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Professora faz da profissão ferramenta de militância para mães de autistas

Através de rodas de conversas, criadas a partir de um projeto de extensão do curso de Fisioterapia da Uespi, profissionais da saúde se mobilizam para distribuir conhecimento a respeito do autismo para familiares e cuidadores de pessoas com TEA.

11/05/2019 10:20h

Não é que as mães de autistas sejam mais mães que as outras, mas como lembra Michele Vicente Torres, professora da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), ao ter um filho considerado diferente dos demais, abre-se uma possibilidade de enxergá-lo de uma forma ainda mais próxima. 

“Só quem passa por todas as dificuldades de inclusão, escolar e social, sabe como é importante militar por essa causa, porque saímos dela mais fortes, mais disposta a vencer desafios”, destaca. E foi o que Michele fez ao descobrir que poderia mobilizar ações, como mãe e professora, em prol não apenas de sua filha, diagnosticada com autismo com quase três anos, mas por centenas de mães e crianças com a mesma condição.

Através de rodas de conversas, criadas a partir de um projeto de extensão do curso de Fisioterapia da Uespi, profissionais da saúde se mobilizam para distribuir conhecimento a respeito do autismo para familiares e cuidadores de pessoas com TEA. Toda primeira quarta-feira do mês, desde 2016, a AMA recebe o projeto, que serve para tirar dúvidas e ampliar o arco de conhecimento dos presentes. No local, o Núcleo de Terapias Comportamentais cede profissionais da área da psicologia, psicopedagogia, terapia ocupacional, musicoterapia, entre outros, para que as famílias tenham acesso ao maior número de conhecimento.


Michele Vicente Torres e Christiane Lopes disseminam conhecimento sobre o autismo com as famílias - Foto: Elias Fontinele/O Dia

“A mãe do autista, assim como qualquer cuidador de pessoa com deficiência, na maioria das vezes, infelizmente, é uma pessoa solitária no seu caminhar, principalmente quando há uma família que não aceita o diagnóstico do seu filho. No entanto, existem muitas pessoas dispostas a dar as mãos para essas mães, assim como ONGs, projetos como esses e grupos terapêuticos, estão aí para favorecer esse amparo; às vezes, poucos conhecidos por falta de divulgação”, destaca Michele.

Mesmo da área da saúde, ao receber o diagnóstico da filha, a professora diz que se viu ter de se reinventar como mãe. Ao fomentar o projeto, ela também reforça seu lugar de fortalecimento e caminhada no processo de cuidados de uma filha autista.

“Mesmo nós que trabalhamos com afeto, quando você tem um filho, você é afetado pelo autismo também. Algumas coisas você fica blindado pela emoção, então é a informação que equilibra, que estabiliza e a pessoa se torna mais racional para entender o que aconteceu e como enfrentar os obstáculos. Depois, você percebe que a deficiência do seu filho é só mais um obstáculo da vida, que tem tantos outros muito piores, que tanto você quanto ele terão de enfrentar. Seu filho é oportunidade de você se revistar como mãe”, conclui.


Foto: Elias Fontinele/O Dia

Profissionais engajados

Além da roda de conversa, a professora Michele também conta com a parceria de outros projetos, como a da também fisioterapeuta Christiane Lopes, que coordenada o projeto Integrando Amor, voltado a possibilitar um olhar especial aos cuidadores de pessoas autistas. 

“Percebemos que sempre pensávamos nos cuidados dessa criança, mas não dos cuidadores. E essas pessoas, que geralmente são mães, passam por muitos momentos de estresse, falta de sono, então, através das terapias integrativas, ofertamos momentos de relaxamento para elas, para que o cuidado de si possa também se refletir no cuidado das crianças autistas”, finaliza.

AMA: diferenças são acolhidas

A Associação de Amigos dos Autistas do Piauí (AMA-PI) surgiu da necessidade dos pais em encontrar apoio e suporte técnico para educação e tratamento de seus filhos autistas. Fundada em 29 de janeiro de 2000, por pais e amigos dos autistas, a busca sempre foi para enfrentar a desinformação diante do quadro de autismo. Atualmente, são 150 pessoas autistas atendidas pela instituição.

“Temos que entender que todos somos diferentes, o autismo é só mais uma diferença, por que não respeitarmos? Precisamos de inclusão e de uma sociedade mais aberta a ela. Hoje, tentamos cumprir esta missão aqui na AMA”, destaca Luciana Luz, diretora pedagógica da Associação.


Luciana Luz destaca os atendimentos realizados na AMA

No local, são realizados atendimento educacional especializado; acompanhamento e orientação para as famílias (assistente social, pedagogos, psicólogos e etc); além de produção e difusão de conhecimentos referentes ao autismo por meio de palestras, jornada, cursos, oficinas e apoio de pesquisas realizadas na instituição por estudantes das áreas afins da sociedade civil.

Por: Glenda Uchôa - Jornal O Dia

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