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Piauí tem quase sete municípios para uma sala de cinema

A democratização do cinema passa por diversos vieses, como econômico, distância e/ou conhecimento.

05/11/2019 06:51h

Com o tema “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicada no domingo (3), abriu uma discussão sobre a ampliação do acesso a esta arte, especialmente no Piauí. Nos 224 municípios, apenas quatro: Teresina (19), Floriano (04), Picos (07) e Parnaíba (04) possuem salas de cinema, totalizando 34 salas. Isso significa uma sala de cinema para quase sete municípios.


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A democratização do cinema passa por diversos vieses, seja econômico, distância e/ou conhecimento. Segundo o realizador audiovisual Thiago Furtado, muitas pessoas não têm acesso ao cinema por não possuírem condições financeiras de adquirir um ingresso; outras residem em cidades onde não existem salas de exibição e há ainda quem não frequente por não conseguir interpretar o que está sendo apresentado. 

“Democratizar passa pela acessibilidade. Quem são as pessoas que vão ao cinema? Como essa pessoa vai? Ela usa ônibus? Metrô? Ela tem condições de comprar um ingresso sem pesar no orçamento? Entende o que está sendo falado? Tem dificuldade física ou que a limite de alguma forma? Esse local tem rampa? Libras na tela? Isso ajudaria na democratização. Alguns lugares têm, mas ainda estamos caminhando”, comenta.

Thiago Furtado afirma ainda que democratizar não significa necessariamente somente ir ao cinema ou oferecer ingressos a preços mais acessíveis. Também está relacionado com a disseminação dessa arte e cultura, como ela é ensinada, repassada e entendida pelo público. 

“Para democratizar, a cultura do cinema deveria ser uma coisa entendida, ensinada, deveria ter sido passada como sendo importante. A gente que trabalha com cinema independente tem essa tentativa de democratizar, mas essa democratização não existe em vários aspectos do nosso país. O cinema, como uma questão cultural, também não é democratizado, até porque este ano tivemos cortes dos incentivos para se fazer cinema e as pessoas estão voltando a fazer cinema de guerrilha, de resistência contra o atual governo, com orçamento menor. É um cenário bem pessimista, mas é a realidade”, avalia.

Ainda de acordo com o realizador audiovisual, o esforço para popularizar o cinema ainda é muito árduo, especialmente por faltar incentivos do governo. “Os filmes que vão para as telonas são americanos, não temos uma cota de filmes brasileiros para mostrar que também temos condições de fazer filmes. Eu, por exemplo, tenho um coletivo de cinema, o VCD, onde pegamos pessoas que não são profissionais e nos unimos para trabalharmos juntos e fazermos filmes. Dessa forma, já conseguimos 16 filmes nacionais, quase 30 festivais nacionais e tivemos um filme que foi exibido no Brasil inteiro, no Nordeste no Circuito Nacional da Mostra Sesc, que foi o Galeria Rua”, frisa.

Por: Isabela Lopes, do Jornal O Dia

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