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“Não vai ficar impune”, diz árbitra após ser agredida por estudante

Eliete Fontenele foi agredida com socos no rosto durante uma competição esportiva na Universidade Federal do Delta do Parnaíba.

04/06/2019 11:04h

Em entrevista ao O DIA na manhã desta terça-feira (4), a árbitra Eliete Fontenele comentou o episódio de agressão sofrido na noite de ontem durante uma competição esportiva na Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Campus Ministro Reis Velloso. Após ser agredida com três socos no rosto pelo estudante Rodrigo Quixaba, a árbitra diz que ele “não vai ficar impune”. 

“Eu vou tomar todas as medidas possíveis. O que eu puder fazer para que ele seja preso, vou fazer. Ele tem que pagar pelo erro dele. Ele deveria pensar duas vezes antes de agredir alguém, ainda mais uma mulher”, disse a árbitra, acrescentando que pretende entrar com um processo contra o estudante por danos morais.


Trabalhando há duas décadas como árbitra, Eliete Fontenele revela que os casos de machismo são recorrentes, inclusive ofensas com palavras de baixo calão, mas essa é a primeira vez em foi agredida fisicamente. A árbitra conta ainda que já havia apitado jogos com a presença do estudante, mas essa foi a primeira vez em que o suposto agressor esteve dentro de campo.

“Sempre apitei jogos na Universidade Federal, mas essa foi a primeira vez em que ele esteve jogando. Ele sempre teve um comportamento muito agitado e nervoso, mas nunca chegou a jogar”, comenta. 

Segundo ela, os socos atingiram a parte da boca, deixando vários ferimentos internos. Apesar da ação desproporcional do suposto agressor, a árbitra disse ainda ter recebido ameaças nas redes sociais. “Um homem comentou que eu merecia apanhar até mais”, destaca.

A vítima passou por exame de corpo delito e registrou um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher de Parnaíba. O estudante não foi encontrado para comentar o caso.

Estudante ainda não foi localizado

O estudante Rodrigo Quixaba, acusado de ter agredido a árbitra Eliete, ainda não foi localizado. Após o ocorrido, alunos da universidade ainda tentaram contê-lo, mas ele conseguiu se evadir do local. A Polícia Militar foi imediatamente acionada e iniciou as diligências à procura de Rodrigo no endereço apontado como sendo sua residência em Parnaíba, no entanto, ele já não estava no local.

“Fizemos diligências também em outros locais apontados como sendo espaços que ele frequentava rotineiramente, mas também não havia sinais dele nem ninguém sabia informar nada sobre sua localização”, relatou o coronel Antônio Pacífico, comandante da Polícia Militar de Parnaíba.

Mesmo sendo procurado, Rodrigo Quixaba não pode ser considerado foragido da polícia. Para que isso aconteça, seria preciso que sua prisão tivesse sido decretada ou que ele tivesse se evadido do local após ter sido autuado em flagrante, o que não aconteceu. Quem explicou foi o coronel Pacífico. Ele acrescentou que o Boletim de Ocorrência já foi devidamente formalizado junto à Delegacia da Mulher de Parnaíba e que o exame de corpo de delito da vítima será anexado aos autos.

Associações Atléticas emitiram nota de repúdio

Diversas Associações Atléticas Acadêmicas (AAA) da Universidade Federal do Piauí emitiram nota de repúdio à agressão praticada por Rodrigo Quixaba. A AAA Carcará, do curso de Medicina, publicou um texto em sua página no Instagram em que fala que “a violência contra a mulher não será tolerada e sempre será combatida dentro e fora das quadras, seja no contexto das Atléticas ou em outros”. A Associação classificou o episódio como “desrespeito gravíssimo ao esporte”.

Já AAA Insana, do curso de Psicologia, destacou que “reconhece o esporte como potencial produtor de saúde, diversão e entretenimento, e como importante instrumento de socialização. Não como canal para expressões de violência”.


Por: Nathalia Amaral e Maria Clara Estrêla

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