• SOS Unimed
  • Fagner
  • Trilha das emoções
  • Novo app Jornal O Dia

Mercado imobiliário recupera cerca de 30% das vendas e aluguéis

Mesmo com a promessa de crescimento do mercado imobiliário, ao andar pelas ruas de Teresina o cenário é de abandono.

21/08/2019 07:46h

O mercado imobiliário promete crescer neste segundo semestre e se recuperar das quedas em vendas e aluguéis registradas no último ano. Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Piauí (Creci-PI), Nogueira Neto, a recuperação já atinge cerca de 30% da normalidade do mercado, mesmo que seja a passos lentos.

“O mercado está reagindo, já esteve muito pior, mas podemos ver que está retomando. Por exemplo, o aluguel de residência está equilibrado, agora comercial é que realmente tem uma oferta muito grande e uma procura menor”, explica.

Mercado imobiliário recupera cerca de 30% das vendas e aluguéis. (Foto: Elias Fontenele/O Dia)

Segundo o presidente do Creci-PI, o mercado piauiense depende diretamente da atividade econômica nacional, “principalmente o aluguel comercial que está diretamente ligado à economia do país e, como estávamos vivendo uma recessão, para recuperar é lento”, pondera Nogueira Neto.

O corretor de imóveis revela ainda que a diminuição das vendas e aluguéis afetou vários setores da sociedade. “O local mais afetado em Teresina é o Centro da cidade, principalmente a parte comercial, mas assim como nos shoppings, a explicação de estar estagnado é por conta da economia do Brasil, que não voltou ao normal, mas, segundo informações do governo, promete melhorar”, diz.

Realidade nas ruas da Capital contrasta otimismo do Creci

Mesmo com a promessa de crescimento do mercado imobiliário, ao andar pelas ruas de Teresina o cenário é de abandono, casas e lojas estão de portas fechadas e com placas de aluga-se e vende-se.

Este é caso de Marisol Dantas. Ela é advogada e há um ano tenta vender a sua casa, já chegou a até diminuir o valor inicialmente proposto, pois há procura, mas, até o momento, não conseguiu concluir a negociação.

“A dificuldade é a capacidade financeira, as pessoas se interessam pelo imóvel, tentam ir ao banco para ver o financiamento, e eu acredito que talvez pela taxa de juros o valor fica um pouco alto e eles não estão conseguindo comprar. A gente até reduziu em R$ 20 mil do valor que estava sendo vendida para ver se consegue e já temos algumas pessoas procurando”, fala.

Conforme Marisol, a primeira opção é vender o imóvel, pois ela vai embora com a sua família no início de 2020, por isso, tentaram antecipar a transação. “Meu marido passou em um concurso federal, então ele será transferido de Teresina e, por conta disso, a gente vai precisar se desfazer do imóvel. Porque para manter ele alugado à distância é um pouco complicado, a gente já pensou em alugar, mas ficamos com receio da dor de cabeça. Mas se por acaso não der certo, vamos ter que pensar no plano b, que seria o aluguel”, conclui.

Placas de ‘aluga-se’ se espalham pelo Centro

O Centro comercial de Teresina parece perder força no mercado. O fluxo de pessoas circulando e comprando caiu e muitos lojistas têm fechado as portas. Quem ainda resiste na região tem amargado prejuízos.

Placas de ‘aluga-se’ se espalham pelo Centro. (Foto: Elias Fontenele/ O Dia)

Karine de Sousa é proprietária de um estabelecimento próximo à Praça João Luís Ferreira e afirma que as vendas chegaram a cair até 40% nos últimos anos. “O Centro era bom quando tinha todo mundo misturado, lojistas e camelôs. Depois que houve essa separação e os camelôs foram para o Shopping da Cidade, muitas pessoas evitam vir para locais como perto da Praça João Luís, pois querem resolver suas coisas o mais próximo do Shopping, que hoje concentra um pouco de tudo, e isso faz com que elas não fiquem circulando”, comenta.

Para a lojista, um dos motivos de tantos imóveis comerciais estarem fechados é o valor dos aluguéis que varia de R$ 5 mil e R$ 8 mil por mês. “Os comerciantes estão indo para os bairros, alugando pontos em regiões mais populosas, já que o Centro está cada dia mais vazio. A consequência disso é que, daqui alguns anos, não existirá mais Centro comercial”, fala.

Por outro lado, o presidente do Sindicato dos Lojistas do Piauí (Sindilojas-PI), Tertulino Passos, afirma que muitos desses pontos que foram fechados, na realidade, dizem respeito à diminuição do tamanho da loja, onde fica uma parte da loja desocupada, dando a impressão de abandono. “Mas o preço do aluguel também tem feito com que muitos lojistas saíssem da região do Centro”, conclui.


Edição: Virgiane Passos
Por: Sandy Swamy

Deixe seu comentário