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Teresina deve rever verticalização e aproveitar melhor as vias

Bons locais de moradia, saneamento básico, iluminação, interligação de modais são itens que devem receber total atenção do poder público na área do planejamento urbano.

02/01/2020 08:18h - Atualizado em 02/01/2020 17:28h

A garantia de uma boa mobilidade urbana é fundamental para melhorar a qualidade de vida da população das grandes cidades. Mas não só ela. Bons locais de moradia, saneamento básico, iluminação, interligação de modais são itens que devem receber total atenção do poder público na área do planejamento urbano

E são esses aspectos que o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Piauí (CAU/PI), Welligton Camarço, destaca como critérios que devam considerados para a estrutura da cidade neste ano de 2020. A mobilidade, sem dúvidas, deve ganhar especial atenção. Para Camarço, há morosidade nos avanços desta área em Teresina

Welligton Camarço, destaca como critérios que devam considerados para a estrutura da cidade neste ano de 2020. (Foto: Elias Fontenele/O Dia)

“Tudo ficou acomodado pela facilidade que Teresina dar, por ser uma cidade plana e por muito tempo não ter grandes problemas no tráfego; então, as políticas públicas para este setor demoraram a chegar. Agora, por exemplo, foram criadas novas grandes vias sem as devidas faixas para ciclistas, os prédios públicos e privados não estão preparados para receber o trabalhador com este modal. É fácil ver um grande engarrafamento e encontrar uma pessoa por carro; não temos política de carona, de sermos mais generosos com o outro. São coisas que precisam mudar”, afirma.

A grande extensão territorial de Teresina também impõe desafios. Isso porque à medida que as cidades vão crescendo, existe um efeito de espalhamento das atividades ao longo do território e isso faz com que as distâncias percorridas pelas pessoas, para atender às suas necessidades de trabalho, educação, compras, lazer, fiquem cada vez maiores. Com a cidade mais “espalhada”, fica mais difícil atender a essas necessidades a pé, de bicicleta ou com o transporte público. 

Essa, inclusive, é a principal razão dos problemas de mobilidade que se enfrenta hoje no Brasil: o crescimento desordenado das cidades, em um modelo de desenvolvimento que estimulou, por muito tempo, o uso do carro. E segundo o presidente do CAU/PI, Teresina é a maior Capital em termo de área urbana do Nordeste. São mais de 45 km do extremo norte ao extremo sul possíveis de serem percorridos. 

“Para se ter uma ideia, Fortaleza e Recife, juntas, cabem dentro do perímetro de Teresina. Então temos de tentar verticalizar a cidade, aproveitar os vazios urbanos e a Prefeitura está buscando isso, em não permitir que o perímetro urbano da cidade cresça e, assim, reduzir custo de transporte, infraestrutura. A verdade é que Teresina precisa passar por uma revolução de verticalização e aproveitamento de suas vias”, atesta. 

Inthegra

O Inthegra, sistema de transporte público de Teresina, já mostra os primeiros resultados do aproveitamento das vias. A conclusão total do sistema, implementado há um ano e meio, está prevista para o mês de janeiro deste ano. No entanto, para Welligton Camarço, a integração dos ônibus não é suficiente. “Estamos vivendo um ajuste de um modal que é o ônibus. E a bicicleta, o metrô, o barco? Teresina tem potencial para todos estes outros modais, mas ainda estamos focando apenas em um. Não damos o devido valor aos nossos rios e a potencialidade do transporte fluvial. Temos que entender que o transporte público não é só para o pobre andar, é para todos andarem. Então, a gente percebe que é um bom primeiro passo o Inthegra, mas está longe de considerar que é uma transformação de transporte público em Teresina”, conclui.

Por: Glenda Uchôa

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