre ocorrido no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na cidade de Manaus - AM. As prisões ocorreram nos bairros Lourival Parente e Monte Castelo, na zona Sul, e Alto Alegre, na zona Norte de Teresina. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI), a operação denominada Guará ocorre também nos estados do Maranhão, Ceará, Amazonas e Santa Catarina.

De acordo com a Polícia Civil, os presos são suspeitos de envolvimento com uma facção criminosa do estado do Amazonas. O grupo é apontado como autor do homicídio do líder de uma organização criminosa que atua na região Norte do país. O crime ocorreu em maio deste ano em Teresina.

O delegado Humberto Mácola, do Núcleo de Inteligência da SSP, afirma que o líder da facção veio ao Piauí sob o pretexto de que atuaria em um assalto milionário. No entanto, foi atraído para uma emboscada e morto na Capital. "Eles atraíram ele para Teresina, levaram ele para esse local em que foi torturado por três dias e morto. O corpo foi encontrado na cidade de Caxias, no estado do Maranhão", relata o delegado.

O delegado Humberto Mácola, do Núcleo de Inteligência da SSP. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Para a Polícia Civil do Amazonas, a suspeita é de que o homem tenha sido assassinado devido a uma disputa pela liderança da facção. A morte do traficante foi filmada e divulgada pelos próprios executores, o que levou ao estopim de um massacre ocorrido no sistema prisional amazonense poucos dias após o homicídio.

Com o assassinato, integrantes da organização arquitetaram uma rebelião no sistema prisional, acarretando no assassinato de 56 detentos. A maioria das mortes ocorreu no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), uma das maiores penitenciárias do Amazonas.

"Não foi uma retaliação, o que houve foi que, a partir das informações que foram obtidas aqui, se passou pro sistema penitenciário do Amazonas, e ocorreu a matança lá. Nós vamos esclarecer para a população do Amazonas o que realmente aconteceu com relação a morte nos presídios, o que houve foi uma armação para retirar alguém do comando dessa facção e colocar outras pessoas", explica o delegado Normando Barbosa, do Departamento de Repressão ao Crime Organizado do Amazonas.

O delegado Normando Barbosa, do Departamento de Repressão ao Crime Organizado do Amazonas.. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Ao todo, sete pessoas foram detidas na Capital, sendo cinco homens e duas mulheres. O grupo é suspeito de ter envolvimento com crimes como tráfico de drogas, homicídio e estelionato. Na ação, a Polícia apreendeu nove armas de fogo, incluindo pistolas de uso exclusivo da Polícia e uma submetralhadora, cerca de 10kg de maconha, R$ 40 mil em espécie e aparelhos celulares.

Material apreendido pela polícia. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Para a Polícia Civil, a relação entre o grupo preso no Piauí e a facção amazonense é mantida pelo tráfico de drogas. Os entorpecentes vêm do estado do Amazonas com destino ao Ceará, passando pelo Piauí. 

O secretário de Segurança Pública do Piauí, Fábio Abreu, esclareceu também que os presos na manhã de hoje confessaram participação no homicídio do empresário Evandro Augusto, ocorrido em 14 de julho no bar LOB~, na zona Leste de Teresina. Segundo o secretário, a segunda morte teve como motivação uma dívida de drogas que a vítima possuía com o grupo.

Novos desdobramentos da operação podem ocorrer no Estado. Os presos foram conduzidos para a sede do Greco e ficarão à disposição da Justiça do Amazonas. A operação Guará está sendo realizada pela SSP, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas, através da Delegacia de Combate ao Crime Organizando do Estado do Amazonas. Além das prisões, a Polícia conseguiu apreender ainda armas como submetralhadoras, pistolas, revólveres e drogas.

No Piauí, participaram da operação policiais civis do DOE, DEPRE, GRECO Homicídios e Núcleo de Inteligência da SSP/PI.

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Por: Nathalia Amaral

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