Irmandade Alcoólicos Anônimos completa 45 anos no Piauí; conheça o trabalho

Membros de A.A não pagam taxas ou mensalidades pela recuperação e o único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber

16/03/2021 11:36h - Atualizado em 16/03/2021 12:21h

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A Irmandade Alcoólicos Anônimos completou, nesta terça-feira (16), 45 anos de existência em solo piauiense. O programa de recuperação de A.A, como é conhecido, move homens e mulheres que compartilham entre si suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema em comum e ajudar outros a se recuperam do alcoolismo. Membros da A.A não pagam taxas ou mensalidades pela recuperação e o único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber.

“O número de recuperados é muito grande, mas não podemos repassar esses dados por princípios de A.A. Foi assim comigo, quando entrei no dia 1 de setembro de 84 e sigo até hoje ajudando outras pessoas. Aqui não somos obrigados a seguir com tratamento, tudo tem que partir de nós mesmo, da nossa força de vontade... Você é livre e, portanto, costumo dizer quem se envolve mais tem uma recuperação melhor”, disse um membro de A.A, que não será identificado.

Foto: Reprodução/ Luiz Antonio Cruz/ Site: alcoolismo.com 

A irmandade não está ligada a seita, religião ou partido político – nenhuma organização ou instituição, pois não deseja entrar em qualquer controvérsia. Segundo o membro, os Alcoólicos Anônimos não apoiam ou combatem qualquer causa. O objetivo principal é se manter sóbrio para ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sanidade.

“Não fazemos isso para depois entrar em descrédito. Até as nossas contribuições são reguladas – muita das vezes pela própria situação que chegamos a A.A. Por exemplo, uma vez o Governo do Piauí quis fazer uma doação de cerca de R$ 300 mil, a direção não aceitou. Somos autossuficientes, graças às nossas próprias contribuições e venda de literaturas. O dinheiro é pequeno, um dízimo que varia de R$ 10 a R$ 20 e é somente para despesas básicas”, disse.

O membro explicou ainda que o trabalho de recuperação das pessoas acontece basicamente em três etapas: terapia grupal, onde os alcoólicos fazem depoimentos, contam suas histórias e ouvem as de outras pessoas – recuperação voltada às literaturas de A.A, onde são trabalhados os livros da irmandade usado por outras instituições e seminários com profissionais, com médicos que entendem de alcoolismo. Há ainda serviços que também podem ser adotados pelas pessoas durante o tratamento.

“Existem outas etapas mais específicas, mas essas são as principais. Em todas elas são pessoas ajudando na recuperação de outras. A recuperação acontece desde as experiências em sofrimento com o álcool até a plena recuperação com a comunidade de fora. Lembrando que tudo isso vai depender da própria pessoa, que nunca será forçada a fazer o que não quer”, completa.

Pandemia aumentou a procura por ajuda

A pandemia do novo coronavírus aumentou a procura pelo tratamento contra o alcoolismo no Piauí. Segundo o membro, todas as questões que envolvem a doença provocaram diversos problemas emocionais e, algumas pessoas, tentaram resolver com o consumo do álcool. Grupos de aplicativo de mensagem foram formados para auxiliar quem precisa de ajuda.

“Aumentou bastante porque muitas pessoas tiveram problemas emocionais por causa da pandemia e algumas delas caíram sobre o álcool. Tendo em vista essa questão, foram montados grupos de WhatsApp para fazer essas reuniões virtuais – que eu percebi esse aumento. Algumas dessas pessoas nem passaram por grupos e foram auxiliadas a procurarem irmandade de A.A. Existem ainda reuniões abertas para qualquer pessoa interessada, e reuniões fechadas somente para alcoólicos”.

Ele contou ainda o que uma pessoa pode esperar da irmandade. “Os membros de A.A ajudam qualquer pessoa que queria se recuperar do álcool. Além disso, podemos fazer visita ao alcoólico que precise de ajuda e ainda em compartilhar vivências com qualquer pessoa interessada, seja em conversações ou em reuniões formais”.

As sedes de A.A ficam localizadas na Rua Anísio de Abreu Nº 70 - Ed Calu Sala 01 Centro/Sul – Teresina, na Rua Osvaldo Cruz, Nº 1257 Junto a Pinheiro Machado, em Parnaíba, e na Rua Monsenhor Hipólito, Nº 51 no Centro de Picos.

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