PI é o 2º em evolução do índice de Desenvolvimento Humano em Educação

Em 5 anos, estado aumentou em 3,7% o IDHM na área educacional, embora ainda figure entre os cincos menores índices do país. Índice de Longevidade é maior para elas que para eles.

17/04/2019 10:55h - Atualizado em 17/04/2019 11:19h

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Foi divulgado nesta terça-feira (16), um estudo do Ipea a respeito do Índice de Desenvolvimento Humano dos estados e regiões metropolitanas brasileiros. O Radar IDHM teve seus dados brutos extraídos dos Censos Demográficos de 2000 e 2010. O objetivo é observar o comportamento do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de maneira a oferecer aos gestores públicos as informações mais atualizadas possíveis sobre a realidade estadual e metropolitana com base nos resultados e tendências dos indicadores.

Segundo o levantamento, o Piauí apresentou uma melhora considerável no seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal em Educação (IDHM Educação). Na avaliação do Ipea o Estado subiu sua taxa de 0,598 para 0,666 em cinco anos (de 2012 a 2017), ou seja, o aumento foi de 3,7%. Somente o Amazonas teve uma evolução de IDHM Educação superior à do Piauí (4,3%).


Foto: Agência Brasil

O índice é para ser comemorado, embora ainda haja muito o que avançar no Piauí no que toca à Educação. Essa necessidade de melhorar o desempenho do estado foi materializada em números pelo Ipea. Apesar de ter aumentado seu IDHM Educação num período de tempo relativamente curto, o Piauí ainda figura entre os cinco menores índices do Brasil. Seus 0,666 de IDHM Educação o colocam na 23ª colocação no ranking nacional, ou seja, o estado fica a frente somente de mais quatro unidades federativas: Pará (índice 0,661), Bahia (índice 0,654), Sergipe (índice 0,640) e Alagoas (índice 0,636).

Mas o que chama atenção para o Piauí é a composição deste IDHM Educação. A pesquisa do Ipea aponta que a população autodeclarada branca ainda é a principal responsável pela melhora do desempenho do estado nessa dimensão. Aqui, os autodeclarados brancos tinham um IDHM Educação de 0,725 em 2017, e a população negra, de 0,651. A variação é de 0,074 pontos para menos para a população negra no estado.


Foto: Agência Brasil

No entanto, se na variável Cor o Piauí mantém um padrão histórico, na variável Sexo esta realidade já começa a mudar. O IDHM Educação das mulheres já é superior ao dos homens no estado. Em 2017, elas tinham índice de 0,710 em Educação enquanto que eles tinham 0,622. A diferença é de 0,088 e coloca o Piauí entre os estados brasileiros com as maiores discrepâncias entre homens e mulheres no que concerne ao índice de desenvolvimento humano em Educação. Junto com o estado, também apresentam alta diferença no IDHM Educação entre homens e mulheres o Tocantins (0,113 de diferença) e o Maranhão (0,083).

Longevidade

Outra dimensão que foi analisada pelo Ipea para o Radar IDHM é a da Longevidade, que está diretamente relacionada à Esperança de Vida ao Nascer. Diz respeito basicamente à expectativa de vida e, aqui no Piauí, ela andou dando uma reduzida. Em 2017, o índice de Longevidade no estado era de 0,771 e a esperança de vida ao nascer era de 71,23 anos. Isso situa o Piauí entre as unidades federativas com os menores valores para a expectativa de vida do país. O estado divide esta posição com o Maranhão (índice 0,764) e Rondônia (índice 0,776). Em contrapartida, Distrito Federal, Minhas Gerais, Santa Catarina e Rio de Janeiro apresentam os índices de Longevidade mais altos do país, com esperanças de vida ao nascer de 78,73 anos, 77,49 anos, 76,97 anos e 76,48 anos respectivamente.

A projeção, ou seja, a tendência de evolução desse índice de Longevidade no Piauí também não é das melhores, segundo o Ipea. A nível nacional, o Radar IDHM aponta ainda para uma tendência de avanço de 3% na evolução do índice Longevidade no Brasil como um todo entre 2012 e 2017. As maiores tendências de aumento foram observadas nos estados do Norte e Nordeste do país, sobretudo em Pernambuco (0,035), Alagoas (0,032) e Acre (0,029). No entanto, o Piauí não se enquadra nessa realidade.


Foto: Agência Brasil

Aqui no Estado, o Radar IDHM mostra que houve, na verdade, uma diminuição na tendência de avanço da Longevidade (0,016). Junto com Goiás (índice 0,014) e Rondônia (índice 0,017), o Piauí apresenta uma das menores tendências de evolução da expectativa de vida no Brasil. Quando observado em ranking, na ordem do maior para o menor valor do IDHM Longevidade, o Piauí ocupa a penúltima posição entre todos os estados brasileiros, ficando a frente somente do Maranhão., cujo índice de Longevidade foi de 0,764 em 2017.

Assim como se observou na Educação, a evolução e o índice de Longevidade também varia segundo a cor e o sexo da população. Por exemplo, aqui no Piauí, os autodeclarados brancos possuíam um IDHM Longevidade de 0,797, enquanto para os autodeclarados negros, o índice era de 0,749, ou seja, a variação para menos de 0,047 pontos. Isso significa que a população negra do Piauí tem uma expectativa de vida relativamente menor que a da população branca, que é de 72,79 anos.


Foto: Arquivo O Dia

Com relação à dimensão Sexo, as mulheres têm uma expectativa de vida maior no Piauí em relação aos homens, se for levado em conta o índice de Longevidade. O IDHM longevidade delas era de 0,842 em 2017, enquanto que para eles, o índice era de 0,701, ou seja, a expectativa de vida do público feminino no Estado é maior que a do público masculino.

Ride Teresina

O Piauí possui o quarto menor índice de renda per capita do país, segundo o Ipea. Com um IDHM Renda de 0,660, o Estado fica a frente apenas do Pará (índice 0,654), de Alagoas (índice 0,639) e do Maranhão (índice 0,623). O Estado se situa na faixa de Médio Índice de Desenvolvimento Humano em Renda junto com mais 13 unidades federativas brasileiras. Somente os estados das regiões Centro-oeste, Sudeste e Sul do Brasil apresentam Alto IDHM Renda.

Em todo o Brasil, houve uma leve queda no valor do índice da dimensão da renda (0,748 para 0,747, com uma diminuição de 0,92% no valor da renda per capita, que passou de R$ 842,04 para R$ 834,31). Mas um detalhe chama atenção no estudo na dimensão Renda: as maiores tendências de crescimento foram observadas da Rede Integrada de Desenvolvimento (Ride) Teresina (aumento de 0,018) e de Manaus (aumento de 0,019). Em 2017, o IDHM Renda na região da Grande Teresina era de 0,750, enquanto que em 2012 esse mesmo índice era de apenas 0,732.


Foto: Agência Brasil

Já no que respeita à Longevidade na Capital piauiense, ela também apresentou tendência de avanço de 2012 a 2017, saindo de 0,762 em 2012 para 0,793 e 2017. Com relação à Educação, o IDHM da Ride Teresina também teve uma evolução expressiva ao longo de cinco anos, subindo de 0,689 em 2012 para 0,751 em 2017. O IDHM Renda da capital piauiense se situa na faixa Alto, junto com mais quinze Redes Metropolitanas. E assim como a nível estadual, a Capital Piauiense também tem diferenças no IDHM segundo a cor da população: os brancos, por exemplo, possuem um IDHM médio de 0,809, enquanto que os negros possuem IDHM médio de 0,733.

Com relação ao sexo, a Ride Teresina se destaca por ser uma das menores diferenças entre os grupos de homens e mulheres (0,004). Homens respondem por um IDHM médio de 0,748 e as mulheres por um IDHM médio de 0,744 na capital do Piauí.

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Por: Maria Clara Estrêla

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