Famílias trabalham juntas para desenvolver o próprio negócio

O analista do Sebrae/PI, João Batista, explica que não se pode confundir a relação afetiva com os negócios

26/04/2021 09:57h - Atualizado em 26/04/2021 10:16h

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Costureira há 10 anos, Eliane Cronemberg montou o próprio atelier em seu apartamento, no bairro Morada Nova, em Teresina. Ela conta com a ajuda dos filhos no empreendimento, mantendo uma loja online. A filha, Anne Moura, atende aos clientes pelo Whatsapp e Instagram, movimenta as redes da empresa, faz a compra de material, define modelos com os clientes e faz as entregas. Caio Moura, filho de Eliane, também atua na compra de material, monta algumas caixas e faz entregas. O que chama a atenção no empreendimento é a união da família na hora de operar o negócio que eles mesmos criaram.

Mas nem sempre essa é a realidade em empresas familiares. O combustível é a união, mas há que se ter cuidados para vencer alguns desafios impostos pela mistura das relações afetivas e familiares com a relação profissional. Quem alerta é João Batista, analista de negócios em família do Sebrae PiauíEle afirma que as relações emotivas interferem para o bem ou para o mal no empreendimento e que é preciso trabalhar os limites dessas esferas.

"Tem que ter um discernimento do que é negócio e do que é relação afetiva. Tem que administrar alguns desafios e o primeiro deles é a definição de papéis. Essa é a essência fundamental para conduzir a coisa sem conflitos desnecessários", explica.

De acordo com João Batista, ao se definir os papéis dentro de uma empresa familiar, é preciso entender que deve haver união e que todos os envolvidos devem ter os mesmos objetivos. Todos devem se submeter às normas e regras essenciais para condução do negócio, sobretudo no que toca ao planejamento, aporte de recursos, definição de tarefas operacionais, controle financeiro e de caixa e planejar aonde se quer chegar e como irão fazê-lo.


(Foto: Freepik)

Para auxiliar as famílias que decidem se unir para montar o próprio negócio, o Sebrae conta com uma grade educacional empreendedora para capacitar o empreendedor na condução de negócio, evitando conflitos. "A gente administra para que o risco seja minimizado, mas ele jamais será inexistente. O Sebrae está do lado dos empreendedores com capacitação educacional empreendedora, com consultores em todas as áreas, com consultorias gratuitas. O Sebrae é parceiro dos negócios e está preparado tanto em plataforma virtuais, quanto em atendimento presenciais", diz João Batista.

Ele explica que, para ser um bom profissional, é preciso resiliência e flexibilidade no aprendizado. O trabalho de planejamento se inicia trabalhando o conceito da atividade empreendedora, daí, parte-se para a elaboração de um plano de negócio, se faz a leitura da composição societária da empresa e, entendendo qual é a expertise de cada um que a compõe, são trabalhados seus pontos fortes. "Isso é fundamental para que um plano de negócio tenha estabilidade", pontua o analista do Sebrae.

João Batista lembra que uma das dúvidas que podem surgir quando da criação de uma empresa familiar é sobre a classificação que ela tem no mercado: se seria um MEI (Micro Empreendedor Individual) ou uma Micro Empresa, por exemplo. O analista do Sebrae explica que um MEI, apesar de ser mais desburocratizado, é mais limitado. "Ele tem limitação de faturamento bruto de R$ 81 mil no ano. Um empreendimento familiar que tem essa limitação, tem que se trabalhar mais cuidadosamente. Por outro lado, a Micro Empresa é mais assertiva, dependendo da empresa. A despeito do Sebrae colocar uma grade educacional empreendedora à disposição, quem toma a decisão é o empreendedor. Nós só montamos as ferramentas necessárias e suficientes para que ele tenha uma expertise direcionada para a tomada de decisões", finaliza João.

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