Taxa de fecundidade entre as mulheres do Piauí cai para 3,85 filhos/mulher

Entre todas as regiões, a Norte é a única que ainda possui uma taxa superior a 2,1 filhos/mulher

17/10/2012 14:55h

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As novas publicações divulgadas nesta quarta-feira (17/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com dados do Censo Demográfico de 2010, também apresentam dados sobre a taxa de fecundidade, que corresponde ao número médio de filhos que teria uma mulher ao final do seu período fértil.

De acordo com o IBGE, a redução dos níveis de fecundidade nos últimos 50 anos foi a principal razão para a queda do ritmo de crescimento da população, que chegou a aumentar cerca de 3% ao ano na década de 1950, sendo de 1,17% na última década.

Em 1940 a taxa de fecundidade era de 6,16 filhos por mulher, enquanto em 2010 ficou em 1,9. Número abaixo do nível de reposição, que é de 2,1 filhos por mulher.

Entre todas as cinco regiões do País, a Norte era a única que, em 2010, ainda mantinha uma taxa de fecundidade acima do nível de reposição.

No Piauí, o número de filhos por mulher continua alto, embora tenha apresentado uma redução significativa entre 2000 e 2010, passando de 4,62 filhos para 3,85 filhos. Entre as mulheres piauienses a média de filhos só fica abaixo de 3 nas classes com renda de 10 salários mínimos ou mais.

Essa taxa de fecundidade, no entanto, considera toda a vida fértil das mulheres piauienses, ou seja, da menstruação até a menopausa. É o resultado da divisão do número total de filhos pelo número total de mulheres com mais de 10 anos.

Já as taxas de fecundidade divulgadas pelo IBGE são obtidas por meio de uma metodologia de cálculo específica. No Piauí, por exemplo, ela ficou em 1,97 filhos/mulher. (Veja gráfico abaixo)

Foi também a taxa de fecundidade que influenciou na mudança da estrutura etária populacional, provocando um aumento proporcional do número de idosos e diminuição do percentual de crianças.

Entre 2000 e 2010, todas as faixas etárias apresentaram declínio na taxa de fecundidade. No entanto, em 2010 essa queda foi mais expressiva entre as mulheres mais jovens, revertendo uma tendência observada nos Censos de 1991 e 2000.

Mais estudo, menos filhos

Ainda com relação à taxa de fecundidade, o Censo Demográfico de 2010 comprovou um dado que já era notório. O aumento no nível de instrução resulta numa redução da fecundidade.

De acordo com o IBGE, entre as mulheres sem instrução e com ensino fundamental incompleto, a taxa de fecundidade chega a 3 filhos por mulher. Por outro lado, entre as mulheres com ensino superior completo a taxa é de apenas 1,14 filho/mulher.

A maior taxa de fecundidade no grupo de mulheres sem instrução e fundamental incompleto foi observada na região Norte (3,67); e a menor taxa para as mulheres com ensino superior completo foi observada no Sudeste (1,10).

Outra observação interessante que pode ser feita a partir dos números divulgados pelo IBGE é que, em geral, quanto mais elevado o nível de instrução da mulher, mais ela demora para ter filhos.

Das mulheres sem instrução ou apenas com ensino fundamental, a maior contribuição da fecundidade vem das que têm entre 20 e 24 anos. Já o grupo de mulheres com ensino médio completo e superior incompleto mostra um comportamento do padrão da fecundidade mais dilatado, com boa parte das gestações se concentrando na faixa etária entre 25 a 29 anos.

Por fim, no grupo de mulheres com ensino superior completo a maior contribuição da fecundidade vem daquelas com idades entre 30 e 34 anos, que concentram 1/3 da sua fecundidade total neste grupo.

Como boa parte das mulheres em idade fértil ainda possui nível de instrução menor, o perfil de fecundidade para o conjunto da população continua apresentando uma tendência predominante de ter filhos mais cedo.

Maior poder aquisitivo também reduz fecundidade

As mulheres que em 2010 viviam em domicílio com rendimento per capita de até ¼ de salário mínimo apresentam uma fecundidade alta para os padrões recentes brasileiros, de 3,90 filhos. Já as mulheres nos quatro grupos com rendimento domiciliar per capita de mais de um salário mínimo apresentam níveis de fecundidade muito baixos (entre 1,30 e 0,97), com decréscimos da fecundidade com o aumento da renda. Essa tendência de diminuição da fecundidade com o aumento da renda pode ser observada em todas as grandes regiões.

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Por: Ccero Portela

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