Casa investigada por prostituição faz propaganda em outdoor

Justiça ainda aguarda a apresentação de um dos investigados na Operação Aspásia.

31/01/2014 09:43h - Atualizado em 31/01/2014 10:47h

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A boate Copacabana Show, localizada no Dirceu, e que começou a ser investigada durante a Operação Aspásia em 2012, está anunciando sua reabertura em outdoors espalhados em pontos estratégicos da cidade. O proprietário do estabelecimento, Carlos Alberto da Silva Passos, foi um dos presos durante a ação da polícia por acusação de favorecimento à prostituição, tráfico interno de pessoas e formação de quadrilha.

Segundo o Ministério Público, o funcionamento da casa enquanto estabelecimento comercial é legal, mas se ficar comprovado qualquer desvio de funcionalidade ou ligação com atividades ilícitas, o órgão irá intervir diretamente. "A casa de show não ficou lacrada com a abertura do processo, ou seja, ela pode voltar a funcionar porque é um negócio. O que implicou na investigação foram as atividades desenvolvidas lá dentro, não o local em si", explica a promotora Vera Lúcia Santos que acompanhou o caso junto à Polícia Civil. 

Foto: Arquivo O DIA


Outdoor fica localizado na Avenida Raul Lopes, próximo á Universidade Federal do Piauí

Com relação à publicidade feita pelas ruas de Teresina, o MP disse que se nos outdoors não estiver explícita a prática da exploração sexual, a propaganda está dentro da legalidade. "O Ministério vai monitorar os locais onde essa publicidade está sendo feita e avaliar o conteúdo veiculado nela", diz. Em caso de comprovação de ligação com o crime, será pedida novamente a interdição do estabelecimento.

A mensagem repassada pelo outdoor alia o slogan da casa de show que é "diversão e prazer", às fotos de mulheres seminuas e em poses sensuais. Elas são anunciadas como modelos internacionais.

Sobre o processo de julgamento dos presos na Operação Aspásia, o juiz da 7º Vara Criminal, Almir Alib Tajra, informou que, no momento, a Justiça aguarda a apresentação do último réu que ainda não foi encontrado. "Houve realmente um atraso, mas o processo não está parado. O que acontece é que são 13 acusados ao todo e cada um tem um prazo de no mínimo 10 dias para apresentar sua defesa. É um direito deles. Enquanto esses procedimentos legais não forem cumpridos, nós não podemos dar prosseguimento à ação", explica.

O juiz informa que assim que o último réu se apresentar, o que, segundo ele, não deve demorar, o MP será notificado e uma audiência será marcada para análise dos autos e distribuição das medidas penais. "Até lá, é possível que a casa de show reabra e funcione, mas se for comprovada ligação com qualquer tipo de crime, aí sim, a Justiça entra em ação e pede o fechamento do local", diz. 

A promotora Vera Lúcia destacou que essa demora no andamento dos processos pode acarretar no descumprimento do prazo para o início dos julgamentos. Para ela, isso representa um risco e a garantia de impunidade por parte dos acusados. A promotora diz que os advogados dos réus aproveitam a morosidade da justiça para entrar com o máximo de recursos possíveis e usa o própria lentidão no processo como argumento de defesa.

Além da casa de show que faz anúncio no outdoor, outra que também foi investigada - a Beth Cuzcuz - já está há muito tempo distribuindo panfletos pelas ruas de Teresina. A mensagem é a mesma, com fotos de mulheres seminuas e em poses sensuais, sendo anunciadas como modelos.


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