Teresina tem 130 mil obesos, aponta pesquisa do Ministério da Saúde

Estudo aponta que, após 8 anos em ascensão, obesidade no Brasil parou de crescer.

30/04/2014 17:34h - Atualizado em 30/04/2014 18:47h

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O Ministério da Saúde divulgou, nesta quarta-feira (30), dados animadores que apontam uma maior dedicação da população brasileira aos cuidados com a saúde. A pesquisa Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) indica que, após oito anos de crescimento, o percentual de pessoas com excesso de peso ou obesidade manteve-se estável no País.

O levantamento apresentado pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, aponta que 50,8% dos brasileiros estão acima do peso ideal, e que, destes, 17,5% são obesos. Os índices ainda são considerados preocupantes, mas representam uma interrupção na média de crescimento de 1,3 ponto percentual ao ano que vinha sendo registrada desde a primeira edição da pesquisa Vigitel, realizada no ano de 2006, quando a proporção de pessoas acima do peso era de 42,6% e de obesos era de 11,8%.

De acordo com a pesquisa, o percentual de homens e mulheres obesos é exatamente o mesmo – 17,5% em cada um dos gêneros. Já em relação ao excesso de peso, os homens são os que mais padecem com o problema – 54,7% deles estão acima do peso ideal, contra 47,4% das mulheres.

Em Teresina, 49,1% da população está com excesso de peso – 54,6% dos homens e 44,6% das mulheres. Já a obesidade atinge 16,2% da população teresinense – índice que equivale a cerca de 130 mil pessoas (conforme estimativa do IBGE). Na capital piauiense, o problema afeta 18,1% dos homens e 14,6% das mulheres, de acordo com os dados do Ministério da Saúde.

Excesso de peso e obesidade por sexo:

Essa edição do estudo também aponta que a escolaridade é um fator que influencia decisivamente para uma melhor educação alimentar, sobretudo entre público feminino. Os dados da Vigitel indicam que o percentual de excesso de peso entre as mulheres com até oito anos de estudo chega a impressionantes 58,3%. Por outro lado, o percentual cai para 36,6% entre as mulheres com escolaridade de no mínimo 12 anos. E a prevalência de obesidade também cai pela metade entre esses dois grupos de mulheres, atingindo 24,4% (menor escolaridade) e 11,8% (maior escolaridade).

Frequência de excesso de peso no País:

''O maior acesso à informação pode ter um peso importante nesse resultado. Isso é fundamental porque demonstra claramente que é possível persistir e ampliar as políticas públicas para expandir os resultados que temos entre os mais escolarizados para as outras faixas'', afirma o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa.

Frequência de obesidade no País:

Cresce prática de exercícios físicos e consumo de alimentos saudáveis

O levantamento divulgado nesta quarta-feira também revela que, paralelamente à estabilidade nos índices de obesidade e excesso de peso, houve também um crescimento da quantidade de pessoas que aderiu à prática cotidiana de exercícios físicos.

Em cinco anos, o percentual da população que passou a realizar atividades físicas saltou de 30,3% (em 2009) para 33,8% (em 2013).

Os homens são mais ativos que as mulheres. Em 2009, 39,7% da população masculina praticava exercícios, enquanto no ano passado esse percentual chegou a 41,2%. Entretanto, o aumento da prática de exercícios entre as mulheres foi maior, passando de 22,2% para 27,4%.

O educador físico Raphael Meneses, que trabalha numa academia da capital, opina que o número de pessoas praticantes de algum tipo de exercício tem aumentado por conta da divulgação mais ostensiva dos benefícios à saúde que essas atividades proporcionam. "A gente observa que essa adesão tem sido maior tanto entre os jovens quanto entre os idosos. As pessoas procuram a academia para conseguir um corpo bacana, mas também para ter uma vida mais saudável", afirma.

Outro forte aliado na prevenção de doenças, o consumo recomendado de frutas e hortaliças também registrou aumento de 18% nos últimos oito anos. Atualmente, 19,3% dos homens e 27,3% das mulheres comem cinco porções por dia de frutas e hortaliças, quantidade indicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2006, os índices eram de 15,8% e 23,7%, respectivamente.

Apesar desses avanços, o estudo mostra que uma significativa parcela da população ainda mantém diversos hábitos alimentares inapropriados, como a substituição do almoço ou do jantar por um lanche de baixo valor nutritivo.

A pesquisa Vigitel aponta que 16,5% dos brasileiros (12,6% dos homens e 19,7% das mulheres) costumam trocar o almoço ou jantar por lanches como pizzas, sanduíches ou salgados, diariamente.

Outro indicador que preocupa é o consumo excessivo de gordura saturada: 31% da população não dispensam a carne gordurosa e mais da metade (53,5%) consome leite integral regularmente. O refrigerante também têm consumidores fiéis: 23,3% ingerem esta bebida, no mínimo, cinco dias por semana.

De acordo com o Ministério da Saúde, a pesquisa Vigitel retrata os hábitos da população brasileira e é uma importante fonte para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde preventiva.  Nesta edição, foram entrevistados aproximadamente 53 mil adultos em todas as capitais e também no Distrito Federal.

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