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Em 2019, crimes de estelionato online cresceram 200% no Piauí

Crimes envolvem clonagem de aplicativos de mensagens e negociações de compra e venda de produtos por meios virtuais, diz delegado.

12/01/2020 16:01h

Negociações de produtos e transferências de valores para amigos e familiares são operações que estão cada vez mais comuns na internet. Com o crescimento dessas operações online, um crime que também tem crescido exponencialmente no Piauí é o estelionato pormeios virtuais. Segundo informações solicitadas pelo O Dia à Delegacia Especializada em Crimes Virtuais, em 2019 houve um salto de 200% no registro de ocorrências relacionadas à esta modalidade de estelionato.

De acordo com o delegado Anchieta Nery, a principal dica para evitar ser vítima desses golpes é a atenção, tanto quanto ao repassar dados pessoais por meio de ligações telefônicas, quanto nanegociação de produtos em plataformas de venda online. Segundo ele, diferente dos crimes sexuais por meio virtual, o estelionato online não tem uma vítima preferencial. “O criminoso quer simplesmente que alguém caia na conversa dele, muitas vezes é um idoso, é um adulto homem, é uma mulher jovem, não interessa”.

Titular da Delegacia Especializada em Crimes Virtuais, delegado Anchieta Nery. (Foto: Nathalia Amaral/O Dia)

Uma das modalidades do crime praticada por meios virtuais é a clonagem de aplicativos de mensagens, como oWhatsapp. Os criminosos descobrem o número de telefone da vítima e tenta instalar o aplicativo em um novo aparelho, para ter acesso à lista de contatos. Ao instalar, o aplicativo solicita uma senha enviada via SMS para o aparelho da vítima, para permitir o novo acesso.

“O criminoso vai ligar para a vítima com alguma historinha, se passando por alguma empresa, se passando por algum call center e vai dizer: ‘olha, enviamos um número de confirmação no seu celular, diga pra gente’. A vítima está vendo que o número foi enviado pelo Whatsapp, que é outra empresa, mas mesmo assim fala. Nesse momento, o criminoso consegue instalar o Whatsapp no novo celular e a vítima perde o acesso no dela”, explica o delegado.

De posse do Whatsapp da vítima, o criminoso tem acesso a agenda de contatos e envia mensagens pedindo dinheiro se passando pela vítima. Os contatos preferenciais são aqueles salvos com algum grau de proximidade, como “mãe”, “pai” ou “amor. Por isso, o delegado destaca que é importante que as pessoas salvem os contatos com nome e sobrenome, pois as pessoas próximas são as primeiras a serem procuradas por quem pratica esse tipo de crime.

Titular da Delegacia Especializada em Crimes Virtuais, delegado Anchieta Nery. (Foto: Nathalia Amaral/O Dia)

Outro alerta importante para evitar esse tipo de dano é ativar a verificação em duas etapas nas configurações do próprio aplicativo. “É um dispositivo de segurança em que vai ser criada uma senha de seis números exclusivamente sua, só você sabe e essa senha vai ser pedida para você de tempos em tempos para poder usar o aplicativo e sempre que comprar um celular novo e for instalar seu Whatsapp ali, essa senha vai ser pedida, além da senha que a empresa te manda via SMS”, esclarece.

A principal dificuldade em perceber que está sendo vítima de golpe acontece porque as pessoas, na maioria das vezes, estão em uma situação de pressa e acabam repassando informações para o estelionatário. Por isso, caso receba a ligação de uma empresa que pede a confirmação de dados pessoais, o ideal é informar que você não tem condições de repassar informações no momento e pedir para a empresa retornar em um horário que você possa atender com calma.

 “Numa situação tranquila e normal da sua vida, você não cairia naquela conversa, e geralmente quem cai é porque está numa situação de pressa, está numa fila de banco, está fazendo uma compra no supermercado e quer encerrar logo aquela ligação e vai dizendo sim pra tudo”, alerta.

Já o outro tipo de estelionato virtual tem como alvo vendedores e compradores de produtos em sites de compra e venda online, como OLX e o Mercado Livre. Nessa modalidade, a principal dica é prestar atenção em anúncios que vendem produtos por um valor muito abaixo da média de mercado. Por exemplo, se você está querendo comprar um produto que vale em média R$ 500 e observa um anúncio em que o mesmo produto está sendo ofertado por R$200 ou R$ 250. Esse é o primeiro ponto de desconfiança.

Outra maneira de se prevenir é conversar com o responsável pelo anúncio ou com o possível comprador por outro meio de comunicação, confirmar os dados pessoais e checar o endereço. No caso de veículos, é indicado conversar com profissionais, checar dados do veículo, placa, e número do chassi.

“Se alguém que está transacionando contigo diz que vai mandar um terceiro e que não é para tratar de preços com esse terceiro porque a pessoa quer dar de presente, esse é um golpe que eles estão fazendo que é chamado clonagem de anúncios. Se você é vendedor de um carro ou de uma moto e subiu seu anúncio, algum atacante pegou as fotos, os dados, subiu um anúncio similar, com um preço muito abaixo do mercado, o comprador daquele estelionatário quer olhar o objeto, então ele marca a visita com você”, relata o delegado Anchieta Nery.

Para o delegado, o crescimento de registros de estelionato se deve ao fato de que a população está mais informada e mais confiante no trabalho da Polícia Civil. Em caso de denúncia, qualquer pessoa que se sinta vítima de um golpe pode procurar a sede da Delegacia Especializada em Crimes Virtuais, localizada na rua Coelho Rodrigues, número 760, no bairro Centro (Sul), para registrar o boletim de ocorrência e denunciar o anúncio pela página do próprio site onde o produto está sendo divulgado.

Por: Nathalia Amaral

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