No Piauí, 79% da população é considerada negra

Dados do Dieese comprovam ainda desafios das pessoas negras no mercado de trabalho

20/11/2021 10:10h - Atualizado em 20/11/2021 11:12h

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Em alusão ao Dia da Consciência Negra, comemorado neste dia 20 de novembro, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou dados sobre a população negra e o mercado de trabalho, bem como um diagnóstico de como esse público foi o que mais sofreu desigualdade durante a pandemia da Covid-19. No Piauí, 79% da população é considerada negra, se configurando assim o 7º estado brasileiro com maior número de negros. No Nordeste, o Estado fica em 3º lugar. Os números são acima da média nacional, que é de 55%. Os dados são referentes ao segundo trimestre de 2021.

Quando consideramos a inserção do indivíduo no mercado de trabalho no recorte do Nordeste, observamos que a taxa de subutilização da força de trabalho da mulher negra (40,9%) é maior do que a das mulheres não negras (27,7%). Essa diferença também é percebida no sexo masculino, no qual 26,9% dos homens negros têm sua força de trabalho subutilizada, enquanto o percentual dos homens não negros é de 18,5%.

Foto: Agência Educa Mais Brasil 

No que se refere à ocupação de cargos de direção, observa-se que 5% das mulheres não negras ocupam cargos importantes, enquanto apenas 1,9% das mulheres negras ocupam algum cargo de direção. O percentual de homens negros que ocupam cargos de direção é de apenas 2,2%, enquanto o de homens não negros é de 6,4%.

O rendimento médio entre pessoas negras e não negras também é diferente. As mulheres negras recebem, em torno, de R$1.617; já as mulheres não negras ganham, em média, R$2.674, uma diferença de quase R$1 mil a menos. A remuneração dos homens negros (R$1.968) também é menor do que a dos homens não negros (R$3.471), cerca de R$1.500 a menos.

Desigualdade racial se aprofunda durante a pandemia

Negros e não negros se inserem de forma distinta no mercado de trabalho e os indicadores refletem essa diferença. A pandemia da Covid-19 afetou todos os trabalhadores, mas os impactos foram mais intensos sobre os negros, seja pela dificuldade que essa população enfrenta para encontrar colocação ou pela necessidade de voltar antes ao mercado de trabalho devido à falta de renda para permanecer em casa, protegida do vírus.

Entre o 1º e o 2º trimestre de 2020, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 8,9 milhões de homens e mulheres saíram da força de trabalho – perderam empregos ou deixaram de procurar colocação por acreditarem não ser possível conseguir vaga no mercado de trabalho. Desse total, 6,4 milhões eram negros ou negras e 2,5 milhões, trabalhadores e trabalhadoras não negros. 

A partir do momento em que as pessoas começaram a buscar voltar ao mercado de trabalho, a taxa de desocupação cresceu. A comparação do volume da força de trabalho do 2º trimestre de 2021 com o mesmo período de 2020 mostra que a força de trabalho negra cresceu 3,8 milhões (1,79 milhões de homens e 1,97 milhões de mulheres).

Já entre os não negros, o aumento foi de 2,3 milhões (963 mil homens e 1,38 milhões de mulheres). Porém, quando se compara 2021 com o 1º trimestre de 2020, antes da pandemia, nota-se que parcela expressiva de negros não voltou para a força de trabalho: 1,1 milhão de negras e 1,5 milhão de negros.

Pode-se dizer que, no 2º trimestre de 2021, enquanto a força de trabalho não negra já equivalia a 92% do total registrado antes da pandemia (1º trimestre de 2020), entre os negros, esse percentual foi de quase 59%, número que levanta a questão sobre o destino desses quase 2,6 milhões de negros e negras.

(Dieese)

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