Piauí registrou 16 mortes de pessoas LGBT em 2018

Pesquisa mostra que Estado é o mais violento do Nordeste com a população LGBT.

15/07/2019 07:17h

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No Piauí, somente em 2018, foram registradas 16 mortes de pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros). No Brasil, de janeiro a maio deste ano foram registradas 141 mortes de homossexuais, o que representa uma morte a cada 23 horas. Em 2018, no mesmo período, foram registradas 153 mortes. Em 2017, 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram mortos em crimes motivados por homofobia. Os dados são do relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), divulgados este ano. 

O site Spartacus divulgou o ranking 2019 de Países seguros para a comunidade LGBT e apontou que, sob o governo de Jair Bolsonaro, o Brasil se tornou um País menos seguro para essa população, despencando 13 posições, saindo do 55º lugar (2018) para 68º posição (2019). Em 2010, sob o governo de Dilma Rousseff, o Brasil chegou a ser o número 19 da lista. 

O Brasil é considerado um dos Países que mais mata homossexuais no mundo; já o Piauí está na 7ª posição dos estados do Nordeste que cometem este crime e lidera a lista como o mais violento. Para ajudar a combater este tipo de prática, o Conselho Municipal de Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CMLGBT) abriu inscrições para o curso de autodefesa para a população LGBT. 


Anderson ressalta a importância do curso de autodefesa para os que se sentem ameaçados  - Foto: Assis Fernandes/O Dia

O curso é em parceria com a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) e com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) e irá oferecer 90 vagas nas modalidades de capoeira, judô e karatê. As inscrições acontecem de 15 a 19 de julho, de forma presencial, na sede do Sejanus, localizada ao lado da Prefeitura de Teresina, no 3º andar. “O curso vem dando cumprimento ao plano municipal de LGBT, onde existem ações especificas para essa população tendo em vista o alto índice de violência na capital contra a população LGBT. Fizemos pesquisas, levantamentos e vimos a necessidade de oferecer esse curso, pois a demanda é grande. Essa população sofre violência 24 horas por dia, seja dentro de casa, na rua e em outros locais que ela vá”, comenta Anderson Afelí, presidente do CMLGBT. 

Anderson enfatiza que o foco do curso não é armar nem treinar, mas oferecer formas de combater a LGBTfobia. O curso de autodefesa é específico para LGBT, mas tendo em vista a grande procura de mulheres héteros que também passam por essas condições de ameaça e vulnerabilidade, as vagas também serão disponibilizadas para este público. 

“As mulheres também sofrem violências, são assediadas, e vimos uma procura muito grande dessa categoria. Os cursos serão aos finais de semana e os horários serão repassados de acordo com cada professor e modalidade e acontecem no Complexo Esportivo Sara Menezes. São 90 pessoas divididas em turmas de 30 pessoas. Lembrando que não iremos formas atletas nessas modalidades, mas sim oferecer técnicas de defesa pessoal dentro de cada especialidade

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Por: Isabela Lopes - Jornal O Dia

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