Volta às aulas: Piauí tem 460 escolas autorizadas a receber estudantes presencialmente

O secretário de Educação do Estado, Ellen Gera, destacou que cada escola definirá seu plano para retomada das aulas

07/08/2021 16:21h

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O Piauí tem 653 escolas e 220 mil alunos, que devem retornar às aulas a partir do dia 09 de agosto. A novidade é que essas aulas irão acontecer de maneira híbrida. O secretário de Estado da Educação (Seduc), Ellen Gera, em entrevista ao O DIA, destacou como o Estado tem se preparado para receber esses estudantes.

(Foto: Assis Fernandes/ODIA)

ODIA: Secretário, como será o formato de volta às aulas e de que maneira a Secretaria se planejou para esta retomada?

Ellen Gera: 

A grande novidade do segundo semestre é justamente a inclusão do modelo híbrido na nossa proposta pedagógica. Até então, durante todo este ano de 2021, as escolas da rede estadual de Educação estavam trabalhando apenas com modelo remoto, aquele modelo em que o professor posta o material em alguma plataforma ou entrega o material impresso para o estudante. A partir deste dia 09 de agosto, as escolas estão autorizadas a implementar o modelo híbrido, em que o estudante vai para a escola durante alguns dias, em um sistema de rodízio determinado pela escola, e no dia que for à escola, ele recebe o material e faz o processo de ensino e aprendizagem com o professor presencial, depois volta para casa e faz o acesso do conteúdo também pelas plataformas. Uma informação importante é que este é um modelo opcional para o estudante, que pode optar em ficar totalmente remoto ou fazer o híbrido, mas aconselhamos que o estudante faça o híbrido. Estamos com um tempo muito longo de distanciamento desse estudante do chão da escola e a presença desse estudante no ambiente escolar fortalece muito o processo de ensino e aprendizado. Cada escola está apresentando para a Seduc um plano de retomada das aulas do segundo semestre.

ODIA: Desde o início da pandemia, todo mundo ficou preocupado, e, como o senhor disse, a grande preocupação é com o chão da escola. As escolas estão preparadas? Tem material e equipamento suficiente? Os profissionais da Educação foram orientados?

E.G.:

Eu tenho convicção que o chão da escola é um lugar seguro para o cumprimento dos protocolos de segurança. Inclusive, no ano passado, nos meses de outubro, novembro e dezembro, nós implementamos este modelo híbrido na rede estadual de Educação, e, na época, nós não tínhamos nem vacina, e o COE tinha liberado em setembro, que a partir de outubro poderíamos implementar o híbrido na rede. Naquela ocasião, das 653 escolas, 256 implementaram este modelo, em especial aquelas escolas que tinham estudantes em finalização de Ensino Médio. Isso gerou um grande aprendizado para a rede. O que temos adicionado com esse aprendizado, em relação aos protocolos de biossegurança: a vacinação. Desde junho o Piauí vacina os profissionais de Educação. O Estado avançou bastante e temos mais de 76 mil profissionais da educação com processo de imunização iniciado. Somado a tudo isso, as escolas estaduais receberam recursos para que pudessem seguir os protocolos, comprando EPI’s, máscaras, álcool, implementando pias em locais que facilitem a higienização dos estudantes, adaptações em sala de aula, cumprindo o distanciamento correto. A rede hoje está preparada, cada escola apresenta um plano de retomada para a Secretaria e nós estamos fazendo a inspeção uma a uma. Temos, neste momento, 460 escolas que já estão autorizadas a receber os estudantes no ambiente escolar com modelo híbrido.

ODIA: Neste tipo de planejamento feito pela Seduc, está sendo exigido de alunos e professores algum tipo de documentação, como a vacinação dos docentes, ou se os pais assinaram alguma autorização?

E.G.:

O grande problema que foi criado sobre o ambiente escolar foi a desconfiança de que a escola não é um local seguro, e estamos lutando para provar o contrário. Nós, durante toda a pandemia, fizemos um sacrifício de ficar em casa, os professores, estudantes e toda a rede aguardando um momento em que a gente pudesse ter a autorização de retornar para o chão da escola. Agora é o momento da Educação, de voltar para a escola. Os professores estão passando pelo processo de imunização, a vacina é sim um condicionante para este retorno e o primeiro passo da imunização já garante que este professor tenha uma segurança maior, somado a isso, tem o cumprimento dos protocolos, assim como ocorre nas repartições públicas, supermercados, bares e restaurantes, farmácias e o comércio, que está todo funcionando. Para o retorno, o professor tem que ter iniciado o processo de imunização, para que possamos ter um ambiente mais seguro. Lembrando que o Piauí já começou a vacinar os adolescentes entre 12 e 18 anos, ainda aqueles que têm comorbidades, e a nossa expectativa é iniciarmos em agosto de forma gradual e com muita prudência, como temos feito durante toda a pandemia. O prejuízo de aprendizagem é muito forte e está posto no cenário nacional e não é diferente no Piauí.

ODIA: Como a Seduc vai enfrentar este prejuízo do conhecimento, que é discutido não somente no nosso país, mas no mundo inteiro?

E.G.:

A primeira atitude que estamos tomando é um processo muito forte de busca ativa. O maior risco que temos neste momento é do estudante querer deixar para o ano que vem e abandonar seu ano letivo. Este é um risco que está posto também no cenário. Estamos trabalhando com um sistema de busca ativa escolar muito forte, indo de encontro ao estudante, à família ou responsável, para que esse estudante se mantenha no sistema educacional, para que possamos trabalhar com o reforço de aprendizagem. Temos o programa ‘Juntos para Avançar’, que estamos implementando desde o início do ano e será reforçado no segundo semestre. Agora em agosto vamos implementar o Sistema de Avaliação Educacional do Piauí (SAEPI), que vai avaliar todos os estudantes da rede estadual para que os professores tenham uma avaliação diagnóstica do nível de aprendizagem dos estudantes. Com uma novidade: o Sistema também está sendo cedido para os municípios. O Estado imprimiu todas as avaliações e está distribuindo gratuitamente para que os municípios também possam fazer uma avaliação diagnóstica dos seus estudantes. De posse de uma boa busca ativa, garantindo o vínculo do estudante, identificando o nível de aprendizagem que cada um se encontra neste momento, aí as equipes pedagógicas de cada escola irão trabalhar para fortalecer a aprendizagem dos estudantes.

ODIA: Há algum planejamento específico para o estudante que irá prestar o ENEM?

E.G.:

O Enem é uma grande preocupação que nós temos este ano. As inscrições deste ano já mostram que houve uma perda de engajamento em relação ao exame, que está trabalhando com algo em torno da metade do que poderia ter de inscritos e isso é muito preocupante. E para aqueles estudantes do Piauí que estão devidamente inscritos, a Secretaria segue muito forte com seu programa Pré-Enem Seduc. Temos mais de 70 mil piauienses que estão aptos para o Enem de 2021, e estamos trabalhando com toda a plataforma, e, adicionado a isso, o trabalho que as escolas irão fazer no próprio chão da escola.

ODIA: Que outras orientações o senhor pode deixar sobre a volta às aulas?

E.G.:

É importante destacar que este retorno que estamos fazendo no segundo semestre é opcional, mas é essencial que seja feito. Busque na sua família e em seu lar a confiança, e acredite na escola. Os profissionais de Educação estão preparados, as escolas que estão autorizadas foram inspecionadas e estão com as EPI’s necessárias para receber os estudantes e os profissionais no ambiente escolar. Eles estão, neste momento, passando por um processo de formação, de planejamento pedagógico e vamos, na semana que vem, fazer um grande acolhimento em toda a rede, para que você possa se sentir seguro e não abandone seu futuro. Acredite em você, volte para a escola e para o processo de aprendizagem, para que possa finalizar bem o ano de 2021 e dar seguimento à sua vida por meio da educação. 

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Por: Com informações de Edna Maciel, da ODIA TV.

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