Em nova modalidade de crime, quadrilhas roubam pets em Teresina para revender

Teresina teve pelo menos três casos de cachorros roubados de dentro de casa durante assaltos nas últimas duas semanas.

13/07/2021 09:47h - Atualizado em 13/07/2021 10:08h

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Uma nova modalidade de crime vem sendo praticada em Teresina e a frequência com que os casos vêm ocorrendo chamou a atenção das autoridades policiais: trata-se do roubo de animais de estimação para revenda no mercado informal. Só nas últimas duas semanas foram registrados pelo menos três casos de pets roubados de dentro das residências de seus tutores na capital.

O primeiro caso ocorreu no dia 22 de junho, quando assaltantes fizeram uma família refém em arrastão na zona Norte e foram embora levando, além de objetos de valor, um cão da raça buldogue francês chamado Bruce. No último dia 09 de julho, dois cachorros da raça shih-tzu foram roubados de dentro de um carro durante assalto na porta de uma clínica veterinária na zona Sul da capital. Também no dia 09, uma cadela chamada Áisha foi roubada de dentro de casa em um assalto a uma residência no bairro Jóquei Clube, zona Leste de Teresina.


Foto: O Dia

Os três casos foram formalmente registrados pelos tutores dos animais junto aos Distritos Policiais de seus respectivos bairros e esse é o procedimento que deve ser adotado em situações como esta. Conforme explica o delegado Emir Maria, titular da Delegacia do Meio Ambiente e Defesa dos Animais, estes criminosos, na maioria das vezes, roubam os pets para revender no mercado informal devido ao alto valor de mercado que eles possuem.

“Um pet pode chegar a até R$ 10 mil e tem deles que o valor inicial é no mínimo R$ 3 mil. As pessoas que praticam crimes de furto e roubo percebem que roubar um pet é uma coisa fácil e eles são comercializados de forma muito tranquila. Não temos em Teresina uma fiscalização, seja da Prefeitura ou do Estado, nas empresas que trabalham com pets, que negociam ração e negociam animais. Na maioria das vezes, você compra um pet sem dificuldade, sem nota fiscal, não tem recibo. São cachorros e gatos adquiridos de forma informal, o que facilita sua obtenção de maneira ilegal”, explica Emir.


O delegado Emir Maia é titular da Delegacia do Meio Ambiente e Defesa dos Animais - Foto: O Dia

Ele diz que esta modalidade de crime é muito comum em grandes cidades na região Sudeste do país, sobretudo em São Paulo, onde a população de cães e gatos de estimação que são de raça é maior que a de cidades como Teresina. O delegado pede que as pessoas tomem os cuidados necessários como evitar deixar seus bichos de estimação soltos na calçada de casa ou no meio da rua e ficarem mais atentos a quem se aproxima de seus pets. 

“E façam boletim de ocorrência. Na maioria das vezes, as pessoas não registram BO. Uma outra saída seria que o poder público fiscalizasse e taxasse essa comercialização de animais de estimação a nível de cidade de estado. Com uma tributação sobre o preço que esses pet-shops cobram sobre os animais que vendem, seria mais fácil rastrear de onde aquele cachorro ou gato veio, como ele foi adquirido e para onde ele vai”, comenta Emir.

O delegado explica que é competência dos Distritos Policiais darem uma resposta para esta nova modalidade de crime aqui em Teresina, uma vez que o roubo de um pet é tratado legalmente como um roubo comum e não como sequestro. E a atuação da Delegacia Especializada de Meio Ambiente e Defesa dos Animais entra mais na parte de identificação e punição de maus-tratos que por ventura estes animais venham a sofrer.

Vale lembrar que o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais prevê pena de até cinco anos de reclusão para casos de maus-tratos e morte de animais domésticos.

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