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Regime sem acompanhamento traz riscos à saúde

Piauiense morreu esta semana após ter tido uma crise de hipoglicemia por estar fazendo uma dieta restrita e sem se alimentar direito.

17/10/2019 07:01h

A morte de Ravena Raiane Macedo Leal, filha do ex-prefeito do município de Padre Marcos, José de Fátima Araújo Leal, o Zé Melado, que veio a óbito na última segunda-feira (14) após ter tido uma crise de hipoglicemia por estar fazendo uma dieta restrita e sem se alimentar direito, deixa um importante alerta. Ela chegou a desmaiar e foi levada para o Hospital Florisa Silva, em Jaicós e depois foi transferida para o Hospital Justino Luz, em Picos. No entanto, no meio do trajeto, ela não resistiu e faleceu após sofrer uma parada cardíaca.


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O fato chama atenção e alerta para as dietas e regimes restritos, que podem causar sérios problemas de saúde. Segundo a nutricionista Vanessa Passos, um paciente, que tem uma doença preexistente ou congênita, precisa de muito mais acompanhamento da área de saúde na hora de fazer uma dieta restrita. Ela explica que uma dieta conduzida sem orientação, especialmente se for muito restrita em nutrientes, pode levar a óbito.

“A dieta em si não leva o paciente a óbito, mas uma dieta restrita provoca diversos fatores indesejáveis e fragiliza a saúde do paciente. Os perigos mais aparentes e evidentes de quem faz uma dieta sem acompanhamento de um profissional são as deficiências nutricionais, pois como não é adaptada para aquela pessoa, vai faltar algum nutriente, especialmente os micronutrientes, e o desenvolvimento de alguns distúrbios alimentares. O tempo que a dieta é realizada e o tipo de método que vai ser utilizado também influenciam nesses problemas”, comenta. 


A nutricionista Vanessa Passos explica os perigos de fazer dietas sem orientação profissional - Foto: Arquivo Pessoal

Vanessa Passos lembra ainda que alguns métodos apresentam efeitos físicos, no qual causa a perda de peso, que geralmente é o que as pessoas mais buscam. Mas, isso gera um alto custo para o corpo, como muitas deficiências nutricionais, além de prejuízos estéticos, como o ‘efeito sanfona’.

“Hoje a nutrição está mais voltada para a reeducação alimentar, que seria a mudança da alimentação para algo mais duradouro, e a ideia é que isso seja levado para o resto da vida. Existem casos que a dieta precisa ser aplicada quando a pessoa tem obesidade elevada ou mórbida, ou problemas de saúde, como excesso de gordura, mas a intervenção é momentânea”, disse.

A nutricionista enfatiza que existem situações em que o jejum é bem-vindo, mas cada caso deve ser avaliado pelo profissional. Contudo, em geral, o jejum prolongado não traz benefícios ao paciente, pois o corpo passa a ter um metabolismo lento, armazenando os nutrientes que forem ingeridos se preparando para o período de jejum.

“As mudanças alimentares exigem acompanhamento multiprofissional, por isso, é recomendado buscar um especialista da área. O nutricionista é o profissional mais indicado para fazer o cálculo específico para a rotina e metabolismo de cada paciente, avaliando o quadro clínico. Mas também é importante buscar outros profissionais, como um educador físico, endocrinologista, nutrólogo, psiquiatras, psicólogos, que criam a base para que o paciente consiga estabelecer uma mudança efetiva e tenha resultados a longo prazo”, pontua.

Sobre a prática de atividade física, a nutricionista Vanessa Passos acrescenta que é fundamental não estar em jejum. “Você precisa se alimentar antes de qualquer atividade física, pois o esforço demanda energia e para produzir o suficiente você vai precisar de uma base de nutrientes. O gasto metabólico se mantém, estabilizando o corpo e potencializando a perda de gordura”, conclui.

Por: Isabela Lopes, do Jornal O Dia

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