Festas juninas: a cultura nordestina em alta

O colorido das roupas, os fogos e a alegria das quadrilhas marcam o sucesso dessas festas.

10/06/2017 08:56h

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A alegria das músicas, o sabor das comidas típicas, a energia das danças, o colorido da indumentária e a beleza dos fogos de artifícios resumem as tradicionais festas juninas que, embora ocorram em todo o território nacional, são mais marcantes na região Nordeste. De acordo com o historiador e professor doutor Bernardo Barroso, elas fazem parte da formação cultural dessa região e, por isso, devem ser sempre valorizadas. 

 
As festas juninas movimentam pessoas em todas as atrações, principalmente com a a apresentação de quadrilhas. Foto: Divulgação

Com o processo de colonização do Brasil, essas festas foram implantadas no País pelos portugueses. Como uma das primeiras regiões colonizadas foi o Nordeste, o historiador atribui essa razão como uma das justificativas por ser tão marcante na região. “Mesmo ocorrendo em todo o País, na região Nordeste essa tradição é muito mais forte. Ela é uma parcela significativa para nós nordestino, aqui a gente se identifica mais. As danças, as comidas, as bebidas são muito da nossa região. Dá até um sentimento de pertencimento”, enfatiza. 

O professor conta ainda que, com uma miscigenação das culturas já existentes no País, como a cultura indígena no período colonial, as festas juninas são resultadas dos hábitos e costumes culturais de cada região. No Piauí, as festas se agregam à cultura da pecuária com o Bumba Meu Boi, folguedo mais característico do Estado.

 A dança, inclusive, é motivo de ambiguidade entre alguns estados do Nordeste quanto ao pioneirismo desse folguedo. Bernardo ressalta, porém, que mesmo com o peso das festas juninas na formação cultural da região do Piauí, a população não tem dado a devida importância à tradição. “Eu acho que nós piauiense não temos tido cuidado de preservar isso, nem mesmo nas escolas. A criança hoje não é mais ensinada sobre as festas juninas no sentido de que aja uma continuidade, está muito mais envolvida aos jogos eletrônicos, internet e à tecnologia”, pontua.

 Além de uma festividade religiosa, essas festas têm um teor profano. Segundo o historiador, isso acontece por conta da força da mídia, que massifica o aspecto cultural e faz com que a comunidade perca muitos dos elementos tradicionais que constroem a identidade cultural. Para falar das modificações que a tradição vem ganhando com o tema, o historiador cita o exemplo das quadrilhas. Para ele, as danças vêm perdendo o caráter matuto, que fazia referência à ruralidade, e valorizando mais o estilo moderno.

 De acordo com ele a quadrilha é um dos folguedos que caracteriza essa manifestação cultural, embora a quadrilha seja uma dança de salão de origem francesa, ela se constitui como a dança mais típica do período, porque deve representar os povos da ruralidade.

 “A quadrilha deixou de ser uma dança caipira, rural, para ser mais estilizada. Não é mais aquela quadrilha matuta, é uma quadrilha carnavalizada; as roupas são muito extravagantes. O que ainda se mantem são as músicas, mas os movimentos e o figurino não mais representam aquilo que seria uma festa matuta. Eles foram moldados pela força dos elementos de comunica- ção de massa que nos influencia e nos massifica o tempo todo", critica. 

Origem

 Essa tradição vem das festas pagãs antes do cristianismo, quando os povos antigos festejavam em agradecimento e invocação de alguns deuses por boa colheita. Quando a Igreja Católica se tornou uma instituição mais forte na Europa Ocidental durante Idade Mé- dia, ela organizou essas festas e deu essa atribuição aos santos do catolicismo, Santo Antônio, comemorado dia 13 de junho, São João Batista, no dia 24 e São Pedro no dia 29. No Brasil, as festas juninas chegaram com a colonização dos Portugueses. Para alguns, a comemoração se dá em homenagem aos santos; para outros se trata de um momento onde a tradição cultural é relembrada.

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Fonte: Jornal O Dia
Edição: Marcos Vilarinho
Por: Karoll Oliveira

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