Opala: as cores do Piauí que encantam o mundo

Produzidas em apenas dois locais do mundo, opalas são consideradas preciosidades

19/10/2012 09:37h

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Com a modéstia que poucos pais têm quando vão falar sobre seus filhos, Antônio Ferreira Neto ( mais conhecido como Marola), 50 anos, é garimpeiro e tem como a maior conquista da sua vida, a satisfação de saber que graças ao seu esforço diário na procurar por pequenas pedras de Opala, no mina do Boi Morto, no interior do município de Pedro II, no norte do Piauí, um de seus filhos hoje é universitário e está quase se formando no curso Ciências Biológicas.

"Ele faz parte de um grupo de pesquisa, que ele e outros colegas desenvolvem aqui mesmo na região. Acho que com esse curso ele vai ter mais chances de crescer na vida por isso sempre me dediquei tanto ao meu trabalho aqui no garimpo, foi daqui que sempre dinheiro tudo que ele precisou para estudar", afirma Marola, um dos integrantes da Cooperativa dos Garimpeiros de Pedro II, que reúne 170 trabalhadores.

A cooperativa é recente, mas Marola está neste ramo há anos. Começou a trabalhar aos 16 anos de idade em um garimpo aos 16 anos de idade, "nesse tempo não tinha muita exigência como hoje", lembra, se referindo as normas de segurança de trabalho as quais todos têm que respeitar. "Um amigo mais velho trabalhava em um garimpo me chamou e ai quando encontrei minhas primeiras pedras...nunca vou me esquecer meu primeiro dinheiro deu para comprar um chinelo de marca, outro calçado para ir à escola, roupas e ainda deu para farrear".

Marola e mais garimpeiros buscam insistentemente por pequenas pedras de Opala extra, a pedra que só encontrada nessa região e no interior da Austrália, apesar de não haver semelhança no solo entre as duas regiões, que faz o mineral ser considerado precioso e chegar a custa até três vezes a mais que o ouro. O comércio dessa pedra ou de joias montadas com o mineral é o que movimenta a economia na cidade.

O resultado desse trabalho gira em torno um salário mínimo por mês, mas quem tem pouco de sorte consegue tirar um pouco mais. "Eu já encontrei pedra para valer R$ 1 mil, quando eu tinha 18 anos", conta Antônio Francisco Carneiro, 30 anos, revelando que o tamanho é o valor da pedra que o garimpeiro "achar." "Mas foi quando os turistas passaram a procurar não só por pedras e sim por joaias, que passamos a comprar a joia pronta apenas para colocar as pedras, começamos com 30 peças.

A demanda aumentou e percebermos que precisávamos produzir a joia foi quando trouxemos um ourives de Goiás para trabalhar aqui e treinar uma equipe. Começamos com anéis e a aceitação foi muito rápida. Assim se formaram os primeiros profissionais que saíram dessa capacitação e iniciaram seus próprios lojas", conta Áurea Amélia, empresária esposa de um empreendedor pioneiro na produção de joias em Pedro II.

Hoje, aproximadamente 500 famílias, entre garimpeiros, lapidários, joalheiros e lojistas vivem da opala em Pedro II, de acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Piauí. O setor de joalheria da tem apenas sete anos, mas a cidade tem se consolidado como um polo de lapidação de joias. "A opala é o que temos de mais bonito. Essas cores de arco-íris encantam, em qualquer lugar que a gente anda as pessoas relaciona a Opela à Pedro II, a venda e divulgação da pedra alavancou por conta do Festival de Inverno de Pedro II, a gente faz questão que ele continue sendo realizado porque dá orgulho chegar em São Paulo, no Rio de Janeiro e ver alguém usando uma joia com a pedra, que ela comprou por tão caro e que você tem acesso em tanta quantidade e ainda em fase bruta", confessa a empresaria.

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Por: Katylenin Frana

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