• Natal
  • Policlinica
  • Motociclista
  • SOS Unimed
  • Novo app Jornal O Dia

Preço do quilo da carne aumenta quase R$ 10 em 15 dias

Consumidores e comerciantes do segmento de alimentação sofrem com o reajuste, que está apertando ainda mais o orçamento familiar.

03/12/2019 07:17h

Nos últimos dias, consumidores e comerciantes estão sentindo o aumento considerável no preço das carnes. Isto é um reflexo do valor da arroba do boi e a situação não deve mudar tão cedo. O aumento tem uma explicação: o aumento da compra de carnes brasileiras pela China, que cresceu 110% entre setembro e outubro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a associação que representa os frigoríficos (Abrafrigo).


Leia também: China: consumo eleva preço e deve fazer da carne artigo de luxo no Brasil 


Os consumidores já sentem no bolso esse aumento, como a comerciante Domingas do Nascimento, que trabalha há 60 anos no Mercado da Piçarra. Ela é proprietária de um quiosque no mercado e vende pratos-feitos (PF) diariamente. Apesar do preço das carnes ter aumentado, ela diz que não pode compensar subindo o preço da refeição.

“Se antes o quilo da carne era R$ 17, hoje eu compro por R$ 25. Para mim que trabalho com carne todos os dias, no final das contas não está compensando muito, mas infelizmente preciso comprar, senão não tenho o que vender. E também não dá para subir o preço do PF, que hoje eu vendo a R$ 12, mas se eu fosse aplicar o aumento, iria para R$ 15. Quem tem esse dinheiro para dar em uma comida?”, questiona a permissionária. 


Domingas teme que se repassar aumento, clientes não comprarão mais seu PF - Foto: Assis Fernandes/O Dia

O comerciante Francisco da Silva trabalha vendendo carne de porco no Mercado da Piçarra. Para ele, o preço poderia ser mantido estável se os produtores desejassem. “Quem tem produção aumenta o preço do quilo do porco, mas porque ele quer lucrar. Ou seja, ele vende 60 animais e lucra em 40 porque ele superfatura o valor”, comenta.

Lei da oferta e da procura

A economista Teresinha Ferreira reforça que o aumento dos preços das carnes está diretamente relacionado como o mercado de exportação desse produto, que cresceu, e pelo fato do mercado interno não ter reservas e não está preparado, então acabou sofrendo com o reajuste.

“Isso está relacionado com a lei da oferta e da demanda. Se as pessoas estão consumindo mais um produto, então os preços aumentam. O que está acontecendo hoje é que vários contratos no mercado internacional estão sendo fechados, ou seja, se a oferta permanece a mesma e uma boa parte desse produto está indo para o mercado internacional, é óbvio que o mercado interno vai sofrer”, frisa.


Preço do quilo da carne aumenta quase R$ 10 em 15 dias - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Teresinha Ferreira salienta que o aumento do preço da carne de gado acaba por capitanear o preço das outras carnes, vez que as pessoas passam a não comprar carne de gado, já que está muito caro e consomem outras proteínas, como carne de porco ou de criação.

“A tendência é aumentar o preço daqui para frente porque a oferta não aumentou. A demanda cresceu e a oferta continua do jeito que estava. O mercado de carne de gado está impulsionando a elevação de preços no mercado de carnes como um todo. A política não é importar, mas sim exportar, ou seja, para o governo está sendo mais importante a entrada de dólares no país do que abastecer o mercado interno”, reforça.

A especialista ainda salienta que quem sofre com esse aumento é o consumidor, que precisa substituir os produtos por algo mais em conta. “A receita não aumentou, mas o preço da cesta básica, incluindo as carnes, sim. Então, cabe aos consumidores substituírem as carnes por outros alimentos, como ovo, sardinha ou até comer menos carne, substituindo por verduras e legumes”, finaliza Teresinha Ferreira.

Por: Isabela Lopes, do Jornal O Dia

Deixe seu comentário