Piauí ficou dois graus mais quente nos últimos 50 anos

Gráficos do INMET apontam que as temperaturas no Estado estão aumentando ano a ano no B-R-O-Bró. Cidades do Sul têm anomalias meteorológicas.

16/07/2020 08:15h - Atualizado em 16/07/2020 08:28h

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O Piauí tem ficado mais quente à medida que os anos passam. É isso o que apontam as análises comparativas das Normais Climatológicas de temperatura do ar estabelecidas pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) entre os períodos de 1961 a 1990, e de 1981 a 2010. As temperaturas máximas, segundo os gráficos, subiram de meio grau a até quase dois graus a mais nos últimos 50 anos no Estado.

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A situação mais crítica se localiza na região de Floriano e Picos, onde as estações climatológicas registraram um aumento das temperaturas máximas de quase dois graus. Para se ter uma ideia, entre 1961 e 199, em Picos, a máxima ficava na casa dos 35 graus. De 1981 a 2010, esta média ficou em torno dos 37,5.

O INMET reuniu ainda dados das estações de Bom Jesus, Parnaíba e Teresina. O gráfico comparativo das temperaturas máximas registradas pela Estação de Bom Jesus aponta que no B-R-O-Bró, o período mais quente do ano no Piauí, a temperatura máxima entre 1961 e 1990 naquela região geralmente ficava na casa dos 35,5 graus. Entre 1981 e 2010, essa máxima já passava um pouco dos 36 graus, ou seja, o aumento foi de pouco mais de meio grau em 50 anos.

O mesmo padrão de observa em Floriano, onde a estação automática detectava temperaturas máximas em torno de 36 graus no período de 1961-1990 e chegou a apontar 37,5 graus no período de 1981-2010. A diferença foi de pouco mais de um grau nos meses de agosto a outubro.

Também chama a atenção a situação de Parnaíba, cuja estação meteorológica atestou que as médias de temperaturas máximas subiram de 32 graus nos meses mais quentes do ano entre 1961 e 1990 para quase 34 graus no período de 1981 a 2010. A diferença foi de quase dois graus a mais.

Temperatura em Teresina subiu um grau no começo do século.

A situação na capital, Teresina, também não é tão diferente: os gráficos do INMET apontam que de 1961 a 1990, nos meses mais quentes do ano, as temperaturas máximas giravam em torno dos 36,5 graus. De 1981 a 2010, esse valor subiu para quase 37,5, ou seja, o aumento de temperatura de Teresina ao longo dos últimos 50 anos foi de cerca de um grau. O tempo seco contribui para que esses aumentos de temperatura na capital se tornem ainda mais nocivos e incômodos à população com a sensação térmica beirando os 40 graus.

Picos apresenta a maior elevação da temperatura máxima na série histórica

A despeito de Floriano, Parnaíba, Bom Jesus e Teresina terem apresentado um aumento de suas temperaturas máximas entre meio e dois graus nos últimos 50 anos, é em Picos que se registra a situação mais crítica. De acordo com o INMET, no mês de outubro entre os anos 1961 e 1990, a cidade possuía uma temperatura máxima na casa dos 35 graus. No início do milênio, ou seja, de 1981 a 2010, essa média subiu para pouco mais de 37 graus. Ou seja, Picos aumentou em quase dois graus sua temperatura máxima ao longo dos últimos 50 anos.

Anomalias meteorológicas: cidades piauienses apresentam baixas temperaturas no Sul

Apesar de o Estado do Piauí como um todo vir apresentando um aumento de suas temperaturas máximas registradas ao longo dos últimos anos e estar ficando cada vez mais quente, cidades do Sul piauiense vêm apresentado um comportamento que segue nessa contramão. De acordo com o mapa de anomalias de temperatura, nos 14 primeiros dias de julho, a faixa do extremo Sul do Piauí registrou baixas temperaturas. As variações das mínimas chegavam à casa os 12 graus durante a noite e a madrugada em alguns municípios e a sensação térmica chegava a ser menor do que isso.

De acordo com o climatologista Werton Costa, estas médias de temperaturas são razoáveis e até naturais para este período. “A questão da perda radioativa é muito acentuada nas áreas mais distantes do litoral e a condição invernal do Sul acaba interferindo indiretamente com ação de algumas massas frias que tem penetrabilidade pela Bahia”, explica o climatologista.

Ainda segundo Werton, no dia de ontem (15), Teresina exibiu no céu nuvens fibrosas de grande altitude e congeladas, as chamadas nuvens cirrus.

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Por: Maria Clara Estrêla

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