Após tiroteio, médicos têm medo de trabalhar

Presidente da FMS destaca que alguns profissionais da Saúde têm se recusado a trabalhar em bairros mais periféricos

20/07/2017 07:36h

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Após o tiroteio nas imediações do Hospital do Promorar, na zona Sul de Teresina, o presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Silvio Mendes, fez um apelo ontem (19) aos criminosos, pedindo que os profissionais de saúde sejam respeitados. O episódio ocorrido na terça-feira(18) deixou duas pessoas ficaram feridas após a troca de tiros; além disso, uma das balas ainda invadiu um dos consultórios da unidade, mas não atingiu ninguém. 
O gestor ressaltou que alguns profissionais da Saúde têm se recusado a trabalhar em bairros mais periféricos da cidade, onde a criminalidade tem assustado esses funcionários e, por isso, várias Unidades Básicas de Saúde (UBS) têm instalado grades em suas dependências. “São esses médicos que atendem os próprios marginais quando são agredidos, acidentados. Nosso pedido é aos marginais, que protejam quem trata da vida deles, é preciso pedir a eles para que preservem e protejam os serviços de saúde deles e da família deles”, reforça. 
De acordo com Silvio Mendes, os profissionais correm riscos devido à falta de segurança nas proximidades das UBSs. O gestor afirma que o tiroteio de terça-feira não foi um fato isolado e atribui a marginalidade social como culpada da situação; além disso, ele destaca que a situação não deve ser naturalizada pela população. 
“Segurança pública é uma abordagem complexa. É preciso a união de todos e preciso, principalmente, do poder público nas causas especiais. Essa abordagem não é simplista, a gente não pode se omitir. É da conta de todo mundo. Não é só colocar nos ombros da repressão que vai ter solução”, disse. 
O presidente da FMS acrescentou ainda que, recentemente, esteve reunido com representantes da Secretaria de Segurança Pública, entre eles o secretário Fabio Abreu, quando a Fundação pediu orienta- ção acerca do comportamento que se deve ter nessas situa- ções, com o intuito de buscar melhorar a segurança dos servidores municipais e da população. “Não vamos transferir responsabilidade, a responsabilidade é coletiva, principalmente do poder público, que não pode se omitir”, ressalta. 
O caso 
Terça-feira (18), duas pessoas foram alvejadas nas proximidades do Hospital do Promorar. Uma delas foi uma mulher identifcada como Carolina Silva Santos, atingida com quatro balas. Ela foi encaminhada ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde passou por cirurgia. Um homem ainda não identifcado foi atingido na mão e atendido no próprio hospital. Com o casal também estava uma criança, que levou um tiro de raspão. 
A bala também atingiu um dos consultórios do hospital, mas não atingiu o médico presente no local. A informação foi confrmada pela diretora do Hospital do Promorar, Sandra Marina Gonçalves. “Foi no fnal do plantão, houve um movimento de correria para dentro das enfermarias, a bala atingiu um vidro da porta do hospital e se alojou atrás de um móvel do consultório médico. A equipe está em pavorosa, estamos recebendo muitas ví- timas de arma de fogo e deixa a equipe muito preocupada em atender. Hoje temos difculdade de ter profssionais para atender na portaria”, afrmou Sandra.
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Edição: Virgiane Passos
Por: Letícia Santos

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