Redes sociais têm provocado conflitos nas relações interpessoais

A internet parece ter provocado uma desumanização dos usuários que estão cada vez menos preocupados com o conteúdo que publicam.

24/08/2014 08:54h

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Nos últimos dez anos, a maneira de se relacionar via internet mudou. A revolução começou nos países mais ricos e logo chegou ao continente asiático e ao americano. Índia e Brasil são alguns dos países com mais usuários em redes sociais. Acompanhar o volume de conteúdo produzido e ou compartilhado diariamente é uma tarefa cansativa. Mas, observar que tipos de relações são construídas ou derrubadas nesses espaços virtuais e sociais tem sido uma das tarefas de sociólogos, antropólogos e psicólogos. 

O mercado também tem a sua parcela de contribuição para o Brasil e o Piauí cada vez mais online. Uma pesquisa divulgada pela International Data Corporation (IDC) revelou que apenas no terceiro trimestre de 2013 foram vendidos, pelo menos, 10,4 milhões de smartphones no Brasil. O número representa um aumento de 19% quando comparado ao segundo trimestre do mesmo ano e um crescimento de 147% em relação ao mesmo período de 2012. 

Com preços cada vez menores e aparelhos que se modernizam em menos tempo, os smartphones atraíram mais consumidores. Desde o terceiro trimestre de 2012, as vendas dos aparelhos mais básicos caíram após a chegada dos smartphones. Em 2012, de acordo com a pesquisa, os smartphones representavam apenas 27,5% do total de vendas de aparelhos no país. Em 2013, os dispositivos inteligentes foram responsáveis por mais de 58% do total de vendas. 

Outro dado que merece destaque na pesquisa feita pela International Data Corporation (IDC) mostra que o número de pessoas que acessam a internet através de dispositivos móveis cresceu, principalmente, entre os adolescentes. Um estudo feito em setembro de 2013, pela Mobile Marketing Association em parceria com o Ibope Nielsen Online, apontou que cerca de 38% do público entre os 10 e 17 anos utilizam o smartphone como o principal meio de acesso à internet. O índice foi o maior entre todas as faixas etárias pesquisadas. 

Com a tecnologia e o acesso a internet disponíveis fica fácil compartilhar conteúdo dividir e divergir sobre vários assuntos. É nesse campo, do conteúdo, onde as interações virtuais e sociais merecem uma atenção. Os usuários da internet afirmam, algumas vezes, se sentirem em um tribunal, onde seus pensamentos, materializados em curtidas e compartilhamentos, podem ser combustível para uma longa e desgastante discussão com direito a plateia mundial. 

Clarisse Martins e suas amigas tem um grupo de conversas na rede social Facebook. As amigas que moram em estados diferentes se conheceram pela internet. Mães de primeira viagem, no grupo, dividem dicas e histórias dos seus filhos. Tudo seguia normal até que um comentário resultou na saída de uma das integrantes do grupo. 

Para Clarisse Martins, criadora do grupo no Facebook, a internet se tornou um meio de comunicação complicado. “São vários tipos de leitores. Muitos não compreendem, ou não entendem, a real intenção, o sentido do que é dito e ou escrito. Muitas vezes, eu deixo de comentar alguma coisa pra evitar atritos, até mesmo por achar que o que eu tenho a dizer sobre determinado assunto poderá causar isso. Mas enquanto eu evito, vejo praticamente todos os dias esse tipo de situação. Principalmente no Facebook, onde mais acesso”, avalia a dona de casa. 

Sobre o conflito no grupo online, Clarisse Martins recorda-se com tristeza. Tudo começou quando uma das participantes do grupo engravidou e postou a notícia para as companheiras. “Todas nós ficamos felizes, até que ela deu uma sumida. Nos falávamos diariamente e, por problemas pessoais, ela se ausentou do grupo. As demais companheiras começaram a desconfiar que ela estivesse grávida, achei injusto a maneira como ela era encurralada de questionamentos. Cobravam a ultrassom, pressionavam, pediam fotos da barriga crescendo. Se ela dizia a data dos exames, no dia seguinte era cobrada no grupo. Eu me sentia mal em ver aquilo e só assistia”, conta. 

Cansada de ser questionada, Clarisse Martins recorda que a companheira de grupo postou um desabafo. “Pois até ligar para o marido e para mãe dela, ligaram. Para saber, se de fato, era verdade a gravidez. Nosso grupo era bem unido, até aí. Depois disso, esfriou. É difícil postarmos algo lá. Pelo menos eu, perdi a graça e a grávida saiu do grupo. As principais personagens da briga eram bem amigas. Porque a gente tinha o grupo, mas também tínhamos aquelas com as quais gostávamos de conversar no bate papo. Tudo isso resultou no fim da amizade, da confiança. Há uns dois meses, a amiga que duvidou da gravidez me procurou para saber como estava a outra, se já tinha tido o bebê. Dizendo que se arrependeu, se era possível uma reaproximação, que reconheceu seus erros. Mas a grávida não quer reatar a amizade, ficou magoada e se sentiu injustiçada”, relata Clarisse Martins.

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Por: Andressa Figueredo - Jornal O Dia

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