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Mulheres fazem novo ato contra feminicídios na Avenida Frei Serafim

Só nas últimas três semanas, pelo menos quatro feminicídios foram registrados no Piauí.

06/06/2018 18:06

Um ato foi realizado no final da tarde desta quarta-feira (6), na Avenida Frei Serafim, em repúdio aos crimes de feminicídio, que têm ocorrido com frequência assustadora no Piauí.


Ato ocorreu no final da tarde desta quarta-feira, na Avenida Frei Serafim (Foto: Elias Fontinele / O DIA)


A manifestação foi organizada pelo Fórum Popular contra o Feminicídio, entidade criada em Teresina com o intuito de cobrar das autoridades uma postura mais firme no sentido de coibir a prática desse crime e proteger as mulheres vítimas de violência doméstica, bem como esclarecer a sociedade sobre a urgência de se discutir meios de combate à cultura machista.

As manifestantes reuniram-se no passeio central da Avenida Frei Serafim, próximo ao cruzamento com a Rua Coelho de Resende, onde pintaram cartazes e faixas com frases de efeito, contra a violência de gênero.

A militante Letícia Lima afirma que a mobilização contra esse tipo de violência deve ser ininterrupta, pois as mulheres continuam sendo agredidas e mortas diariamente no país, mesmo com as campanhas educativas exibidas nos meios de comunicação e com a punição dos agressores.

"Em 2017 ocorreram dois assassinatos que chocaram muito os piauienses, que foi o da Camila Abreu e o da Iarla Lima, mortas por companheiros. Mas existem muitos outros casos. A gente sabe que existe uma sub-notificação do feminicídio, sobretudo quando as vítimas são mulheres negras, pobres e periféricas [...] E em 2018 temos o desafio de conseguir reunir e dar visibilidade aos dados de todos esses crimes, que, infelizmente, continuam a ocorrer. Só nas últimas semanas tivemos outros  casos - o da Aretha, o da Gisleide e o da Selene, dentre outras -, e todas elas foram esfaqueadas várias vezes. O que mostra que são crimes de ódio. Não basta matar, tem que dilacerar", observa Letícia.

A militante lamenta que pouco esteja sendo feito pela segurança pública do estado no sentido de evitar a ocorrência de novos crimes. "A gente precisa atentar para esses dados e cobrar políticas públicas de prevenção, porque já estamos cansadas de chorar nossas mortas", acrescentou Letícia.

Durante o ato, as manifestantes criticaram o governador Wellington Dias (PT) por não ter recebido uma comissão de representantes do movimento há cerca de duas semanas, quando elas realizaram outro ato em frente ao Palácio de Karnak

Vítima de um relacionamento abusivo por três anos, Cláudia Modesto decidiu participar do ato para pedir justiça pelas mulheres mortas e também por ela própria. 

Ela relata que teve coragem de denunciar o ex-companheiro à Polícia, mas a ação penal contra o agressor está parada, de acordo com Cláudia. "A única coisa que eu quero é justiça, para encorajar outras mulheres a tomar essa decisão [de denunciar] também", afirma a militante.

Cerca de 60 mulheres participaram do ato, que gerou um pequeno congestionamento na Avenida Frei Serafim.

Por: Nathalia Amaral (do local) e Cícero Portela (da redação)
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