Falta de medicamentos excepcionais interrompe tratamento de pacientes

Pacientes estão há cerca de três meses aguardando medicamentos que são de uso contínuo e chegam a custar até R$ 600.

02/03/2016 06:54h

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Os pacientes que dependem dos remédios dispensados pela Farmácia de Medicamentos Excepcionais, no Centro de Teresina, enfrentam, mais uma vez, dificuldades para ter acesso ao serviço. A falta de alguns remédios no estoque da unidade interrompe o tratamento de quem sofre com doenças crônicas.

Francisco Everaldo, de 57 anos, utiliza há mais de 20 anos o medicamento ciclosporina, que serve para evitar rejeições do organismo a órgãos transplantados. Por conta do alto preço do medicamento, ele depende exclusivamente da Farmácia de Medicamentos Excepcionais para dar continuidade ao tratamento. No último mês de fevereiro, o paciente não conseguiu ter acesso ao medicamento. O que se repetiu no primeiro dia do mês de março.


Foto: Assis Fernandes/ODIA


“Além de ser muito caro, esse remédio não é vendido em farmácia. É fornecido pelo Governo Federal, em contrapartida com o Governo do Estado. Quando chegamos aqui, eles apenas informam que está em falta, mas não dão uma nova data para voltarmos”, pontua.

Everardo Uchoa também faz uso do medicamento ciclosporina. Todos os meses ele vem de Campo Maior para Teresina em busca do medicamento. Sem data marcada para receber o remédio, o paciente tem que tentar a sorte. “Esse medicamento é de uso contínuo, tenho que tomar até morrer. Ultimamente, na maior parte das vezes que venho, ele está em falta no estoque. É complicado viajar de Campo Maior pra cá e não receber o medicamento”, desabafa.

A dona de casa Francisca Moura depende do medicamento azatioprina para o tratamento de uma doença crônica. Segundo ela, há dois meses, o medicamento está em falta na Farmácia de Medicamentos Excepcionais, o que acaba prejudicando o tratamento.

“Toda vez que venho, eles dizem que está em falta. Pedem para ligar, mas nunca dão uma data certa para a gente pegar o medicamento. É complicado, porque é um direito nosso que está sendo desrespeitado. Eu, como a maioria das pessoas que utiliza essa Farmácia, não tenho condições para comprar”, reclama a dona de casa.

Este também é o caso de Karla Mendes que, há mais de três meses, vai até a Farmácia de Medicamentos Excepcionais em busca da somatropina, um hormônio de crescimento utilizado no tratamento de sua filha, de seis anos. Sem conseguir o medicamento, ela cobra maior agilidade na manutenção do estoque da unidade.

“Uma ampola, que dura três dias, custa em torno de R$ 600. Não temos condições de manter o tratamento. É um direito nosso, como cidadão. A gente paga impostos, tudo direitinho, aí quando a gente precisa, não tem acesso ao serviço?”, questiona.


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Por: Natanael Souza - Jornal O DIA

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