Com a pandemia do novo coronavírus, o consumo das famílias brasileiras ficará comprometido ao longo de 2020, se igualando aos patamares de 2010 e 2012, descartando a inflação e levando em conta apenas os acréscimos ano a ano. A projeção é uma movimentação de cerca de R$ 4,4 trilhões na economia — um crescimento negativo de 5,39% em relação a 2019 —, a uma taxa também negativa do PIB de 5,89%. A previsão é do estudo da do IPC Maps, empresa especializado em cálculo de índices de potencial de consumo nacional, com base em dados oficiais.
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No Piauí, por exemplo, ocupa a 21ª colocação no ranking nacional e tem potencial de consumo total (urbano e rural) de R$ 44,7 bilhões, sendo que o consumo rural responsável por R$ 6,9 bilhões e o consumo urbano por R$ 37,7 bilhões. Desse total do consumo urbano, a Classe C tem um potencial de R$ 13,7 bilhões (36,3%), quase quatro vezes maior que a Classe A, de R$ 3,5 bilhões (9,5%) e duas vezes maior que a Classe D/E, de R$ 6,8 bilhões (18,1%). A Classe B tem um potencial de consumo de R$ 13,6 bilhões (36,1%).
Na Classe C, dentre os setores que mais se consome estão: Habitação (R$ 2,8 bilhões) e Alimentação no Domicílio (R$ 2,1 bilhões). Já a Classe A consome mais com Outras despesas (R$ 1 bilhões), Veículo próprio (R$ 614 milhões) e Habitação (R$ 483 milhões). A Classe B, que tem o segundo maior potencial de consumo, utiliza seus recursos em Outras despesas (R$ 2,8 bilhões), em Habitação (R$ 2,2 bilhões) e em Veículo próprio (R$ 2,2 bilhões).
Teresina ocupa a 30ª posição no ranking nacional com potencial de consumo de R$ 17,9 bilhões, sendo R$ 17,4 bilhões na zona urbana e R$ 482 milhões na zona rural. Já entre as classes, diferente do Piauí, a Classe B tem o maior potencial de consumo, de R$ 6,9 bilhões (40%), seguido da Classe C (34,6%), com R$ 5,9 bilhões; em seguida a Classe D/E (13,1%), com R$ 2,2 bilhões e a Classe A (12,6%), com R$ 2,1 bilhões.
O maior potencial de consumo da Classe A são com Outras despesas (R$ 648 milhões); Veículo próprio (R$ 376 milhões) e Habitação (R$ 294 milhões), assim como na Classe B também aplica seus recursos em Outras despesas (R$ 1,4 bilhões); Veículo próprio (R$ 1,1 bilhões) e Habitação (R$ 1,1 bilhões). Já a Classe C tem como maior potencial de consumo Habitação (R$ 1,2 bilhões) e Alimentação no Domicílio (R$ 925 milhões). Enquanto isso, a Classe D/E tem potencial de consumo em Habitação (R$ 544 milhões) e Alimentação no Domicílio (R$ 484 milhões).

(Foto: Reprodução/Freepik)
O consumo per capita no Piauí, por ano, é de R$ 17.349,84 na área urbana e R$ 6.310,20 na área rural. Em Teresina, o consumo per capita, por ano, é de R$ 21.261,61 na área urbana e R$ 9.911,10 na área rural.
Entre os demais municípios piauienses, destaca-se Parnaíba, com potencial de consumo de R$ 2,3 bilhões, que ocupa 2ª colocação no ranking estadual e 291º no ranking nacional; e Picos, com R$ 1,2 bilhões, ficando em 3º lugar no ranking estadual e em 500º no ranking nacional.
Segundo Marcos Pazzini, responsável pela pesquisa, o crescimento negativo após a pandemia cria um efeito déjà-vu, já que a economia “retomará os índices dos últimos anos em que houve um progresso vigoroso”. O especialista ressalta que no início de março, antes desse cenário de pandemia e isolamento social, “a previsão do PIB para 2020, conforme o Boletim Focus do Banco Central, era de +2,17%, o que resultaria numa projeção do consumo brasileiro da ordem de R$ 4,9 trilhões, superando os R$ 4,7 trilhões obtidos no ano passado.”
O levantamento aponta que, a exemplo de 2019, as capitais seguirão perdendo espaço no consumo, respondendo por 28,29% desse mercado. Enquanto isso, o interior avançará com 54,8%, bem como as regiões metropolitanas, cujo desempenho equivalerá a 16,9% neste ano.
Esta edição do IPC Mapsdestaca, ainda, a redução na quantidade de domicílios das classes A e B1, o que elevará o número de residências nos demais estratos sociais. Para Pazzini, “essa migração das primeiras classes impactará positivamente o consumo da classe B2, com uma vantagem de 6,8% sobre os valores de 2019”, explica. As outras classes, por sua vez, terão queda nominal do potencial de consumo de 2,94% em relação a 2019.
Dados nacionais
Base consumidora
Neste ano a classe B2 lidera o cenário de consumo, representando mais de R$ 1 bilhão dos gastos. Junto à B1, estão presentes em 20,9% dos domicílios, sendo responsáveis por 41,1% (R$ 1,7 trilhão) de tudo que será desembolsado pelas famílias brasileiras.
Se para a classe média a migração da classe alta para os demais estratos é positiva, para quase metade dos domicílios (48,7%), caracterizados como classe C, o total de recursos gastos cai para R$ 1,475 trilhão (35,6% ante 37,5% em 2019). Já a classe D/E, que ocupa 28,3% das residências, consome cerca de R$ 437,9 bilhões (10,6%). Mais enxuto, em apenas 2,1% das famílias, o grupo A reduz seus gastos para R$ 528,6 bilhões (12,8% contra 13,68% do ano passado).
O mesmo acontece na área rural que, embora no ano passado tivera uma evolução significativa, neste ano perde de R$ 335,9 para R$ 319,6 bilhões.
Cenário Regional
O destaque vai para a Região Centro-Oeste que, ampliou em 7,9% sua participação no consumo, respondendo por 8,86% dos gastos nacionais. Encabeçando a lista, embora com pequenas contrações, aparece o Sudeste com 48,42%, seguido pelo Nordeste, com 18,53%. A Região Sul, que em 2019 tinha reduzido sua fatia, volta a subir para 17,97% e, por último, aparece a Norte, representando 6,23%.
Mercados potenciais
O desempenho dos 50 maiores municípios brasileiros equivale a 38,7%, ou R$ 1,759 trilhão, de tudo o que é consumido no território nacional. No ranking dos municípios, os principais mercados permanecem sendo, em ordem decrescente, São Paulo e Rio de Janeiro, seguido por Brasília, que recuperou a 3ª posição, deixando Belo Horizonte atrás. Já, Curitiba sobe para o 5º lugar, ultrapassando Salvador. Na sequência, Fortaleza, Porto Alegre, Manaus e Goiânia — esta em 10º —, ocupam os mesmos lugares de 2019.
Cidades metropolitanas ou interioranas como, Campinas (11º), Guarulhos (13º), Ribeirão Preto (18º), São Bernardo do Campo (19º) e São José dos Campos (21º), no Estado paulista; São Gonçalo (16º) e Duque de Caxias (24º), no Rio de Janeiro; bem como as capitais Belém (14º), Campo Grande (15º) e São Luís (17º) também se sobressaem nessa seleção.
Hábitos de consumo
A pesquisa IPC Maps detalha, ainda, onde os consumidores gastam sua renda. Dessa forma, os itens básicos aparecem com grande vantagem sobre os demais, conforme a seguir: 25,6% dos desembolsos destinam-se à habitação (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás); 18,1% outras despesas (serviços em geral, reformas, seguros etc); 14,1% vão para alimentação (no domicílio e fora); 13,1% a transportes e veículo próprio; 6,6% são medicamentos e saúde; 3,7% materiais de construção; 3,4% educação; 3,4% vestuário e calçados; 3,3% recreação, cultura e viagens; 3,3% em higiene pessoal; 1,5% eletroeletrônicos; 1,5% móveis e artigos do lar; 1,1% bebidas; 0,5% para artigos de limpeza; 0,4% fumo; e finalmente, 0,2% referem-se a joias, bijuterias e armarinhos.
Por: Isabela Lopes