Piauí é o quinto Estado do Brasil em número de lixões, diz levantamento

Com 220 unidades inadequadas para depósito de lixos, o Estado possui quase 50% de seus resíduos destinados de forma inapropriada, afetando mais de um milhão de pessoas.

07/06/2017 17:00h

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Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostra que o Piauí ocupa a quinta posição no ranking de Estados com o maior número de lixões no Brasil. Com 220 unidades inadequadas para o depósitos residuais, o Piauí descarta de forma inapropriada cerca de 1.057 toneladas de lixo por dia, contabilizando um percentual de destinação inadequada que chega a 49,60% do total de resíduos produzidos. Esta situação afeta, segundo a pesquisa, 1.069.838 pessoas em todo o Estado.

Os números trazidos no relatório apontam que o Piauí fica atrás apenas da Bahia (o Estado que mais descarta lixo inadequadamente no Brasil, possuindo 359 lixões), Maranhão (com 250), Minas Gerais (com 246) e Goiás (que possui 230 lixões).

Segundo a Abrelpe, em todo o país, estas unidades irregulares recebem quase 30 milhões de toneladas por ano, equivalente a mais de 40% dos resíduos coletados. Esse volume de resíduos em locais inadequados impacta a vida de cerca de 77 milhões de pessoas, cuja saúde é exposta aos malefícios dos lixões e aterros controlados, além da degradação causada ao meio ambiente.


Foto: Lina Magalhães/Arquivo O Dia

A pesquisa aponta ainda que 3.334 municípios fazem uso de unidades inadequadas para destinação de seus resíduos, o equivalente a 60% das cidades brasileiras, que não conseguiram reunir condições para acabar com essa prática inadequada. Além de todos os impactos negativos, a manutenção destas unidades traz um custo adicional de R$ 1,5 bilhão por ano para os sistemas de saúde, que acaba sendo onerado pelo tratamento das diversas doenças causadas pela má gestão de resíduos.

De acordo com os dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2015, publicado pela Abrelpe, a partir de 2010 o país vinha observando uma evolução na destinação adequada de resíduos sólidos, com um menor número de municípios fazendo uso de unidades irregulares a cada ano, apesar de não ter sido possível cumprir com a meta de encerrar os lixões até 2014, como disposto na Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei Federal n. 12.305/2010.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

"Nos últimos dois anos o cenário começou a regredir. Municípios que já tinham adotado práticas legais voltaram a cometer crimes ambientais com a retomada do uso de lixões e vazadouros irregulares, muito em nome da economia de recursos", constata Silva Filho.

O volume de lixo destinado a locais inadequados cresceu 5,3% nos últimos dois anos, atingindo cerca de 82.119 t/dia, o que equivale a um estádio do Maracanã repleto de resíduos despejado no meio ambiente a cada dia, que acabam contaminando o solo, rios e mares, animais, plantações e trazendo um problema de grandes proporções.


Foto: Lina Magalhães/Arquivo O Dia

"Os números mostram que o cenário atual é bastante delicado e preocupante, mas a situação pode ficar ainda pior, pois a crise econômica tem afetado diretamente as finanças municipais e é um dos fatores para o retrocesso constatado nos últimos anos", comenta o diretor presidente da Abrelpe.

Além de impactar o meio ambiente e a saúde, a má gestão de resíduos traz efeitos negativos também a economia. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a falta de ação para aprimorar a gestão de resíduos custa aos países de 5 a 10 vezes mais do que os investimentos demandados para resolver a situação.

"Os recursos para custear os serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos ainda são muito escassos. Os orçamentos dos municípios não conseguem mais suportar sequer as despesas básicas. Esse é um assunto emergencial e caso não seja resolvido rapidamente colocará todo o sistema de limpeza urbana em colapso. Como qualquer outro serviço público a limpeza urbana precisa ser remunerada diretamente pelos usuários, o que traz justiça social, justiça tributária e alivia a economia das cidades, que passarão a ter condições de prestas mais serviços e com mais qualidade", finaliza Carlos Silva Filho, ressaltando a necessidade de que ser estabelecido um sistema de remuneração para os serviços de limpeza urbana de forma a resolver os problemas atuais e cumprir as disposições da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

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Por: Maria Clara Estrêla, com informações da Abrelpe

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