Casal de policiais presos por fraude em concurso volta ao trabalho

Desembargador entendeu que casal não poderia influenciar investigação; corregedor considera decisão "incompatível com os crimes que são investigados".

07/06/2017 11:01h - Atualizado em 07/06/2017 13:58h

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O casal de policiais civis que havia sido afastado do serviço foi trazido de volta aos quadros da Polícia Civil por uma liminar expedida pela Justiça. O casal estava afastado por suspeita de ter ingressado na Polícia através de fraude em concurso púbico, que foi revelada pela Operação Infiltrados.

O desembargador Pedro Alcântara Macedo entendeu que, mesmo de volta ao serviço, os dois policiais não têm como interferir nas investigações, que ainda estão em curso. "A imposição de uma medida de afastamento das funções em face da excepcionalidade do cargo ou função deve haver indicativo plausível de que os pacientes possam colocar em risco o curso da investigação ou inviabilizar a consecução das diligências necessárias a elucidação dos fatos, o que não se vislumbra no caso", disse o desembargador na decisão.


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Os policiais que voltaram à ativa são Aline de Miranda Carvalho Nobrega e Anderson Vasconcelos da Nobrega. O último foi um dos primeiros a serem soltos após a operação Infiltrados. O desembargador levou em consideração também o fato de os investigados serem réus primários, com residência fixa e sem registros de ocorrências dentro da Polícia. 

Corregedoria

O corregedor da Polícia Civil, delegado Adolpho Henrique, afirma que considera a liminar uma “decisão errada”, já que os dois terão de volta o acesso aos sistemas da Polícia Civil, onde podem ser encontradas informações sobre Boletins de Ocorrência, investigações, registros de veículos, entre outros.

“Eu vejo que a permanência deles na Polícia é incompatível com os crimes pelos quais eles são investigados. Eles são ingressos na Polícia Civil de maneira fraudulenta e, a meu ver, não dá para ficar no serviço, com acesso ao sistema da polícia, ao armamento da polícia, numa situação como essa”, comentou o corregedor da Polícia Civil.

Para usar como exemplo, o delegado Adolpho ainda relembrou o caso de um outro policial civil que havia sido afastado da função por irregularidades, e que depois retornou ao serviço por decisão judicial. “Foi devolvido a ele a arma, e com essa arma ele foi em um bairro afastado da cidade e promoveu um show de horrores por lá”, conta o corregedor, sem comentar detalhes deste caso.

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Edição: Nayara Felizardo
Por: Andrê Nascimento

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