Homofobia: Piauí é o 2º do país em assassinatos de homossexuais

Somente no 1º semestre de 2012, para cada 346 mil habitantes do Piauí, um homossexual foi morto

05/07/2012 11:53h

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Somente no primeiro semestre de 2012, para cada 346 mil habitantes do Piauí, um homossexual foi morto violentamente. Com essa média, o estado aparece no segundo lugar de uma estatística triste: dentre os estados que mais matam homossexuais em todo o Brasil, o Piauí tem a vice-liderança. Ao todo, foram registradas nove mortes apenas nos últimos seis meses, de acordo com dados da mais antiga entidade de defesa dos homossexuais do Brasil, o Grupo Gay da Bahia (GGB).

A proporcionalidade fica ainda mais assustadora se levado em conta o fato de que todas as mortes do estado aconteceram em Teresina, o que significa que um homossexual foi morto a cada 88 mil habitantes da capital.

Embora com população de apenas pouco mais de 3 milhões de habitantes, o Piauí ainda tem uma quantidade expressiva se considerados os números absolutos em comparação aos outros estados. O estado aparece em quinto lugar do Brasil em quantidade de vítimas, ficando atrás apenas de São Paulo (19), Paraíba (15), Bahia (14), Paraná (10) e empatando com o Rio de Janeiro (9).

Os dados reafirmam conclusões de anos anteriores, que apontam o Nordeste como a região mais perigosa para os homossexuais, concentrando 1/4 dos homicídios. O estado da Paraíba tem os piores índices, sendo o segundo estado em números absolutos e o primeiro em comparação com o número de habitantes, sendo o único estado à frente do Piauí neste índice, com uma morte para cada 251 mil habitantes. O Piauí vem com uma para cada 346 mil.

Em seguida, a proporcionalidade salta para uma morte, em média, a cada 1 milhão de habitantes no estado, também nordestino, da Bahia. Depois aparecem o Paraná e o Rio de Janeiro. São Paulo, embora lidere em números absolutos, apresenta 1 morte para cada 2 milhões de pessoas.

Características das vítimas

As vítimas piauienses foram cinco gays, duas lésbicas e dois travestis, o que reforça a estatística nacional, que mostra que os crimes de ódio vitimaram, na maioria, os gays. Eles foram 52% do total das 165 vítimas em todo o país neste primeiro semestre. Em seguida vêm os travestis, 41% das vítimas.

Proporcionalmente, contudo, as travestis e transexuais representam o grupo mais vulnerável, pois não chegando a 1 milhão de pessoas, comparativamente aos gays que ultrapassam 20 milhões, foram mortas 65 ‘trans' e 85 gays. Fazendo um comparativo, o risco de as travestis serem assassinadas é 15 vezes maior do que o dos gays.

Dentre as profissões das vítimas, no Piauí foram assassinados um estudante, um eletricista e um cabeleireiro gays, além de uma travesti profissional do sexo. Os outros homossexuais assassinados não tiveram suas profissões reveladas.

A média de idade das vítimas no Piauí foi de 22 anos, tendo a vítima mais velha apenas 35 anos. Há ainda um menor de idade entre os mortos: um adolescente de 16 anos.

Heterossexuais também são vítimas de homofobia

Além dos homossexuais, foram mortos dois jovens heterossexuais nos últimos meses, depois de serem confundidos com gays pelos autores dos crimes.

Uma das vítimas deste primeiro semestre foi Leonardo da Silva, heterossexual de 22 anos, morto a golpes de paralelepípedo na Bahia, confundido com homossexual por estar abraçado com seu irmão gêmeo. Nessa ultima semana de junho, o jovem Lucas, de Volta Redonda, 15 anos, teve seus olhos arrancados, foi empalado, espancado e teve seu corpo jogado em um rio da região.

Em ambos os casos a polícia declarou tratar-se de crimes homofóbicos.

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Por: Maria Romero

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