• Clínica Shirley Holanda
  • Semana do servidor
  • Netlux
  • SOS Unimed
  • Novo app Jornal O Dia

Mais da metade dos presos condenados do Piauí são reincidentes

Dos 2.886 detentos que cumprem pena definitiva, 57,21% já haviam passado pelo sistema prisional anteriormente e não haviam sido condenados.

25/05/2016 14:51h

Uma pesquisa feita pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, vinculado ao Tribunal de Justiça do Piauí, mostra que 57,21% dos detentos condenados na Vara de Execuções Penais já tinham passagens pelo sistema prisional, mas nunca haviam sido julgados pelos crimes cometidos anteriormente. A essa parcela da população carcerária dá-se o nome de reincidentes genéricos.

Ainda segundo o levantamento, é de 0% o índice de reincidência propriamente dita, ou seja, quando o preso é condenado por um crime, cumpre a pena e é condenado novamente por outro delito cometido antes de completar cinco anos de sua soltura.

Para o coordenador da pesquisa, o professor e vice-presidente da OAB Piauí, Lucas Villa, esses dados mostram que há uma morosidade da Justiça no que diz respeito ao julgamento de processos criminais no Piauí, uma vez que há discrepância entre o número de condenados e reincidentes, e o número de condenados que nunca haviam sido julgados pelos outros crimes que cometeram antes.

O professor explica: “Se nós analisarmos, podemos ver que os presos que entraram no sistema carcerário e saíram sem serem julgados é bem alto. São esses 57% que foram presos de novo e condenados agora por outros crimes. Já os que haviam sido presos, foram julgados e depois cometeram novos crimes é bem pequeno. Isso mostra que a Justiça não está julgando. Prende, deixa recluso por um tempo, para depois soltar, voltar a prender e só então condenar”, explica Lucas Villa.

A pesquisa analisou 575 processos junto à Vara de Execuções Penais de Teresina, tendo verificado a situação dos 2.886 presos condenados do Estado. Para o titular da Vara, juiz José Vidal de Freitas Filho, o índice de reincidência genérica é considerado bastante alto, mostrando-se a necessidade de novas pesquisas, desta vez para traçar o perfil desses presos e dos tipos de crimes que eles voltam a cometer ao deixar o sistema carcerário.

Por: Maria Clara Estrêla

Deixe seu comentário