Piauí é o maior produtor de pó de carnaúba do Brasil

Sozinho, o Estado gerou 55,5% da produção total de pó de carnaúba do País.

06/10/2021 10:28h

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Com produção de 10,8 mil toneladas de pó de carnaúba em 2020, o Piauí permanece como o maior produtor do país. Desde 1998, o Estado se mantém na liderança da produção de pó de carnaúba, conforme a Pesquisa do Extrativismo Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2020, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do Piauí, apenas Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte e Paraíba registraram produção do pó no ano passado.

Sozinho, o Piauí gerou mais da metade (55,5%) da produção total de pó de carnaúba do Brasil, que atingiu 19,4 mil toneladas em 2020. O montante obtido com o produto no estado, cerca de R$133 milhões, equivale a 56,6% do valor total gerado no Brasil. O país alcançou R$235 milhões com a extração do pó de carnaúba no ano passado.

Apesar do Piauí ser o estado com maior produção do país, as três cidades com maior volume são do Ceará. Os municípios cearenses de Granja, Camocim e Coreaú ocupam as primeiras posições quanto à quantidade de pó de carnaúba produzida em 2020. Na quarta posição vem o município piauiense de Piracuruca, seguido por Piripiri em quinto lugar.

(Foto: reprodução)

Área da silvicultura reduz no Piauí, mas cresce no Brasil

De 2013 a 2020, a área destinada à silvicultura sofreu redução de 14,9% no Piauí. Situação oposta é verificada no Brasil, onde a área expandiu 15,9% no período. É o que mostra a Pesquisa do Extrativismo Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2020, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Silvicultura trata-se do aproveitamento, exploração e manutenção racional das florestas, criação e o desenvolvimento de povoação florestal com intuito comercial. A queda é atribuída à “baixa demanda local, à falta de incentivos, mas principalmente à frustração de uma indústria demandante dos produtos da silvicultura que seria implantada no Piauí”, relata o supervisor de Pesquisas Agropecuárias do IBGE no Piauí, Pedro Andrade.

Ainda segundo ele, em outras regiões do país, há maior desenvolvimento e mais incentivos à silvicultura, o que provoca o aumento da área no resultado geral.

O Piauí tinha 38,2 mil hectares de área destinada à silvicultura em 2013, número que caiu para 32,5 mil hectares em 2020. Em movimento contrário, o Brasil registrou 8,2 milhões de hectares em 2013, atingindo 9,6 milhões em 2020. Enquanto há registro da produção de eucalipto, pinho e outras espécies no país, o Piauí concentra toda a produção da silvicultura do eucalipto.

Exploração de matas nativas predomina na produção florestal do Piauí

O extrativismo vegetal, que é a retirada de produtos oriundos de matas ou florestas nativas, tem maior representatividade no valor da produção primária florestal do Piauí do que a silvicultura – que se refere às florestas plantadas para fins comerciais. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a extração vegetal corresponde a mais de 90% do valor gerado pela produção primária florestal no Piauí. Os dados foram obtidos por meio da Pesquisa do Extrativismo Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2020.

A produção primária florestal, composta pelos produtos do extrativismo vegetal e da silvicultura, gerou R$223 milhões no Piauí, em 2020. Desse montante, a extração vegetal foi responsável por 96,4%, enquanto a silvicultura gerou apenas 3,6%. As proporções permaneceram similares nos últimos dez anos, com a exploração de matas e florestas nativas correspondendo a quase totalidade do valor.

“O extrativismo vegetal ainda é expressivo no Piauí, principalmente pela participação do pó de carnaúba, além da extração de produtos alimentícios e aromáticos, que permitem a exploração sem a destruição das espécies vegetais”, salienta o supervisor de Pesquisas Agropecuárias do IBGE no Piauí, Pedro Andrade. O pó de carnaúba é o principal produto de extrativismo vegetal do Piauí. Com ele, o estado obteve R$133 milhões em 2020, o que equivale a 61,8% do total obtido com a prática.

Contudo, a situação é oposta no Brasil: desde o início dos anos 2000, a silvicultura vem se sobressaindo frente ao extrativismo vegetal. O país gerou R$23,6 bilhões com a produção primária florestal no ano passado.  Desse total, o manejo em florestas plantadas para fins comerciais representa 79,8%, enquanto o extrativismo vegetal corresponde a 20,2%.

Andrade explica que o contraste entre o Piauí e o restante do Brasil se deve ao estágio mais avançado de desenvolvimento da silvicultura em outras regiões do país. “Quando consideramos a produção nacional, apresentam maiores valores os produtos madeireiros provenientes da silvicultura, visto o desenvolvimento nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do país, maior controle da exploração extrativista e incentivos aos produtos da silvicultura”, esclarece o supervisor.

Do montante gerado pelo Piauí com a produção primária florestal em 2020, o município de Parnaguá é responsável por 10,6%. A cidade, que possui pouco mais de 10 mil habitantes, produziu R$ milhões com o extrativismo vegetal no ano passado e não registrou exploração da silvicultura. O carvão vegetal é o principal produto do município, respondendo por 95% do valor total gerado.

Exclusivamente em relação às florestas plantadas para fins comerciais, apenas quatro municípios piauienses contribuíram para a soma total do estado. São eles: Antônio Almeida, Regeneração, Boa Hora e Piracuruca. Sendo que a cidade de Antônio Almeida gerou R$4,5 milhões com a silvicultura, o que equivale a 57,3% do total obtido com essa prática no Piauí.

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Fonte: Com informações do IBGE

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