Um possível surto de parotidite infecciosa (mais conhecida como caxumba ou papeira) está sendo investigado em Teresina. Várias pessoas da capital já relataram serem vítimas da doença, ou conhecer alguém que já foi contaminado pelo vírus, que pode causar inchaço e dor nas glândulas salivares, febre, dor de cabeça, fadiga e falta de apetite. A Fundação Municipal de Saúde investiga os casos.
Rita de Cássia está há seis dias internada em um hospital de Teresina, onde foi diagnosticada com caxumba e meningite viral. Em conversa com Cássio Moraes, filho que está acompanhando ela durante o tratamento, ele informou que outras 7 pessoas já estiveram no hospital reclamando dos mesmos sintomas.
"Inicialmente, ela sentiu muita dor no corpo, febre e fraqueza. Depois que apareceu o inchaço, como se fosse um caroço dolorido abaixo da orelha. Ela já está aqui há uma semana, e já passaram por aqui outras quatro crianças e três adultos, reclamando dos mesmos sintomas", contou Cássio.

Wilson Dias/ABr
Segundo ele, muitos médicos acabam diagnosticando os pacientes como se a doença fosse uma virose, devido os sintomas serem parecidos. Um enfermeira, do hospital em que Rita de Cássia está internada, está fazendo a coleta de dados sobre os pacientes, para um levantamento da Fundação.
Rafaela Marreiros também teve caxumba, e ficou cerca de 20 dias em tratamento. "Eu fiquei um mês parada, 20 dias só tratando da doença, porque a doença leva um tempo e muito repouso. Tive inchaço do lado direito, não senti dores, foi mais inchaço mesmo. No médico onde eu fui, ele disse que muitas pessoas estavam pegando a doença", relatou.
O jogador do River, Diego Lira, também está com caxumba desde a última terça-feira (15). Por conta disso, deixou de jogar duas partidas pelo campeonato estadual e pela Copa do Nordeste. A previsão é que ele ainda esteja fora da equipe por mais dois jogos.
A assessoria da Fundação Municipal de Saúde informou que cinco mil pessoas já foram vacinadas contra as doenças desde outubro. Quando um local registra o contágio ou informa que houve algum caso da doença, a FMS vai até o local fazer a vacinação para evitar que a doença se espalhe. Segundo a assessoria, após a vacinação, uma pessoa leva de 13 a 15 dias para ficar imune.
As doenças
A caxumba afeta das glândulas parótidas, as glândulas salivares localizadas abaixo e na frente das orelhas. Esta doença é transmitida pela saliva infectada. Algumas pessoas não apresentam sintomas. Quando eles ocorrem, incluem glândulas salivares doloridas e inchadas, febre, dor de cabeça, fadiga e falta de apetite. O tratamento se concentra no alívio dos sintomas. A recuperação leva cerca de duas semanas. É possível prevenir a doença com a vacina tríplice viral.
A meningite geralmente é causada por uma infecção viral, mas também pode ser bacteriana ou fúngica. As vacinas podem prevenir certas formas de meningite. Os sintomas são dores de cabeça, febre e rigidez no pescoço. Dependendo da causa, a meningite pode melhorar sozinha ou tornar-se fatal, exigindo tratamento antibiótico urgente.
Ambas as doenças são transmitidas por gotículas respiratórias no ar (tosse ou espirro), por saliva (beijos, bebidas ou objetos compartilhados) e pelo toque em uma superfície contaminada (cobertor ou maçaneta). O período de incubação varia de 12 a 25 dias. Seu período de transmissibilidade varia entre 6 e 7 dias antes das manifestações clínicas até 9 dias após o surgimento dos sintomas.
FMS toma medidas necessárias para bloqueio da caxumba
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) notificou o Ministério da Saúde sobre os casos de parotidite infecciosa (mais conhecida como caxumba ou papeira) em Teresina. Uma nota informativa, elaborada pela Diretoria de Vigilância em Saúde da FMS, já foi distribuída entre as Unidades de Saúde da capital, orientando médicos e outros profissionais sobre o manejo da doença.
“O Ministério da Saúde foi notificado para que as doses da Vacina Tríplice Viral (VTV) sejam garantidas para nossa cidade, caso os números da doença aumentem, mas creio que isso não vai acontecer, pois estamos tomando todas as medidas de bloqueio necessárias. O que tem acontecido na cidade é que as pessoas na faixa etária de 20 a 40 anos, que estavam com o esquema vacinal atrasado, acabaram sendo acometidos pela parotidite infecciosa”, explica o enfermeiro da Diretoria de Vigilância em Saúde da FMS, Ricardo Brito Soares.
O enfermeiro explica ainda que a vacina só foi inserida no esquema vacinal dos brasileiros entre os anos de 1997 e 2000 e muitas pessoas deixaram de se vacinar por não cumprirem o esquema vacinal de maneira correta.
Edição: Nayara FelizardoPor: Marcos Cunha (estagiário)