Teresina é a 2º capital com maior taxade suicídios

Em dez anos, o Piauí registrou um aumento de 221,7% nos casos de suicídio.

26/02/2011 08:26h

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Em 10 anos, o Piauí registrou um aumento de 221,7% nos casos de suicídios. É o maior índice da região Nordeste, conforme o Mapa da Violência/2011 feito pelo Ministério da Justiça. Os dados alarmantes registrados somente em Teresina engrossam o percentual do Estado. A capital piauiense é a segunda do país com a maior taxa de suicídios entre a população jovem: 14,4 suicídios para cada grupo de 100 mil habitantes.

Os dados da região Nordeste aparecem de forma preocupante, cujos suicídios passaram de 1.049 para 2.109, mais que duplicaram no período ao crescer 109%. Nessa região, três estados, Paraíba, Piauí e Sergipe, mais que triplicam seus quantitativos. Bahia, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte mais que duplicam. Teresina perde
apenas para Boa Vista no estado de Roraima que registrou 15,7 suicídios para cada 100 mil habitantes entre a população jovem de 15 a 24 anos.

Os suicídios juvenis são menos frequentes, no mundo, que os suicídios adultos. Historicamente mais comum entre os idosos, o ato vem crescendo entre pessoas de 15 a 44 anos. No Brasil e no Piauí acontece o contrário. O estudo comparou os dados com 100 países pesquisados e mostra que em 70 deles as taxas de suicídio totais são iguais ou maiores que as juvenis. Para o psiquiatra Assis Barbosa dos Santos Rocha, o suicídio se propaga como ondas, em alguns períodos. Ele afirma que a divulgação de casos "encoraja outros que passam a acreditar
que esse ato é a única alternativa". Rocha aponta ainda que 90% dos suicidas estavam com problemas emocionais.

"E, assim, o suicida que está diante de um problema acha que é um problema insolúvel, interminável e insuportável. Mas, todo problema tem solução, tem uma saída", argumenta. O psiquiatra alerta ainda que as pessoas que passam por problemas emocionais sempre dão "avisos, sinais e demonstrações de que algo não está bem". "O que acontece é que em muitos casos estes sinais, avisos, não são compreendidos pela família, pelos amigos. Mas sempre há sinais", frisa o especialista que é autor do livro "Suicídio e Família: a travessia dos sobreviventes", uma adaptação da dissertação de mestrado do médico, concluída em 2005. "Existe aquela idéia, em alguns casos, de que a pessoa está querendo apenas chamar atenção", afirma. "É preciso levá-la a sério", frisa o psiquiatra. E estender-lhe a mão. Antes que seja tarde.

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Fonte: Mayara Bastos/Jornal O DIA

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