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Caso Salve Rainha: Moacir chora, pede perdão e fala em fatalidade

Jader Damasceno foi o único sobrevivente do acidente que deixou dois mortos. O julgamento de Moaci Junior acontece desde a manhã desta quarta no Fórum Criminal de Teresina.

04/03/2020 08:35h - Atualizado em 04/03/2020 17:42h

Atualizada às 16h30min

Moacir Moura da Silva Júnior, réu no caso Salve Rainha, afirmou durante seu depoimento na tarde desta quarta-feira (04) que não teve a intenção de matar e, que na noite do crime, invadiu o semáforo por medo de um assalto. O acusado chorou e pediu perdão as famílias das vítimas.

“Queria pedir perdão para as famílias das vítimas, ao Jader e toda a sociedade piauiense. Eu não ia sair de casa com a intenção de matar ninguém, foi uma fatalidade”, conta.

Em outra parte do depoimento, Moacir negou ter ingerido bebida alcoólica. Segundo o réu, a garrafa de whisky encontrada em seu carro, foi deixada por um amigo minutos antes do acidente. Ele disse ainda que com o impacto da colisão a garrafa quebrou e, por isso, sua confusão era pelo machucado provocado pelos estilhaços de vidro e não por embriaguez.

Moacir ressaltou também que não descumpriu o acordo de indenização firmado com o pai das vítimas. O réu afirmou que pagou R$ 200 mil a família. 

Atualizada às 10h42min

Único sobrevivente do acidente, o jornalista e designer Jader Damasceno foi o primeiro a ser ouvido no julgamento de Moaci Junior na manhã desta quarta,04, no Fórum Criminal de Teresina. Questionado pela acusação sobre sua situação após o acidente, Jader chegou a se emocionar e disse: "eu não me reconhecia no meu corpo. Eu não poderia mais correr, mais andar direito. Tem sido um desafio diário ser gente".


 O jornalista e designer Jader Damasceno foi o primeiro a ser ouvido no julgamento de Moaci Junior. Foto: Assis Fernandes/O Dia

Além do processo criminal contra Moaci, o jornalista também move um processo civil por danos físicos. Segundo Jader, a familia do réu não manifestou interesse em ajudar nem financeiramente e psicologicamente. Ele conta que durante 12 meses após o acidente, recebeu uma ajuda de custo de cerca de R$ 2 mil, por parte dos familiares de Moacir, mas que esse valor era inferior ao que ele recebia como jornalista.

"Esses R$ 2 mil eles disseram que era pra cobrir meu tratamento. Não era mensal, era R$ 2 mil somados os 12 meses. Isso não cobria nada, não me dava de volta tudo que eu tinha perdido. Era mais uma forma de calar a boca de alguém, calar a boca do corpo que entrou no caminho do dele [do réu]", afirmou.


Iniciada às 08h35min

Acontece na manhã desta quarta-feira (04) o julgamento de Moaci Moura da Silva Júnior, motorista que conduzia o veículo causador do acidente que culminou na morte de dois integrantes do Coletivo Salve Rainha, em Teresina – Francisco Das Chagas Araújo Júnior, o Júnior Araújo, e seu irmão, Bruno Queiroz. O acidente aconteceu na noite do dia 26 de junho de 2016 e ainda lesionou gravemente o jornalista e designer Jader Damasceno.


Leia também: Justiça nega recurso e mantém denúncia por homicídio doloso contra Moaci Jr. 


Moaci senta no banco dos réus quase quatro anos depois do ocorrido. Ele responde a um processo por homicídio com dolo eventual, ou seja, quando se tem consciência de que há possibilidade de matar; por crime de trânsito e lesão corporal. Ele conduzia o Corolla que colidiu com o Fusca onde estavam as vítimas em uma velocidade muito acima do permitido para a via e ultrapassou um sinal vermelho.

O acidente aconteceu no cruzamento da Avenida Miguel Rosa com Rua Jacob de Almendra, no Centro-Norte de Teresina. O Fusca onde estavam os integrantes do Salve Rainha ficou completamente destruído. O impacto, conforme apontou a perícia, se concentrou justamente no lado em que estava Bruno Queiroz. Ele morreu no local.Júnior Araújo e Jader foram socorridos e encaminhados para o HUT. O jornalista conseguiu resistir, mas seu amigo veio a óbito dias depois, vítima de um traumatismo craniano grave.

Fotos: Assis Fernandes/O Dia


Entenda o rito do julgamento

O julgamento começará com a tomada de depoimento da vítima, Jader Damasceno, e das testemunhas de acusação. Foram arroladas quatro pelo Ministério Público. Logo em seguida, será tomado o depoimento das testemunhas de defesa, quatro no total. Por último, será ouvido Moaci e em seguida, o Ministério Público e a defesa fazem suas arguições finais.

Por fim, o Conselho de Sentença, formado por representantes da sociedade civil, se reunirá para decidir se condena ou não o réu. O último a se pronunciar é o juiz que preside o julgamento. Ele que lerá a sentença proferida pelo júri.

Por: Maria Clara Estrêla e Sandy Swamy

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