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Sem repasse de R$ 500 mil, Salipi atrasa pagamento de palestrantes

Segundo a organização do Salipi, o atraso da verba do Governo do Estado já dura três meses e pode afetar a realização de novas edições do evento.

28/08/2018 17:20

O Salão do Livro do Piauí (Salipi) é a maior feira de livros do estado e já é consagrada como uma das melhores do país. O evento, que reúne anualmente os principais escritores do Brasil, recebeu este ano nomes como Márcia Tiburi, Eduardo Bueno, Chico César, Gabriel O Pensador e Luiz Ruffato. No entanto, após três meses do final do evento, os palestrantes, incluindo os nomes citados nesta reportagem, ainda não receberam os valores acordados pela organização do evento.

Salão do Livro do Piauí acontece anualmente na Universidade Federal do Piauí. (Foto: Arquivo O Dia)

O poeta e romancista Luiz Ruffato esteve presente no evento para palestrar e divulgar seu novo livro. O escritor conta que, desde o mês de junho, espera o pagamento do valor acordado pela palestra e até o momento não há previsão de quando receberá o cachê. “Não sou o único nessa situação. Eu já entrei em contato com a organização do evento para saber informações sobre o pagamento, mas até agora não obtive retorno”, destaca.

Em entrevista ao O DIA, um dos coordenadores do Salipi, o professor Kássio Gomes, informou que o atraso no pagamento dos palestrantes estaria relacionado ao não cumprimento do repasse de verba do Governo do Estado, no valor de R$ 500 mil. Além dos palestrantes, a verba também seria destinada para o pagamento da estrutura do evento, segurança, shows, cheque-livros distribuídos para estudantes da rede pública de ensino e passagens aéreas e hospedagens dos palestrantes.

O professor Kássio Gomes, informou que o atraso no pagamento dos palestrantes estaria relacionado ao não cumprimento do repasse de verba do Governo do Estado. (Foto: Arquivo O Dia)

“O Salipi não tem fins lucrativos, ele é gerenciado com recursos públicos. Infelizmente, o Governo do Estado não cumpriu com nenhum repasse relativo ao Salipi. Já é a sexta vez que o compromisso é adiado. Marcamos reuniões e eles pedem novos documentos, nós atendemos prontamente, mas continuam adiando”, afirma o professor, acrescentando que a documentação solicitada pelo Governo do Estado para concessão da verba foi entregue dois meses antes do evento.

Segundo o professor, esta é a segunda edição em que o repasse não é feito no prazo estipulado e isso estaria afetando a imagem do Salipi entre os escritores brasileiros. “Nós tivemos uma reunião decisiva. Vai ser inviável manter o Salão do Livro sem esses apoios institucionais e sem esses compromissos honrados”, revela o professor.

Por conta dos atrasos, o Salipi chegou a ser registrado no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) por uma das empresas prestadoras de serviços. “O Governo ainda pediu que esse orçamento fosse fracionado em parcelas de R$ 100 mil. Se isso acontecer, só vamos poder pagar tudo daqui a cinco meses. Nem sei como vou justificar isso para o pessoal”, lamenta. 

Outro lado

A reportagem do O DIA entrou em contato com o Governo do Estado, por meio da Coordenadoria de Comunicação Social, mas não obteve retorno até a publicação deste material. O O DIA reitera que o espaço continua aberto para quaisquer esclarecimentos sobre o ocorrido.

Por: Nathalia Amaral
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