Piauí tem mais de 160 mil condutores com problemas de visão, aponta pesquisa

O número equivale a 28% dos 582.078 motoristas habilitados do Estado. Dentre os problemas de vista mais frequentes aparecem necessidade de lentes corretivas e visão monocular.

02/03/2021 12:20h - Atualizado em 02/03/2021 12:35h

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Pelo menos 161.700 condutores piauiense possuem problemas de visão notificados em suas Carteiras de Habilitação e necessitam de óculos ou lentes de contato para poderem operar veículos automotores. É o que aponta uma pesquisa organizada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia com base em dados oficiais do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). O número equivale a 28% dos 582.078 motoristas habilitados do Estado. 


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De acordo com o levantamento, é na Região Nordeste onde se concentra o maior número de Carteiras de Habilitação com indicação de condutor com algum tipo de restrição de visual. Essa quantidade é mais expressiva no Rio Grande do Norte, onde 38% dos habilitados possuem algum problema de visão. Na Paraíba, as anotações de restrição visual atingem 35% dos condutores do estado. 


Foto: Jailson Soares/O Dia

Na sequência, aparecem Ceará e Alagoas, ambos com 30%. O estado com menor proporção de condutores com problemas na vista é o Maranhão: 23%. Em números absolutos, a Bahia é o estado que habilitou o maior contingente de motoristas com problemas visuais, com mais de 851 mil pessoas. Em segundo e terceiro lugares estão, respectivamente, Ceará, com 648 mil condutores; e Pernambuco, com 628 mil. Sergipe tem o menor número de condutores com restrição: pouco mais de 131 mil.


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A pesquisa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia aponta ainda que entre 2014 e 2020, houve um aumento proporcional no número de condutores com dificuldades de enxergar. No Piauí, esse acréscimo foi de 59%. Em 2014, haviam 101.882 condutores com restrição visual habilitados no Estado. Em 2020, esse número era de 161.700. No Maranhão e em Alagoas estão os maiores índices de aumento: 60%. No Estado vizinho ao Piauí, por exemplo, o total de condutores com problemas visuais saltou de 128.210 em 2014 para 205.133 em 2020.

A pesquisa também aponta quais os tipos de restrição visual mais frequentes nos motoristas da região Nordeste: em primeiro lugar, aparece a necessidade do uso de lentes corretivas, com mais de 3,3 milhões de condutores que não podem pilotar ou dirigir sem usar óculos ou lentes de contato. Em segundo lugar, com mais de 26 mil restrições, aparece a visão monocular. E com 12 mil casos, em terceiro lugar figura os motoristas impedidos de dirigir após o pôr-do-sol. 


Foto: Assis Fernandes/O Dia

Cuidados com a visão trazem mais segurança para o trânsito

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia destaca a importância de se ter cuidados com a saúde dos olhos e do acompanhamento com especialistas para se tomar as medidas necessárias para corrigir possíveis deficiências de visão que o condutor possa ter. “São cuidados que devem ser tomados mesmo depois de conquistada a CNH. Distorções podem surgir ao longo do tempo e se não forem diagnosticadas e tratadas, podem inserir um elemento de risco”, frisa o presidente do Conselho, José Beniz Neto.

Segundo ele, problemas como miopia, astigmatismo e hipermetropia estão no topo da lista de distúrbios mais prevalentes entre os motoristas. Além disso, doenças como catarata, glaucoma e retinopatia diabética podem acusar um déficit visual no momento do exame, sendo posteriormente diagnosticadas nas consultas.

É importante lembrar que não portar as lentes corretivas indicadas na CNH durante a condução de veículo automotor é considerada infração gravíssima que culmina em multa e acúmulo de sete pontos na carteira. “O Brasil é um dos países com maior índice de acidentes e mortes no trânsito. Certamente, muito disso está relacionado à imprudência ao volante e à negligência com a própria saúde. A população deve estar ciente de sua responsabilidade e contar com o suporte dos médicos oftalmologistas. Isso é importante para prevenir acidentes e diminuir o número de vítimas do tráfego brasileiro, inclusive, salvando milhares de vidas”, conclui José Beniz Neto.

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