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Durante estupro coletivo, menores chamavam mentor do crime de 'patrão'

Por ser mulher, delegada Tânia Miranda é quem está responsável por coletar os depoimentos das vítimas.

04/06/2015 16:36h - Atualizado em 04/06/2015 17:16h

Duas das quatro adolescentes violentadas e espancadas na cidade de Castelo do Piauí na semana passada começaram a dar detalhes importantes que podem ajudar a esclarecer o crime que chocou o Estado, além de contribuir para o enriquecimento do inquérito policial que fundamentará a acusação contra os cinco acusados, incluindo quatro menores de idade e Adão José de Sousa, 40 anos.

A delegada Tânia Miranda já conversou extraoficialmente com as duas meninas que apresentam melhor quadro clínico - uma internada no HUT e outra num hospital particular de Teresina.

As meninas revelaram que, durante os momentos de terror, os menores agressores referiam-se a um certo "patrão", que seria o mentor do crime.

Segundo o delegado Laércio Evangelista, que também está responsável pelo caso, tudo indica que este "patrão" é Adão José de Sousa. Embora ele negue participação na barbárie, testemunhas disseram tê-lo visto próximo ao local onde o crime ocorreu. 

O delegado Laércio Evangelista (Foto: Elias Fontinele / O DIA)

O delegado acrescenta que a coleta dos depoimentos das vítimas precisa ser feita de forma lenta e gradual, por conta do forte trauma psicológico que elas estão enfrentando. Mesmo assim, ele garante que o trabalho da Polícia não será prejudicado. "Apenas com as provas e depoimentos colhidos até o momento já é possível formular uma acusação consistente, inclusive pelo crime de tentativa de feminicídio", afirma o delegado.

Quanto à punição dos menores, Laércio destaca que, considerando a gravidade do crime, é possível sim que eles cumpram penas superiores aos três anos de internação em estabelecimento educacional, limite previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "Já houve casos pelo País em que, ao completar 18 anos, foi comprovado que o infrator apresentava transtornos mentais, e a Justiça determinou novo prazo de internação numa clínica psiquiátrica", pontua Evangelista.

Nos próximos dias, a delegada Tânia fará novas oitivas com as vítimas, inclusive com a adolescente que recebeu alta da UTI nesta quarta-feira (3).


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