Piauí está entre os cinco melhores centros de capoeira do Brasil

O mestre Brucutu, de Brasília (DF), veio ao Estado ministrar aulas, disseminar e estimular a prática dessa arte nos municípios

03/05/2014 17:14h

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“A gente transforma a sociedade por meio dessa ferramenta, e ela é poderosíssima. A capoeira não é uma coisa só, ela é uma arte que engloba várias artes”. Há mais de duas décadas praticando capoeira, Sérgio Luis dos Santos Lima, ou mestre Brucutu, leva os ensinamentos dessa expressão cultural a milhares de pessoas em diversos lugares do Mundo. O Piauí recebeu esse experiente capoeirista vindo de Brasília (DF), que busca em suas andanças, disseminar e estimular a prática dessa arte.

Segundo o mestre, o Piauí está entre os cinco maiores centros de capoeira do Brasil. Ele ressalta que o Estado apresenta qualidade superior a muitas federações. “Muita gente tem interesse e ela está bem difundida, e melhor, a qualidade é impressionante, e eu sempre soube disso. A gente acha que a Bahia é o lugar de melhor qualidade e a maior técnica o Rio de janeiro, mas aqui é famoso por agregar um pouco dos dois, tanto luta quanto técnica”, contou Brucutu.

Fotos: Elias Fontenele

Uma das cidades piauienses que recebeu a visita do mestre foi Luzilândia (a 240km de Teresina). Segundo o capoeirista, muitas pessoas compareceram à aula realizada no último dia 30 de abril. Brucutu explicou que o esporte tem sido bastante difundido e ganhado força no município ao longo dos anos. “Estou impressionado com Luzilândia, que é um lugar ermo, mas há muita qualidade. A capoeira trazida pelo mestre Mucuim [Antônio Filho], que faz capoeira em Luzilândia há 14 anos, coloca capoeiristas de Luzilândia a nível nacional”, relatou.

Brucutu vê nos jovens da cidade um grande potencia para a capoeira. Ele salientou que os novos capoeiristas devem buscar outros objetivos e destino. “Eu sempre digo para eles, que se eles querem ir para outro lugar, para irem para fora [do país], pois eles têm um nível mundial e precisam acreditar neles”, reforçou o mestre.

Mestre Brucutu (esquerda) ao lado do Mestre Touro em roda de capoeira na capital (Fotos: Elias Fontenele / O DIA)

O capoeirista contou ter visto muitos talentos na cidade de Luzilândia e enfatizou que esses jovens precisam lançar-se em outros países, vez que no Brasil ainda não há incentivo e investimento na capoeira. “Eu vi uns 10 capoeirista muito bons e eu sempre digo que, com a qualidade que eles têm, eles vão para fora e serão reconhecido, coisa que aqui a gente não é”, pontuou Brucutu.

Para que o brasiliense viesse à Teresina, os mestres de outras cidades piauienses mobilizaram-se e compraram a passagem do capoeirista e ofereceram-lhe hospedagem. Isso porque não há investimentos por parte do poder público que incentive a vinda de esportistas de outros estados.

Desde a última quarta-feira (30/04), quando às aulas tiveram início em Luzilândia, mestre Brucutu visitou as cidades de Barras, Porto e Teresina, onde se apresentou nos grupos de capoeira e abriu espaço para perguntas, matando assim um pouco da curiosidade dos jovens dos municípios. Apenas nos três primeiros dias, o capoeirista ministrou aula para quase mil alunos. 

“É bom poder brincar com o pessoal, divulgar o que eu penso. Teresina é um centro de capoeira conhecidíssimo, mas por ser humilde e longe do centro, não tem lugar. As pessoas comentavam, nos anos 1980, que Brasília era a parte da luta e o Rio de Janeiro a parte técnica, mas o batalhão da capoeira está em Teresina”, frisou o mestre Brucutu sobre sua visita ao Estado.

As aulas, que duram em média uma hora e meia, muitas vezes terminam se estendendo dependendo da empolgação da turma. “Fazemos uns 50 minutos e aula, 15 de alongamento e 50 de treino, mas a roda vai enquanto houver energia. Mas como estou vindo de fora, oportunidade única e o pessoal está excitado, então eu deixa até a energia acabar, então eu abro para perguntas”, contou mestre Brucutu, acrescentando que, “antigamente, quando se vinha dar curso em Teresina, tinha que ser em lugar aberto, porque era uma cabeçada de gente, e gente humilde”.

Leia a íntegra da reportagem na edição deste domingo (4) do jornal O DIA.

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Fonte: Jornal O DIA
Por: Isabela Lopes

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