Piauí lamenta dez anos sem Francisca Trindade

Deputada federal do PT morreu de AVC, no auge de sua carreira política e início da gestão petista

27/07/2013 08:44h

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A deputada federal Francisca Trindade discursava para uma plateia de pescadores quando desmaiou. Amparada por um segurança, foi levada em seu próprio carro para um hospital particular de Teresina e, horas mais tarde, transferida para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde faleceu.

A cena da parlamentar tombando desacordada e as notícias que se seguiram a ela estão marcadas na história e na memória dos piauienses. Há 10 anos. No dia 27 de julho de 2003, aos 37 anos, a deputada mais votada da história do Piauí até então falecia vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Sua morte cerebral fora constatada no dia anterior, após uma bateria de exames.

Com 165 mil votos, Trindade garantira uma vaga no parlamento federal pela primeira vez. Carregava no currículo passagens pela Câmara de Teresina e pela Assembleia Legislativa. Em Brasília há seis meses, estava cheia de planos. Morrer, claro, não era um deles.

Sua última entrevista foi concedida a O DIA em uma quinta-feira, dia 24 de julho, um dia antes do fatídico AVC. Forte nas suas posições, Trindade reclamou dos aliados, que “pediam cargos, mas criticavam o governo”. E cobrou uma relação de “sinceridade e reciprocidade” entre os partidos da base de sustentação dos governos Lula e Wellington Dias, recém-empossados presidente da República e governador do Piauí, respectivamente.

“Eu só acredito em política assim. Se isso não é regra da política, pois eu quebrei as regras, porque não sei fazer política enganando, mentindo, nem fazendo conchavos desonestos”, disse na redação de O DIA.

Com a meta de estar “entre as mais atuantes” deputadas do Brasil, defendeu a revitalização do centro de Teresina, a construção de um shopping para os camelôs da cidade e a necessidade de melhorar o trânsito da capital. Na mesma entrevista, se posicionou contra a possibilidade de privatização do Banco do Estado do Piauí (BEP), criticou os credores estrangeiros – “Que tentam ditar regras na nossa economia”, explicou – e falou da questão fundiária.

Nacionalmente, alguns deputados defendiam a criação de uma CPI da Grilagem. Para Francisca Trindade, os trabalhos poderiam, inclusive, começar pelo Piauí. “O Piauí, com certeza, seria um dos estados que serviria como exemplo para justificar a instalação da CPI da Grilagem”, afirmou.

Mas nenhum desses planos e ideias chegaram a ser defendidos ou concretizados pela deputada. Trindade faleceu cedo demais.

O que pensaria do trabalho feito nesses 10 anos por seus companheiros? Estaria orgulhosa? Decepcionada? Impossível prever. A única certeza é que sua atuação política permanece gravada na memória dos piauienses. 

Homenagem

A Câmara de Teresina realiza no próximo dia 2 de agosto, às 11h, uma sessão solene em memória aos 10 anos de falecimento da parlamentar. A homenagem foi proposta pela bancada do Partido dos Trabalhadores, composta pelos vereadoresDudu (viúvo de Trindade), Rosário Bezerra e Gilberto Paixão.

Ao longo desses 10 anos, a política piauiense recebeu outras homenagens. Ganhou estátua em tamanho real na Praça da Liberdade, centro de Teresina, e uma escola e um conjunto habitacional foram batizados com o seu nome.

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Por: Rômulo Maia

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