No Piauí, Mourão defende urgência na aprovação da reforma da Previdência

O vice-presidente comparou o modelo previdenciário atual com uma pirâmide financeira, prática

27/04/2019 14:18h - Atualizado em 27/04/2019 20:40h

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Convidado para fazer a palestra de abertura da 24ª edição da Convenção Lojista do Piauí, na noite desta sexta-feira (26), em Teresina, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), aproveitou a oportunidade para defender a aprovação da reforma da Previdência, o que, segundo ele, deve ocorrer com urgência, para que o pagamento dos benefícios para as próximas gerações não fique comprometido. 

“Se não aprovarmos a reforma, nossos filhos e netos trabalharão do berço ao túmulo”, disparou, para uma plateia com dezenas de empresários, gestores, estudantes e demais participantes do evento, que é realizado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Piauí (FCDL-PI).

O vice-presidente comparou o modelo previdenciário atual com uma pirâmide financeira, modelo que depende do recrutamento progressivo de novos participantes, o que o torna insustentável, e que, por esta razão, é considerada uma prática criminosa.

“A Previdência hoje é uma pirâmide financeira, como aquelas que ficaram famosas no passado e enganaram tantas pessoas honestas. É um esquema insustentável. Se não fizermos nada agora para corrigir esse problema, estaremos rompendo o pacto geracional e nossos filhos e netos trabalharão até a morte, sem perspectiva de usufruírem do direito à pensão ou aposentadoria”, avaliou. 

O vice-presidente Hamilton Mourão (Foto: Divulgação / Ascom FCDL)

Ele lembrou que o Congresso Nacional tem dado demonstrações de que irá colaborar com o Governo na aprovação da matéria de forma célere. A proposta de Reforma da Previdência foi encaminhada ao legislativo pelo presidente Bolsonaro no dia 20 de fevereiro. A mensagem foi entregue pessoalmente aos Presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, o que, segundo Mourão, foi “um gesto que simbolizou a prioridade e o sentido de urgência para a aprovação da reforma”. Na última terça-feira, a mensagem foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. 

O vice-presidente disse que reconhecia que obter a maioria no parlamento para a aprovação da matéria não será uma tarefa fácil, e atribuiu isso à divisão dos partidos no Brasil. “A fragmentação partidária no Brasil atingiu patamares disfuncionais, com mais de trinta partidos representados no parlamento”, comentou,  acrescentando que, apesar disso, o governo vem intensificando esforços para “demonstrar ao Congresso e à opinião pública que a previdência atual está fadada e que a reforma é necessária e urgente”.

Mourão recebeu o troféu Mérito Lojista das mãos de Sávio Normando, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Piauí (Foto: Divulgação / Ascom FCDL)

Segundo ele, com a reforma, o Governo pretende economizar R$ 1 trilhão em um período de dez anos. Para isso, o texto encaminhado aos congressistas prioriza um balanceamento e corte de privilégios, reduzindo desigualdades. “Não pouparemos esforços para mobilizar o apoio necessário para a aprovação dessa importante medida”, disse ele, dando a entender que o Governo está disposto a negociar outros pontos que venham a possibilitar a aprovação da Reforma sem que, entretanto, a mensagem seja totalmente desvirtuada. 

Mourão evitou falar das críticas que vem recebendo de filhos do presidente da República e do filósofo e escritor Olavo de Carvalho, considerado o guru da família Bolsonaro.

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Por: Mayara Martins e Cícero Portela

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