• Piauí Férias de Norte a Sul
  • SOS Unimed
  • Ecotur 2019
  • Novo app Jornal O Dia

Levar animais de estimação em viagens requer cuidados especiais

Tutores devem ficar atentos às recomendações e regras que variam de acordo com o meio de transporte.

11/07/2019 07:22h - Atualizado em 11/07/2019 11:26h

O período de férias escolares chegou e muita gente aproveita para pegar a estrada e aproveitar esse momento de lazer e descanso com a família e, claro, com seu animal de estimação. Mas, antes de fazer as malas e embarcar na diversão, é preciso ficar atento a algumas regras, principalmente para quem quer levar o pet junto. Essa organização e cuidado garante que o animal não se estresse ou tenha um mal-estar. 

A estudante Ana Patrícia Albuquerque sabe bem dos cuidados que precisa adotar antes de viajar com sua Yorkshire. Ela conta que nunca deixou Benta em hotel, por receio dela não se adaptar ao ambiente e por não ter uma boa relação com outros cães. Por isso, sempre que vai viajar, Ana Patrícia leva a cachorrinha junto. 

"Às vezes, até deixo de viajar se não posso levá-la. Também já deixei a Benta duas vezes com minha mãe, mas fico ligando direto para saber como ela está. Antes de viajar, eu sempre dou ração e já espero ela fazer as necessidades, além de ir parando no caminho e desço para ela fazer xixi, apesar de quase nunca fazer na estrada, só quando chega ao destino”, conta. Ana Patrícia costuma viajar bastante entre Teresina e São Luís (MA) e, para transportar Benta no ônibus, ela precisa apresentar a carteira de vacinação em dia. Já quando viaja de carro, a estudante utiliza uma cadeira específica para o bichinho. 

“No carro, ela nunca fica solta. Quando tenho espaço, coloco a cadeirinha dela, quando o espaço é menor, só coloco o cinto de segurança. Já no ônibus, ela vai dentro da bolsa de transporte. E quando chego ao destino, evito deixar ela muito tempo na areia, sempre ofereço água e levo os saquinhos para recolher as necessidades dela, além de dar banho sempre que ela fica na areia”, finaliza a estudante. 

Tutores devem ficar atentos às recomendações e regras que variam de acordo com o meio de transporte - Foto: Folhapress

Viagens de carro 

A médica veterinária Suza ne Almeida explica que, para quem vai viajar de carro, a opção mais indicada são as cadeirinhas, que podem ser presas com o cinto de segurança. No mercado, é possível encontrar esses assentos para cães de diversos tamanhos e pesos. Outra opção são as capas ou guias reguláveis, que podem ser acopladas ao cinto de segurança. 

“Essas guias são necessárias para os animais, pois dá mais segurança em caso de uma freada busca, evitando que ele seja arremessado de um lado para o outro, além de evitar acidentes com o próprio tutor. Muitas vezes, o proprietário quer levar o animal na perna e isso não é recomendado, pois esse animal pode pular ou ficar muito próximo ao volante e o motorista perder o controle do veículo”, enfatiza Suzane Almeida. 

Caixas de transporte 

Para utilizar as caixas de transporte, é preciso que o animal já esteja acostumado desde filhote. Segundo a médica veterinária, alguns cães podem entrar em pânico dentro do transporte, por ser um local pequeno e fechado e, dependendo da raça do cão, até ter um ataque cardíaco devido à ansiedade. 

Alimentação 

A alimentação também deve ser diferenciada antes de viajar. A médica veterinária explica que cada animal reage de uma forma, ou seja, enquanto alguns viajam tranquilamente sem apresentar nenhum mal-estar, outros podem enjoar ao longo do percurso. Para esses casos, o médico veterinário deve recomendar uma dose de anti-vômito. 

“Além do remédio para enjoo, é importante evitar que esse animal coma e beba muito, devido à agitação do carro, que pode induzir ao vômito. Essas orientações devem ser esclarecidas com o veterinário antes e, de acordo com a avaliação, damos o direcionamento para o tutor, pois cada animal tem um perfil e organismo diferentes”, lembra. 

Outras indicações 

E claro, sempre lembrar de fazer paradas a cada duas horas para que o animal possa caminhar e fazer suas necessidades. Prender a urina por muito tempo pode causar uma infecção urinária nesse cão ou outra doença. Dependendo do destino, é importante também dar vacinas específicas para os animais, bem como tomar alguns cuidados ao chegar ao local.

Filhotes e idosos 

Os animais mais velhos e filhotes também exigem uma atenção especial na hora de viajar. Suzane Almeida comenta que o sistema imunológico desses cães é diferente dos mais jovens e adultos. No caso dos cães filhotes, o sistema imunológico ainda não é completo, já no caso dos idosos, eles possuem algumas limitações, seja em nível ósseo ou muscular. 

“Tanto filhote como idoso, esses cães desidratam mais rápido, então devem ter uma atenção maior quando forem ser deslocados. É importante que o tutor faça um check-up antes deles viajarem para que todas as orientações e dúvidas sejam esclarecidas”, frisa.

Tutor deve ficar atento a regras e estrutura de hotel em que deixará pet hospedado

A médica veterinária Suzane Almeida também é proprietária de um hotel e creche para cães e destaca que é importante o tutor conhecer o local que pretende deixar o cão, sempre verificando se há um responsável técnico, que obrigatoriamente é um médico veterinário. Além disso, o proprietário deve observar se o estabelecimento exige a apresentação da caderneta de vacina dos animais que se hospedam, bem como a exigência de remédios para carrapatos.

“Caso o estabelecimento não faça essas exigências mínimas, significa dizer que todos os animais que passam pelo local não têm essa triagem, ou seja, a sanidade é zero, e isso coloca em risco a saúde do animal. Mas também é importante se atentar a outras questões, como os dormitórios, o cronograma para deixar os animais soltos, pois muitos locais deixam os cães em jaulas e soltam em forma de revezamento e não há uma socialização com outros animais”, comenta Suzane Almeida.

A médica veterinária também lembra que o local não deve ter mato, areia e árvores, vez que essas condições são favoráveis para o mosquito do calazar (Lutzomyia longipalpis). Teresina é considerada uma zona endêmica para a Leishmaniose, portanto, os cuidados e atenção devem ser redobrados, evitando que os cães fiquem em ambientes com essas condições.

“Esses lixos orgânicos fazem com que os animais fiquem mais vulneráveis às doenças, sem contar que é possível ter controle de carrapatos em ambientes com muito mato, árvores e areia”, lembra a médica veterinária.


Por: Isabela Lopes - Jornal O Dia

Deixe seu comentário