Hippies dependem da arte para sobreviver

Malucos da estrada e com a arte nas veias, eles se dizem invisíveis

23/09/2013 09:02h - Atualizado em 23/09/2013 09:13h

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Paz e amor os alimentam. Artesãos, eles estão em praças e se dizem invisíveis. Eles não têm nome para os que passam na rua. São feitos da poeira da estrada e da vontade de divulgar a arte como a principal preciosidade dos humanos. Com uma vida ciganada, os hippies – quase não mais conhecidos por esse nome – sofrem pelas ruas para sobreviver. Em Teresina não é diferente.  

“Não há mais hippies, somos apenas sobreviventes da arte que fazemos. Sobreviventes com arte e discriminação”, afirma Eduardo de Jesus Flugel. Filho de hippies, Flugel – sobrenome germânico do carioca de 44 anos que passa uma temporada em Teresina – está nesta vida desde que nasceu. 

Eduardo Flugel, 44 anos, nasceu de pais hippies

Eduardo Flugel, 44 anos, nasceu de pais hippies 

“Eu nasci de pais hippies. Nunca tive outra vida. Entrei no Exército e servi por dois anos na Primeira Infantaria Motorizada do Rio de Janeiro. Depois voltei para a estrada”, conta Eduardo, completando que nunca foi fácil enfrentar o mundo. “A gente rala muito. E as pessoas passam por a gente e nada. Você vendia uma pulseira e isso daria para você se alimentar. Hoje não dá mais. As pessoas valorizam tudo, menos o artesanato. Até um bom dia as pessoas têm preguiça de responder”, afirma. 

Pai de três filhos, Ébano, Eriel e Arafel – respectivamente, deuses da lua, do sol e do universo, segundo o hippie – Eduardo resolveu que eles mesmos escolhessem o caminho que queriam. “Eles estudam. Têm outra vida”, coloca. 

Geovane Braz, 43 anos e natural de Fortaleza (CE), não nasceu em meio aos hippies como Eduardo, mas optou pelo lema 'paz e amor' aos 16 anos. “Encontrei uma gata que fazia artesanato e aprendi. Depois saí na estrada. Não consigo passar mais de dois meses em um lugar desde então”, afirma. 

Geovane Braz, 43 anos, está na estrada desde os 16

Geovane Braz, 43 anos, está na estrada desde os 16

Para Geovane ser hippie é fazer parte de uma irmandade. “A gente é de um grupo que se tiver um pão a gente divide”, afirma, completando que há vários 'hippies de verão', aqueles que saem apenas nas altas estações e depois voltam para casa. “Malucos da estrada não é só ter dreads. É uma irmandade”, conclui. 

Além de Eduardo e Geovane, muitos outros artesãos vivem e se alimentam do que vendem na Praça Pedro II, no centro de Teresina. É lá que a maioria deles passam os dias e as noites, fazendo suas peças e oferecendo aos visitantes. 

Além de adultos, há as crianças. Laura, de três anos, é filha de um casal de hippies da que também ficam na Praça. Meio tímida, pedindo algo com que pudesse se maquiar, Laura aparece à noite com os pais. Para a mãe de Laura, ela não será hippie. “Ela é vaidosa, gosta de se cuidar. Não vai ficar nessa vida”, afirma a mãe. 

Sobre a presença das crianças entre os hippies, Eduardo Flugel, tem histórias para contar. "O conselho tutelar tem atuado para que as crianças não fiquem na rua. Isso até que é bom. Elas precisam de um teto mesmo. Um dia, eles quase levaram minha guria, que estava comigo", afirma. 


Como surgiram os 'malucos da estrada'

O movimento e cultura hippie nasceu e teve o seu maior desenvolvimento nos Estados Unidos, nas décadas de 1960 e 1970. Inicialmente era um movimento de uma juventude rica que resolveu se recusar a viver as injustiças e desigualdades da sociedade americana.

Os hippies apreciavam a filosofia oriental, o que significava misturar alguns aspectos da religião hindu com a doutrina da não violência de Ghandi.

No Brasil, existem algumas comunidades hippies espalhadas por praias e comunidades alternativas.

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Por: Francicleiton Cardoso

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