Gangue da zona Sul tem lista de jovens para matar

Assassinatos ocorridos estão relacionados e cerca de 10 já foram mortos

16/10/2013 12:30h - Atualizado em 16/10/2013 14:16h

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Os assassinatos registrados na zona Sul de Teresina, nas últimas semanas, têm uma ligação em comum e possuem relação com a briga entre as duas maiores gangues de traficantes da região, segundo a polícia. Apenas este mês já foram contabilizados seis homicídios entre o bairro Promorar e a Vila Irmã Dulce, região considerada entre as mais perigosas da cidade. Gangues teriam lista de nomes marcados para morrer no mundo do crime. 

Segundo o chefe de investigação do 4º DP, Hilton Barbosa, o assassinato de Márcio Pop, em agosto deste ano, foi o grande impulsor do aumento da criminalidade na zona Sul de Teresina. “Essas duas gangues [de Márcio Pop e de Nego Wilson] já vinha brigando faz tempo, mas desde que o Márcio foi morto, a disputa virou uma verdadeira guerra. É como se tivessem assassinado um ícone do mundo do crime e tudo que tem acontecido depois vem como uma consequência”, declara o investigador.

Desde agosto, esse plano de executar os integrantes da gangue de Nego Wilson tem sido posto em prática e o resultado é uma série homicídios com características semelhantes registrados na zona Sul de Teresina. A frequência com que esses assassinatos têm ocorrido assusta a população e surpreende até mesmo à polícia. “E enquanto tiver gente faltando para eles ‘eliminarem’ a tendência é não parar”, diz o investigador Hilton. Cerca de 10 nomes da lista já teriam sido alvo dos bandidos. 

A gangue de Nego Wilson controla o tráfico de drogas na região do Parque São José e Vila do Afegão e, segundo o investigador Hilton, o que há é uma disputa por espaço e poder. “Eles não querem saber quem é. Basta saber que pertence a uma gangue rival que já resolvem com tiro. Não precisa nem mexer com eles, basta passar na rua”.

Agora, Nego Wilson se encontra detido respondendo por homicídios e assaltos cometidos em 2006. Quanto ao menor assassino de Márcio Pop, ele foi apreendido semanas depois do crime, mas já está em liberdade. “É de menor. Não pode ficar preso. A polícia o apreendeu, mas ele teve de ser liberado, dentre outras coisas, porque nenhuma testemunha o reconheceu”.

Jovens entram em gangues cada vez mais cedo

O assassino de Márcio Pop tinha apenas 15 anos de idade e pertencia a uma gangue rival, liderada por Nego Wilson. “A população costuma agradecer a quem assassina bandido, mas acaba esquecendo que quem mata também não deixa de ser e se ele era o líder, quem cometeu o crime, vai virar líder no lugar”, pontua Hilton Barbosa.

De acordo com o investigador, a faixa etária de membros das gangues está diminuindo cada vez mais, principalmente nos últimos dois anos, quando menores de até 12 anos de idade estão migrando para o mundo da criminalidade. "Nós temos chefes de gangues entre 18 e 25 anos, mas também tem menores com idade entre 12 e 15 anos", informa. 

Para a polícia, o tráfico é fato impulsor do aumento da criminalidade em Teresina, mas não é o único. “Nós temos uma guerra explícita em que grupos armados disputam espaço, e poder. Muitas vezes não é nem por controle do tráfico de drogas, mas apenas mostrar ao outro quem tem mais poder e o resultado nós estamos vendo todo os dias com a polícia sendo acionada para isolar o local onde alguém foi assassinado por briga de gangues”. 

Assassinatos na Zona Sul

Desde o último domingo (13), três mortes já foram registradas somente na Vila Irmã Dulce. Duas delas com o corpo da vitima sendo queimado como forma de ocultação de provas. Na tarde da segunda-feira (14), um rapaz de 19 anos foi assassinado pelas costas com tiros de pistola.

No primeiro fim de semana deste mês foram contabilizados três homicídios praticamente seguidos um do outro apenas no bairro Promorar. De acordo com o investigador Hilton, eles têm ligação com a rixa entre as gangues de Márcio Pop e Nego Wilson e refletem o ‘acerto de contas’ pela morte do líder do tráfico na região.

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