Vendas caem até 80% e artesãos da Central de Artesanato amargam prejuízos

Categoria diz que local e seus produtos precisam de divulgação para atrair turistas e teresinenses

25/10/2021 11:07h

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Com o fechamento de diversos setores econômicos devido à crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus, empregados e empregadores contabilizam prejuízos e perdas. Agora, com a vacinação começando a controlar a disseminação da Covid-19, aos poucos, a vida vai voltando a um novo normal e alguns segmentos começam a se reerguer depois de quase dois anos parados. 

Essa, no entanto, não vem sendo a realidade de uma parcela dos artistas no Piauí. Trata-se dos artesãos que trabalham na Central de Artesanato Mestre Dezinho, localizada no corredor cultural teresinense, em frente à Praça Pedro II. Durante os momentos mais críticos da pandemia, a categoria viu suas vendas despencarem em mais de 80% e, mesmo após a reabertura de alguns setores econômicos, o movimento das vendas não se recuperou.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

Os artesãos amargam prejuízos e há quem pense, inclusive, em desistir do ofício e entregar o ponto na Central de Artesanato. É o caso de dona Francisca Arminda Barbosa. Ela trabalha com artesanato há 42 anos e diz que tem acumulado contas enquanto vê suas vendas despencarem. 

 “A situação é péssima. Agora tem restrição para tudo, tem limite de bagagem e o turista, quando vem, compra um chaveiro, uma bolsinha de couro. Ele não compra mais coisas que façam volume nem peso, então isso prejudica ainda mais. Aí veio a pandemia e o pessoal não anda aqui. Precisa de uma divulgação porque tem gente que nem sabe que o Centro de Artesanato existe”, diz dona Francisca.


Dona Francisca pensa em desistir do ofício e entregar seu ponto - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Antes da pandemia, ela conseguia tirar mensalmente uma média de R$ 1.000 a R$ 1.500 vendendo sua arte santeira na Central de Artesanato. Hoje, ela conta que passa até uma semana com o caixa da loja vazio e o dinheiro que consegue em alguma venda usa para comprar comida e remédio. Dona Francisca afirma que pensa em entregar o ponto e viver somente de sua aposentadoria.

“Quando era época de turismo, eu tirava um bom dinheiro, que dava para pagar as despesas da loja e tirar um pouquinho para eu investir. Hoje eu passo até uma semana sem lucrar nada, porque cada dinheirinho que entra eu compro comida, não vou morrer de fome. Minha aposentadoria dá para os meus remédios apenas, mas aqui, infelizmente, eu só tenho tido prejuízo. Estou pensamento seriamente em entregar a loja, porque tem dia que a gente não tem nem o que comer direito”, finaliza dona Francisca.

Outra que também relata as dificuldades de se manter com a queda nas vendas na Central de Artesanato é Ivanilde Gomes. Ela atua como artesã no local há 20 anos e lembra que nunca tinha passado por uma crise tão severa quanto a que a pandemia trouxe. As vendas, ela diz, caíram na casa dos 80% e os turistas praticamente sumiram do local.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

“Nem as pessoas que moram aqui conhecem o Centro de Artesanato, imagine quem vem de fora e precisa de informações sobre que locais visitar. Precisa ser mais divulgado, nosso trabalho aqui precisa ser apreciado, porque trabalhamos com a arte e a história do nosso povo. Nós não merecemos ficar passando por isso, por essa situação de esquecimento que estamos vivendo. A procura pelos nossos produtos é muito pouca e isso tem causado prejuízos enormes para gente que vive disso”, afirma Ivanilde.

Retomada gradativa do turismo e eventos presenciais

Procurada, a Superintendência de Desenvolvimento do Artesanato do Piauí (Sudarpi) informou que está trabalhando para retomar, de forma gradativa, a participação dos artesãos do Piauí em feiras e eventos presenciais de exposição. O superintendente Francisco Jordão destaca que, durante o período mais crítico da pandemia, a Secretaria de Cultura do Estado (Secult) lançou editais de contemplaram vários segmentos artísticos, incluindo o artesanato.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

“Realizamos junto com o Sebrae rodadas de negócios virtuais. Estamos hoje no Rio de Janeiro, também em parceria com o Sebrae, no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro numa exposição que vai até o dia 15 de novembro, bem como tivemos uma exposição agora no Morro da Urca, no Rio. Iremos participar também, no final de outubro, da Feira de Artesanato Salão Raízes do Brasil, em Brasília, e participaremos da Fenearte, em dezembro, que é a maior feira de artesanato da América Latina”, elencou Francisco.

Em Teresina, está previsto para ocorrer em novembro o 17º Salão de Arte Santeira da Central de Artesanato, bem como o Natal de Som e Luz, em comemoração às festas de fim de ano. “São algumas das medidas que adotamos para retomada gradativa do turismo, do turista e do piauiense, tendo em vista que ainda estamos em período de pandemia. Estamos utilizando também nossas redes para divulgar os trabalhos do artesão do Piauí”, finaliza Francisco Jordão.

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