Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook Twitter Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Rituais de Magia Negra mechem com o imaginário popular

Segundo antropóloga, as magias são divididas em três vertentes e operam como "œleis de correspondência"

15/05/2016 08:59

Em uma rápida busca na internet sobre Magia Negra, é possível encontrar diversos sites com alguns passos para realizar a prática, imagens de ritos com o uso de velas e notícias sobre o envolvimento de animais e crianças em rituais de tortura e sacrifício, na maioria das vezes com um fim trágico para ambos. Em rodas de conversa de amigos, o assunto é envolto de especulações, histórias estigmatizadas e narrativas que se confundem com filmes de suspense e de terror. 

A antropóloga Verônica Cavalcante (Foto: Elias Fontenele/ O Dia)

Os supostos casos de Magia Negra, quando descobertos e divulgados, já trazem à tona pessoas que participaram dos rituais e são encontradas em um estado de fragilidade e debilidade quase irreversível. As vítimas desses rituais, geralmente, possuem algumas particularidades possíveis de serem identificadas, como marcas e cicatrizes espalhadas pelo corpo e a cabeça raspada, por exemplo. Entretanto, estes sinais também são característicos de ritos realizados em terreiros de religiões de matrizes africanas que, não necessariamente, realizam práticas voltas para o mal. Devido a isso, uma pessoa de fora, mais afastada dessas culturas e dessas tradições, acaba por misturar tudo em um conceito só, confundir todas essas práticas e contribuir para a disseminação de opiniões e discurso equivocados a certa dos temas. 
Segundo a antropóloga e pesquisadora na área de religiosidades, Verônica Cavalcante, “nos espaços em que as práticas são voltadas exclusivamente para fazer trabalhos para o mal, em seus rituais, são incorporados espíritos desencarnados, obsessores, onde se utilizam, por vezes, bebidas como aguardente”. Desta forma, a pesquisadora afirma que existe, geralmente, um horário certo para que esses rituais aconteçam. “São cultuadas entidades durante a noite e os rituais geralmente acontecem em terreiros, barracões, mas também, e especialmente, nas matas, em cemitérios e nas encruzilhadas”, acrescenta. 
Tomando como base estudos do antropólogo inglês Sir James Frazer, a pesquisadora Verônica afirma que as magias são divididas em três vertentes e operam como “leis de correspondência”. “Em seus rituais, as leis da magia, quando aplicadas, o seu sucesso depende do domínio da tecnologia a ser empregada, da escolha dos objetos a serem manipulados, das fórmulas e da linguagem apropriada”, esclarece. Cabe ao responsável pelo ritual utilizar todas essas ferramentas para reverenciar entidades, realizar tratamentos espirituais e atrair o bem ou o mal.
Linha manipula energias contra evolução do ser humano 
As práticas que seguem a linha dita “negra”, segundo Inácio*, possuem energias manipuladas contra a evolução do ser humano e, quando é utilizada contra outra pessoa, esta prática também traz o mal para o seu praticante. A fonte, que quer ter sua identidade preservada, afirma que é um buscador e, ao longo da vida, aprendeu o que é o bem, vivenciando o que é o mal. Ele conta que, há alguns anos, estudou e praticou magia negra e que, na interpretação dele na época, não era algo ruim. 
Inácio afirma que as pessoas que praticam esse tipo de ritual devem ser condenadas, mas mesmo assim, na cabeça dessa pessoa, não existe um conceito definido do que é o bem e, por isso, ela acredita não estar praticando o mal. “Isso passa também pelo processo de cultura, de aprendizado e de conhecimento. O que é mal para você, pode ser considerado bom para mim”, destaca. Inácio acrescenta que a existência de um ‘lado negro’ exige também um ‘lado branco’ e ambos existem para equilibrar o Universo. 
Para ele, o conceito de magia negra está associado à busca de algo diferente do que é normal, com a finalidade de atingir o outro de modo ruim. E para isso, podem ser realizados rituais de banhos, de ingestão de líquidos, pontos riscados no chão e até o próprio pensamento. “Você pode sim fazer um ritual onde você invoca uma entidade pesada, e essa entidade é como se estivesse fazendo um jogo de troca. Ela recebe algo em troca e daí vai fazer aquilo que você deseja, que pode ser o mal. Então, ela fica buscando naquela pessoa que você enviou [e deseja o mal], um momento em que ele possa fazer aquilo que você pediu”, esclarece Inácio. 
Mas é preciso ter cuidado. Entrar no mundo das vibrações negativas para tentar adquirir algum benefício próprio, ou o mal de outra pessoa, pode acabar fazendo com que esse mal volte para quem desejou que ele seguisse para outro destino.
A reportagem completa você encontra no Jornal O Dia de hoje (15).
Edição: Virgiane Passos
Por: Aldenora Cavalcante (Jornal O Dia)
Mais sobre: