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Médicos da rede pública estadual paralisam atividades por quatro dias

Esta é a quarta paralisação da categoria desde o mês de maio. Apenas atendimentos de urgência e emergência permanecerão funcionando.

15/07/2019 10:32h - Atualizado em 15/07/2019 17:12h

Os médicos da saúde pública estadual vão voltar as cruzar os braços em uma nova paralisação dos atendimentos no Piauí marcada para começar nesta terça-feira (16). Por quatro dias –seguindo até a sexta-feira (19) – somente os atendimentos de urgência e emergência funcionarão normalmente no estado. Atendimentos eletivos, como as consultas, por exemplo, ficarão suspensos. 

Esta é a quarta paralisação que os profissionais fazem desde o mês de maio. A decisão de interromperem as atividades novamente foi tomada em uma assembleia realizada na última quinta-feira (11). Com isso, somente 30% da rede pública estadual deverá continuar operando pelos próximos dias.


Consultas terão que ser remarcadas por conta da paralisação - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Entre as reivindicações dos médicos estão melhorias nas condições de trabalho, o cumprimento do plano de cargos e salários dos profissionais da saúde, incluindo o aumento do piso salarial. Segundo a Fenam (Federação Nacional dos Médicos), o piso salarial de um médico no Brasil com uma carga horária de 20 horas semanais é de R$ 14.619,39. O aumento foi de R$ 484,8, ou seja, 3,43% em relação a 2018. O valor foi reajustado em maio deste ano, mas, segundo o Simepi (Sindicato dos Médicos do Piauí), até o momento não houve sinalização do governo quanto a isso.

“Temos hospitais com longas filas de atendimento, pacientes morrendo por causa disso sem um número de profissionais a contento para poder atender à população e em condições de trabalho dignas. É por causa disso que estamos paralisando novamente, para que o Estado nos dê uma resposta e responda também à população”, explica Samuel Rêgo, presidente do Simepi.

Outro lado

O superintendente de Atenção Integral à Saúde da Sesapi, Herlon Guimarães, afirma que a pasta considera legítimas as demandas apresentadas pelos médicos, mas ressalta que o governo não pode atender todas as exigências porque precisa respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal, e o orçamento é insuficiente.

"A Secretaria de Estado da Saúde acha legítimo o posicionamento da classe médica em relação ao que vem se pedindo. Já ocorreram reuniões para tratar sobre o que os médicos querem, como a questão salarial, a questão da carreira de estado e a questão das melhores estruturas hospitalares. A Sesapi torna público que hoje o estado passa por uma situação que não difere do Brasil, onde vários estados têm problemas financeiros. E, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal, há uma dificuldade para [o governo conceder] qualquer que seja o aumento - seja para os médicos ou para qualquer outra categoria", afirma Herlon Guimarães.

Herlon Guimarães, superintendente de Atenção Integral à Saúde da Sesapi (Imagem: CCom)

A respeito das queixas dos médicos quanto à precariedade estrutural dos hospitais públicos do estado, o gestor afirma que, nos últimos dois anos, a Sesapi aportou pelo menos R$ 20 milhões na estruturação das unidades de saúde, "quer seja na compra de camas, quer seja na realização de reformas, fazendo a implantação de serviços, e aqui a gente não pode deixar de frisar as UTIs que foram criadas, as casas de parto normal que foram melhoradas, e outras criadas". 

Herlon diz, ainda, que o estado deve aplicar mais R$ 60 milhões no setor. Ele, contudo, não especificou a partir de quando e durante qual período esse montante será aplicado.

Por: Maria Clara Estrêla

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