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Outubro Rosa acende debate para o câncer de mama em pessoas trans

Pessoas transexuais e transgêneros também precisam se prevenir da doença.

31/10/2019 17:02h - Atualizado em 31/10/2019 18:30h

A campanha Outubro Rosa, voltada para prevenção do câncer de mama, evidencia um assunto pouco lembrado pelas políticas públicas voltadas à população LGBT: o fato de as pessoas transexuais e transgêneros também precisarem se prevenir da doença.

Grax Medina nasceu em um corpo feminino, mas a sua identidade de gênero é masculina, ele é um homem trans. Medina passou recentemente pela cirurgia de retirada total das mamas, processo que faz parte da adequação de gênero e, mesmo sem os seios, ele não deixou de lado os cuidados de prevenção com o câncer de mama.

Grax Medina durante entrevista ao O Dia News 1º Edição. Foto: Jorge Machado

“Eu tenho que fazer exames de seis em seis meses. A minha cirurgia foi mastectomia bilateral total, retirada total das mamas com implante para ficar esteticamente igual ao peitoral masculino. Mesmo assim eu preciso ter todos os cuidados ainda”, revela.

Medina afirma que as políticas públicas no Piauí voltadas para o atendimento de pessoas trans em hospitais públicos e privados, em relação aos cuidados com câncer de mama, não são satisfatórias.

“A maioria dos homens trans que não tem plano de saúde ficam com receio de ir ao SUS, por conta de sentir algum preconceito. Eu faço parte de uma associação de homens trans aqui no Piauí e estamos correndo atrás de um ambulatório específico para pessoas trans”, ressalta.

Medina conta rotina de pessoas trans em hospitais públicos e privados. Foto: Jorge Wesley

Medina completa afirmando que, por vezes, teve que trocar de profissionais por falta de preparo no atendimento. “Nem todos os médicos estão preparados. Eu mudei de endocrinologista umas três vezes porque eles não conseguiam me tratar no masculino. Dermatologista eu mudei duas vezes e ginecologista também duas vezes”, conta.

O jovem finaliza ressaltando que a empatia é uma forma de combate às diferenças no Estado. “Além do respeito, tem que ter empatia. Todo homem trans já deve ter passado, uma vez na vida, de chegar ao SUS e os plantonistas cansados ficam nos destratando ou tratando de qualquer jeito. Ter empatia é uma forma de respeitar as diferenças”, finaliza.

Edição: Virgiane Passos
Por: Jorge Machado, do Jornal O Dia

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